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São José do Rio Preto, 2 de Fevereiro, 2010 - 1:26
Valdomiro desiste de grama e manda colocar petit-pavé

Alexandre Gama, Rodrigo Lima e Jocelito Paganelli

Carlos Chimba
Canteiro central da Bady Bassitt completamente destruido pela tempestade do dia 18 de janeiro
O prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB), recuou e determinou que sejam usados petit-pavé na reconstrução dos canteiros das avenidas Bady Bassitt e Alberto Andaló. A intenção do governo era fazer a recuperação do local com grama, já que as calçadas foram destruídas pela enchente do último dia 18 de janeiro. Valdomiro já havia cotado “pessoalmente” o preço da grama.

Um dos motivos que levou o prefeito a desistir de plantar grama nos canteiros centrais das avenidas Alberto Andaló e Bady Bassit seria a demora em consertar o estrago. De acordo com o secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra, seriam necessários ao menos mais 60 dias para começar a plantar os 20 mil metros quadrados de grama nos canteiros.

“O problema da grama é que ia demorar muito. Entre 60 dias e 90 dias, já que não podemos plantar no período de chuvas”, disse o secretário. Segundo ele, se plantasse a grama agora e chovesse, a vegetação poderia ser arrancada. “Se colocar hoje e chover amanhã, leva tudo. Não está enraizada. Ia demorar demais e o prefeito quer uma resposta imediata”, afirma Pauléra. Ele diz ainda que a manutenção de tamanha quantidade de grama é delicada. “Já pensou a gente planta 20 mil metros de grama e seca tudo. O desgaste ia ser maior.”

A decisão de recolocar o petit-pavé se deu em conta do tempo. Pauléra estima que em uma semana a empresa ainda a ser contratada conseguirá recompor todas as calçadas e canteiros das avenidas. “Vamos recolocar, mas com cimento, para que uma nova enxurrada não arranque novamente o piso.” A Prefeitura deve contratar hoje uma empresa para fazer a recolocação do piso.

Em reunião tensa, Valdomiro determinou ainda agilidade na limpeza e reconstrução das avenidas Andaló e Bady, cartões-postais de Rio Preto e que foram praticamente destruídas pela enxurrada de duas semanas atrás. O prefeito mandou setores da Secretaria de Serviços Gerais pararem de funcionar nos próximos dias para que os trabalhadores se dediquem exclusivamente à recuperação das duas principais avenidas do município. De acordo com Pauléra, serão paralisados os setores de limpeza de praças de jardins, de terraplenagem, além de 50% do serviço de cata galhos.

Segundo o secretário, serão 120 funcionários que serão deslocados para as avenidas para atender o pedido de Valdomiro. “A ordem dada pelo prefeito é priorizar a limpeza das avenidas nos dois próximos dias”, afirmou Pauléra. “Já mandei o encarregado parar os outros serviços, conforme determinou o prefeito”, disse. Além da limpeza, os trabalhadores vão consertar pequenos estragos, como postes que estão caindo, bocas de lobo entupidas e galerias quebradas.

O início das obras de recuperação das avenidas ocorre no período em que a Prefeitura finaliza as licitações para nove obras consideradas emergenciais pela Secretaria de Obras. Essas intervenções são orçadas em cerca de R$ 7 milhões. O Executivo conseguiu junto ao governo do Estado R$ 3,5 milhões. Empresas serão convidas por meio de carta convite para a execução das obras.

Ontem, o procurador-geral do município, Luiz Tavolaro, participou de encontro com o promotor de Justiça Sérgio Clementino com o objetivo de apresentar os projetos de reconstrução do município feitos pela Secretaria de Obras. O promotor instaurou inquérito para acompanhar as medidas adotadas pela Prefeitura para a reconstrução do município.

No pacote de obras emergenciais, o secretário de Obras, Luiz Carlos Calças citou por exemplo a recuperação dos canteiros centrais das avenidas Alberto Andaló e Bady Bassitt, o cruzamento da rua Abraão Thomé com a avenida José Munia e a recuperação da avenida Juscelino Kubitschek.

Sérgio Menezes
Irritado, Valdomiro cobrou agilidade na limpeza de avenidas
Prefeito grita e dá socos na mesa em reunião

Ontem, durante a reunião na sala do procurador-geral do município, Luiz Tavolaro, o prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB), demonstrou nervosismo e extrema irritação com a demora no início das obras de recuperação da cidade. Principalmente em relação às avenidas Alberto Andaló e Bady Bassit, que continuam com aspecto de destruição, com erosões e buracos por todos os lados.

A reportagem flagrou socos na mesa e berros de Valdomiro, que pediu agilidade ao secretários de Serviços Gerais, Paulo Pauléra, e de Obras, Luís Carlos Calças, no início das obras. “Tem de mandar esse cara embora...”, gritou o prefeito, que ao saber da presença do Diário na antessala tentou se recompor e baixou o tom da voz. O alvo da irritação de Valdomiro não foi revelado por seus assessores. Tavolaro pediu, em seguida, para que a reportagem aguardasse no corredor do oitavo andar do prédio.

Na avaliação de assessores, o prefeito ainda não conseguiu dar “uma resposta rápida” à população da recuperação dos estragos provocados pela chuva há 15 dias. Durante o encontro, o secretário de Serviços Gerais, Paulo Pauléra. disse que houve comparação com a recuperação da cidade pelo ex-prefeito Edinho Araújo (PMDB) durante o período de enchentes.

“Ponderei com o prefeito (Valdomiro) que nada se compara ao período do Edinho com a quantidade de água da última chuva (do dia 18 de janeiro). Foi uma situação muito pior”, afirmou Pauléra. “Só na Bady Bassitt existe uma cratera com 800 metros quadrados”, disse.

“O prefeito estava nervoso. Ele (Valdomiro) está fazendo de tudo para recuperar a cidade o quanto antes”, afirmou Tavolaro. “O prefeito determinou que seja feito tudo o que for possível antes do início das obras emergenciais. Afinal, as duas avenidas são cartões postais da cidade”, disse.

O Diário tentou falar com Valdomiro, mas foi montada uma operação de guerra para evitar que Valdomiro tivesse contato com a imprensa. O prefeito deixou a sala de Tavolaro por uma saída alternativa nos fundos da Procuradoria. “Já fizemos todos os projetos para as obras emergenciais”, disse o secretário de Obras.

Brasília

Nesta semana o prefeito retorna a Brasília para tentar liberar recursos junto ao governo federal. Valdomiro vai levar os projetos com os valores das obras atingidas pela enchente. O prejuízo estimado pela Prefeitura é de R$ 44 milhões. “A intenção é obter recursos a fundo perdido”, afirmou Tavolaro.

União deixa Rio Preto fora de homologação

Rio Preto ficou de fora da relação dos municípios que tiveram os decretos de situação de emergência ou de calamidade púbica homologada pela Secretaria Nacional de Defesa Civil no mês de janeiro. A lista foi divulgado no último final de semana e incluí apenas as cidades de Bofete, Cunha, Guararema e São Luiz do Paraitinga. As últimas portarias foram públicas no diário oficial do dia 28 de janeiro.

O prefeito Valdomiro Lopes (PSB) viajou para Brasília na semana passada, para agilizar o pedido de homologação do estado de emergência de Rio Preto foi encaminhado ao Ministério da Integração, que comanda a Defesa Civil Nacional. No entanto, até o fechamento da relação dos municípios com decretos homologados, a Prefeitura de Rio Preto não havia encaminhado ao ministério o plano de trabalho para a recuperação da cidade.

Os municípios de Bofete e Guararema afetados por enxurradas e deslizamentos tiveram os decretos de situação de emergência homologados. Já em Cunha e São Luiz do Paraitinga, que também sofreram com deslizamentos e enxurradas provocadas pela chuva, tiveram homologados os decretos de estado de calamidade pública, já que nesses dois últimos houve registro de pessoas desabrigadas.

Com a homologação dos estados de emergência e de calamidade pública, as prefeituras podem receber recursos especiais dos governos estaduais e federais, além de assinar contratos emergenciais, com dispensa de licitação, para as obras de recuperação. O Estado anunciou a liberação de R$ 3,5 milhões para Rio Preto.

De acordo com Valdomiro, os estragos provocados pela chuva que caiu sobre a cidade no dia 18 de janeiro geraram prejuízos de R$ 44 milhões. A Prefeitura dará prioridade para a recuperação de três pontes destruídas, cujas obras consumirão aproximadamente R$ 6 milhões.

 
     
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