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São José do Rio Preto, 27 de Fevereiro, 2010 - 3:01
Assessor confessa que fez estágio na hora do trabalho

Rodrigo Lima

Edvaldo Santos
Eudes admitiu que fez o estágio, mas nega “má-fé” ou “prejuízo”; fala em “erro formal” em pontos
O assessor do vereador Pedro Roberto (Psol), Francisco Eudes Alves, admitiu ontem que assinou folha de ponto no mesmo dia e horário que estava em estágio na faculdade Unilago. A confissão de Eudes Alves foi feita durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) formada para investigar a irregularidade. O assessor afirmou ainda que teve autorização de Pedro para fazer o estágio.

Segundo o presidente da comissão, Nilson Silva (PSDB), o depoimento do assessor complicou ainda mais a situação de Pedro, que já não é confortável. O ápice do interrogatório aconteceu no momento em que Alves reconheceu sua letra e assinatura no documento do Legislativo e na lista de estágio da faculdade no mês de julho de 2009. Eudes manteve a versão dada por Pedro no caso e afirmou ter compensado as horas.

O assessor classificou a situação como “erro formal” e diz que não houve “má-fé.” Foi possível verificar que os membros da CPI enfatizaram declarações de Eudes que poderiam ser usadas contra o vereador do Psol no futuro.

Oscarzinho Pimentel (PPS) pediu para constar nas declarações de Eudes que a irregularidade não só era de conhecimento de Pedro, como teve a sua “anuência” para a participação no estágio no horário de expediente. O pepessista tentou desmontar a versão das compensações apresentadas pelo assessor ao dizer que não é permitido o pagamento de hora extra fora do horário de serviço.

Eudes disse que as compensações podem ser comprovadas através do histórico de acessos do computador no gabinete de Pedro. Por conta disso, o presidente da CPI anunciou ontem que vai convocar a presidente da Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro), Lúcia Hirata, para pedir dados sobre a versão apresentada pelo assessor. “Fiz a compensação de todas as horas. Não houve prejuízo de um centavo aos cofres públicos”, afirmou Eudes.

Nilson disse que não acredita na versão apresentada pelo assessor ou por Pedro. O presidente da CPI considera o vereador “réu confesso” e afirmou que pretende indicar ao Ministério Público o ressarcimento de 89 horas de estágio feitas pelo assessor. “O estágio não é trabalho parlamentar”, afirmou Oscarzinho. Cálculo preliminar aponta que as 89 horas representariam cerca de R$ 1,4 mil. Eudes recebe salário de R$ 2,5 mil para 40 horas semanais de serviço.

Outro lado

Para Pedro, “está claro” que qualquer esclarecimento feito à comissão não será considerado. Ele diz que está sendo retaliado por sua postura de oposição e que o objetivo é desgastá-lo. Oscarzinho não aceitou por exemplo a explicação de Eudes sobre a compensação de horas durante a realização das sessões. A CPI criticou ainda o fato de não haver nenhum documento assinado pela presidência da Casa autorizando o trabalho do assessor após às 18 horas.

Os integrantes da CPI do Assessor em alguns momentos perderam o foco da investigação, quando passaram a questionar Eudes sobre o curso de direito da faculdade. “Só falo sobre o meu estágio. Não respondo sobre semana jurídica”, afirmou o assessor de Pedro.

Oscarzinho questionou ainda se Alves havia usado o carro do Legislativo para ir fazer estágio. A resposta foi não. O assessor confirmou, no entanto, que Pedro o autorizou a tirar cópias de manifesto assinado pelo bispo dom Paulo Mendes Peixoto e 11 padres de apoio ao parlamentar do Psol.

Piacenti descarta ‘falha de sistema’

O presidente da CPI do Novacon, Eduardo Piacenti (PPS), descartou a versão de que o sistema de computadores da Prefeitura de Rio Preto seria o responsável pelo “esquecimento” da cobrança de uma dívida de R$ 15 milhões de Imposto Sobre o Serviço (ISS). Piacenti se posicionou após analisar os depoimentos do ex-secretário da Fazenda, José Ciocca, e da ex-presidente da Empro, Susélide Tenani.

Na próxima semana, a CPI pretende convocar o ex-coordenador do Departamento Imobiliário do Município, Pedro Facuri Júnior, que culpou o sistema de computadores pela falha na cobrança da dívida junto a Novacon. Outro que será chamado a depor será o ex-procurador-geral do município Adilson Vedroni, já que Ciocca apontou possível falha da Procuradoria Geral do Município no caso.

 
     
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