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São José do Rio Preto, 28 de Outubro, 2009 - 3:18
Câmara dá aval a motorista acumular função

Rodrigo Lima

Thomaz Vita Neto
Autora do projeto, Alessandra disse que acúmulo de função por parte de motoristas é ilegal
A Câmara de Rio Preto rejeitou o projeto de lei de autoria da vereadora Alessandra Trigo (PSDB) que proibia os motoristas de ônibus urbano, inclusive da Circular Santa Luzia, atual concessionária do serviço de transporte público, de atuarem como cobradores. Além da própria tucana, apenas os vereadores Marco Rillo (PT) e Pedro Roberto (Psol) foram favoráveis a proposta. Dinho Alahmar (PSB) e Maurin Ribeiro (PC do B) se ausentaram da sessão e não votaram o projeto.

Antonio Carlos Parise (PTB), Carlão dos Santos (PTB), Eduardo Piacenti (PPS), Jorge Abdanur (PSDB), Manoel Conceição (PPS), Nelson Ohno (PSB), Nilson Silva (PSDB), Oscarzinho Pimentel (PPS), Sebastião Santos (PRB) e Walter Farath (PR) votaram contra a legalidade do projeto de Alessandra. “Se foi legal a retirada dos cobradores, a proposta de retorná-los também é legal. Motoristas têm de fazer a cobrança e retiram uma mão do volante. A prática acumula ainda outra jornada de trabalho”, afirmou a tucana.
Pedro acusou a ausência do presidente do sindicato dos motoristas em Rio Preto, Daniel Caldeira. “Cadê o Daniel Caldeira?”, questionou o vereador do Psol sobre a defesa da melhoria das condições de trabalho para a categoria.

Nilson disse que a proposta seria inócua, já que nas linhas mais movimentadas a empresa manteve os cobradores. Foi a deixa para que Rillo mandasse o tucano procurar um oftalmologista para verificar sua visão. Alessandra também disse que andou de ônibus por dois dias e não encontrou cobradores. Os parlamentares rejeitaram outra proposta de Pedro que previa “estudar” o modelo de transporte coletivo para o município, já visando a licitação do setor no próximo ano. Os vereadores que formam a base governista do prefeito Valdomiro Lopes (PSB) rejeitaram ainda a formação de uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) sobre as condições de trabalho nas feiras-livres.

Durante a sessão de ontem os vereadores trocaram graves acusações nos debates dos projetos. Nilson acusou Pedro de pescar gratuitamente com proprietários da Circular. “Tenho fotografia para confirmar”, afirmou o tucano. Já o parlamentar do Psol não deixou por menos e afirmou que o tucano só foi eleito por causa de um suposto esquema de compra de votos, o que não foi comprovado pela Justiça Eleitoral. Rillo também não conseguiu engolir as acusações feitas pelos colegas e também partiu para o ataque. Da tribuna da Casa, ele sugeriu que parlamentares receberam dinheiro da Circular e construtoras. Não citou quais vereadores e nem os nomes das construtoras.

Parise voltou a exigir do petista os nomes de quem estava acusando. “Por favor, não me joguem na vala comum. Não posso aceitar de forma alguma isso e estão jogando os vereadores contra a população. A que ponto chega a coisa”, reclamou o vereador do PTB. Durante a sessão os vereadores rejeitaram ainda projeto que trazia implicações à Circular, o que previa a divulgação de planilhas de custos de concessionárias de serviços públicos ao Legislativo. Segundo Pedro, a proposta pretendia liberar dados com o objetivo de analisar possíveis pedidos de reajustes.

Investigação é rejeitada

Por 14 votos a 2 a Câmara rejeitou a formação de uma Comissão Processante (CP) para investigar o prefeito Valdomiro Lopes (PSB). O prefeito foi acusado pelo vereador Marco Rillo (PT) de “comprar” o PPS por meio de aumento de salário e gratificação até 200% o valor do subsídio de quatro servidores filiados ao partido em cargos em comissão - de livre nomeação e indicação do prefeito. Além de Rillo, apenas Pedro Roberto (Psol) foi favorável a abertura da investigação que poderia levar até à cassação do mandato de Valdomiro. “Foi um agradinho pesado para os cofres públicos”, afirmou o petista.

Segundo Pedro, houve uma “negociata” entre o prefeito e a legenda, o que foi negado pelo parlamentar Eduardo Piacenti, presidente do PPS. “Não tratamos com o prefeito aumento de salário de funcionário. Não houve compra”, afirmou Piacenti. “Não fui trocar votos com o prefeito.” O reajuste aos pepessitas ocorreu após o PPS ameaçar deixar a atual administração. Os integrantes da sigla cobrou de Valdomiro o comando de uma secretaria, já que o secretário de Planejamento, Orlando Bolçone, deixou o PPS para se filiar ao PSB.

Os vereadores aprovaram projeto de lei que prevê a liberação de R$ 200 mil à Fundação Rio-pretense de Assistência Social (Fras) pela Prefeitura. A proposta é uma ajuda à entidade e foi articulada pela Secretaria de Assistência Social. O procurador-geral do município, Luiz Tavolaro, admitiu que a Fras poderá ser extinta. Os integrantes do Executivo se reuniram com o Ministério Público para debater a situação da entidade.



 
     
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