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Intimidação
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São José do Rio Preto, 26 de Dezembro, 2009 - 0:08
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Grupo da Câmara tenta censura contra membro da CNBB
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Edvaldo Santos
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Marco Matheus já entregou à CNBB documento assinado por Menezes, Marcos Minuci, José Alberto Juliano, Venâncio de Melo e Olívia Lobo
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Integrante da comissão Fé e Política da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Marco Matheus foi ameaçado de ação por grupo ligado ao presidente da Câmara de Rio Preto, Jorge Menezes (DEM), por ter criticado tentativa de censura contra o Diário da Região. O grupo - formado por Menezes, pelo diretor jurídico da Casa, Marcos Minuci, pelo assessor jurídico, José Alberto Juliano, pela cerimonialista Olívia Lobo, e pelo assessor de imprensa Venâncio de Melo - notificou judicialmente Marco Matheus para pedir explicações sobre suas declarações em reportagem publicada no último dia 20.
O documento assinado pelo grupo concede prazo de cinco dias para que Matheus explique a que se referiu ao dizer as seguintes frases: “No caso específico, as ações contra o jornal demonstram despreparo ou mal assessoramento”; “Ninguém gosta que outras pessoas fiquem olhando o resultado do seu trabalho, porque sempre acaba escapando uma informação de malfeitoria” e “O homem público deve estar preparado para receber críticas, principalmente quando ele está deixando a desejar”.
As declarações foram dadas por Matheus em reportagem sobre pacote de seis ações que o mesmo grupo move contra o Diário na tentativa de censurar reportagens, notas publicadas em blogs e até paródia disponível no portal Diarioweb. “Não havendo a resposta, ou se estas não forem satisfatórias, será requerido junto ao Ministério Público, a instauração de inquérito policial por tratar-se de ação pública condicionada a representação, sem prejuízos de proposituras de ações civis de reparação de danos”, consta em trecho do documento assinado pelo presidente da Câmara e os quatro servidores.
Marco Matheus considera a situação como “um patrulhamento pesado”. O integrante da Pastoral Fé e Política, que foi pego de surpresa pelos funcionários da Câmara, encaminhou a notificação para os advogados da CNBB na última quinta-feira, logo após receber o documento. “Essa é uma situação que irá chegar à presidência da CNBB. Vou verificar com os advogados para saber como proceder”, afirmou. “Vou encaminhar cópia para a comissão Fé e Política do Estado”, disse.
De acordo com o representante da entidade em Rio Preto, não foi feito por ele nenhum ataque pessoal que justificasse a interpelação, mesmo que extrajudicial. “Para mim trata-se de uma tentativa de intimidação”, afirmou. “Todo agente público deve aceitar as críticas. Nunca vão receber apenas elogios”, afirmou.
Na notificação encaminhada a Matheus, Menezes e os funcionários da Casa incluíram até declaração feita pelo coordenador de projetos da Organização Não Governamental (ONG) Transparência Brasil, Fabiano Angélico, que classificou como “lamentável” a tentativa de censurar o jornal por meio das ações judiciais.
Menezes não quis comentar o assunto, ontem. Por intermédio do diretor de Comunicação, o presidente afirmou que o caso é uma questão pessoal. “Ele (Menezes) não irá se manifestar por ser um assunto particular”, disse Lofrano, que não soube dizer de quem foi a ideia de notificar o representante da comissão Fé e Política. Dos quatro funcionários da Câmara, apenas a cerimonialista não ocupa cargo em comissão - de livre nomeação e exoneração da presidência da Casa.
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