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São José do Rio Preto, 20 de Fevereiro, 2010 - 3:05
Assessor esteve em ‘dois lugares ao mesmo tempo’, revela CPI

Rodrigo Lima

Thomaz Vita Neto
Pedro Roberto reconhece “falha”, mas diz que Eudes compensou todas as horas
Documentos em posse da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) comprovam que o assessor do vereador Pedro Roberto (Psol) Franscisco Eudes Alves atestou que esteve em dois lugares ao mesmo tempo. Em julho do ano passado constam nos papeis que o assessor frenquentou por algumas vezes, nos mesmos dias e horários, estágio na faculdade Unilago e deu expediente na Câmara.

A CPI teve acesso à lista de presença de assistência jurídica e a folha de ponto do Legislativo, as duas assinadas por Alves. No dia 16 de julho de 2009, por exemplo, consta que Eudes fez estágio das 13 horas às 15h30. E no livro ponto da Câmara consta que ele deu expediente das 14 horas às 18 horas.

O presidente da CPI do Assessor, Nilson Silva (PSDB), disse no final das investigações vai encaminhar todos os documentos ao Ministério Público. Na próxima segunda-feira, o vereador do Psol vai depor na CPI do Assessor e será questionado sobre as suas assinaturas nas folhas de ponto. Se forem confirmadas as denúncias, a CPI diz que poderá indiciar Pedro por “infração político-administrativa” que tem como punição desde uma advertência até a cassação. No dia 26 será a vez de Eudes depor na comissão.

Pedro admitiu a “falha”, mas afirmou que os outros vereadores também “burlam” o sistema de ponto para registro da jornada de trabalho dos assessores da Casa. Pedro disse ainda que o sistema de marcação de horários de trabalho dos assessores é “britânico.” Ou seja, todos os vereadores estariam orientados pelo Departamento Pessoal a preencher o documento atestando a frequência dos assessores das 8 horas às 12 horas e das 14 horas às 18 horas. “Essa folha de ponto da Câmara é um documento burocrático e não retrata a realidade. Vários assessores não chegam às 8 horas”, afirmou o vereador do Psol ao dizer que a CPI deve propor a instalação do ponto eletrônico.

Pedro voltou a dizer que o seu assessor fez a compensação das horas que esteve no estágio. Ele afirmou ainda que a investigação da CPI é uma tentativa de “calar a sua boca” na Casa como vereador de oposição ao prefeito Valdomiro Lopes (PSB). Eudes disse ontem que “como o Pedro tem dito, eu compensei todas as horas.” Ele não quis comentar sobre o choque de datas e horários.

O presidente da Câmara, Jorge Menezes (DEM), afirmou que já teve acesso a cópias dos documentos. “Existe um erro. É o que ficou comprovado nos documentos”, disse o presidente sobre as assinaturas do assessor na lista de estágio e na folha de ponto da Casa nos mesmos dias e horários.

Novo manifesto

Ontem, outros 10 padres assinaram manifesto de “solidariedade” a Pedro, que já havia recebido apoio do bispo dom Paulo Mendes Peixoto e 11 sacerdotes na quinta-feira. “Entendemos a tentativa da Câmara de fazê-lo se calar como um gesto de levar a população da cidade a ficar sem voz, pois é presença do vereador Pedro no cenário político atual que tem permitido à população conhecer as questões mais importantes que são tratadas pelo nosso Legislativo”, afirmam os padres.

Assinaram o manifesto os padres Areovaldo Souza, Gilmar dos Santos, Leonildo Pierin, Fábio Dungue, Marcos Mocci, Sérgio Marcos, Francisco Rodrigues, José Daria, Natalício dos Santos e Rogério Corrêa.

Oscarzinho paga 10ª parcela

O vereador Oscarzinho Pimentel (PPS) fez ontem o pagamento da décima parcela de R$ 3,9 mil referente ao ressarcimento de parte dos salários de seu assessor fantasma na Câmara. O parlamentar fez acordo com o Ministério Público para devolver aos cofres públicos a quantia de R$ 51,6 mil para em troca não ser alvo de ação civil pública por improbidade administrativa.

O compromisso do vereador do PPS com o promotor termina nos próximos três meses, quando o vereador terá devolvido a totalidade do valor que corresponde a parte dos salários pagos ao assessor fantasma do vereador José Luís Andreossi sem que ele cumprisse a jornada de trabalho. O ex-assessor de Oscarzinho passava dias em seu escritório de engenharia particular no período que deveria estar na Casa.





 
     
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