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São José do Rio Preto, 2 de Setembro, 2010 - 1:45
‘Não faço questão de ser eleito’, diz Moacyr

Rodrigo Lima

Lézio Júnior/ Editoria de arte
O cantor, humorista e compositor Moacyr Franco, candidato a senador pelo PSL, tem uma única missão na campanha eleitoral deste ano: levar mensagem ligada ao meio ambiente e a importância da vida. Melancólico na propaganda de televisão, o artista admitiu que não tem nenhuma pretensão de se eleger, diz que não faz a “menor ideia” da função de um senador da República e só resolveu se candidatar para ocupar espaço na televisão.

Sem nenhum constrangimento, Moacyr disse em entrevista ao Diário que não faz nem questão de ser eleito no próximo dia 3 de outubro e que só aceitou o convite para ser candidato por “conveniência” e para poder apresentar o programa do partido. Moacyr Franco reconhece não ter nenhum compromisso com o seu partido e que só aceitou se filiar e disputar a eleição porque senão não poderia ser o âncora do programa do PSL na TV.

“Aceitei na hora porque era conveniente para mim como artista”, afirmou Moacyr, que já foi deputado federal em 1982 pelo PTB e disse que essa foi a sua pior experiência de vida. “Não faço questão de ser eleito. Se for eleito vou oferecer meu cargo de senador aos professores de ciência e tecnologia, desesperados sem canal para falar todas as noites na madrugada.” Leia os principais trechos da entrevista de Moacyr Franco, que interpreta a personagem Jeca Gay no programa “A Praça é Nossa.”

Diário da Região - Por que o eleitor do Estado de São Paulo deve votar no senhor para o Senado Federal?
Moacyr Franco - Não tenho a menor ideia. Quero explicar porque virei candidato a senador. O PSL me convidou para ser o âncora da campanha dele. Aceitei na hora porque era conveniente para mim como artista. A lei não permitia mais, e tinha de ser candidato a alguma coisa. Como já fui deputado federal e foi uma péssima experiência, foi seguramente a pior coisa que aconteceu na minha vida, eu precisava de espaço para justificar o que estava fazendo. Passar uma mensagem útil de alguma forma. Para ser candidato a deputado estadual ou federal o tempo é exíguo, quase nada. Então eles me acenaram com esse negócio de senador porque teria 40 segundos. Pedi um prazo e fui aos meus amigos da mídia e expliquei que iria fazer esse trabalho. Mas não tinha pretensão de ser senador e me eleger. Não queria usar o meu prestígio de artista para galgar um cargo desse. Todos os meus colegas me apoiaram. A minha mensagem eu digo que respeito muito o meu País e o Congresso Nacional. Portanto, não faço a menor questão de ser senador. Não quero que você me eleja, mas quero que você me escute. Aí pergunto ao espectador o que você fez com o mundo que o seu neto vai viver.

Diário - Qual é então o objetivo da sua candidatura?
Moacyr - Esse de tentar fazer as pessoas se despertarem que o mundo está acabando e ninguém está percebendo. É mais importante levar isso do que se eleger senador.

Diário - Mas na sua propaganda eleitoral a sua candidatura me pareceu ser séria?
Moacyr - É séria. É seríssima. Não considero nada mais sério do que isso.

Diário - Mas o senhor não tem nenhuma pretensão de se eleger?
Moacyr - Não faço questão de ser eleito. Se for eleito vou oferecer meu cargo de senador aos professores de ciência e tecnologia, desesperados sem canal para falar todas as noites na madrugada. É isso que eu faria

Diário - Seria um mandato popular. O senhor seria figurante?
Moacyr - Em princípio seria isso depois de um ano eu teria de aprender as outras coisas e seria político. Em princípio queria ser o porta-voz desse mundo novo. Desse apelo da Terra e da vida.

Diário - O PSL defende que a democracia não deve ser “mero jogo de aparência”? O que o partido e o senhor classificam como “mero jogo de aparências”?
Moacyr - PSL tem um programa que li e pedi a eles que só aceitaria se pudesse mudar o programa. Para ser um partido “verde.” Eles concordaram e, mesmo que não me eleja, pretendo criar para esse partido um negócio jovem. Por eu ter gravado com a Rita Lee aquela (letra) “Tudo vira bosta”, fui convidado para fazer avaliação de comunicação no fim do ano. E acabou sendo muito rico para mim isso aí. Tenho feito palestras, o Flávio Prado me chamou, a Casper Líbero. Mesmo que não aconteça nada, não queria me desvincular. Tenho impressão através dessa gente quero orientar um partido para esse lado.

Diário - Qual é a orientação que o senhor dá para o eleitor? Votar no senhor ou não?
Moacyr - A orientação é a mesma que falo na minha chamada. Eu não quero que me eleja, eu quero que me escute. O resto é com ele. Se achar que deve jogar o voto em mim... Acabei de gravar uma nova mensagem (na semana passada): “Você vai me dar o seu voto? Era só o que faltava.”

Diário - Há na disputa eleitoral outros artistas. O senhor não acha que a sua postura possa levar o eleitor a achar que essas candidaturas também não são sérias? Isso não pode ser negativo à classe artística?
Moacyr - Não tenho ideia não. Não pensei e não quero pensar nisso. Eu preciso cuidar desses 10% de vida que tenho pela frente e quero deixar como legado para os meus filhos e netos. Quero que os meus filhos tenham orgulho das atitudes que tomei em toda vida, mas principalmente nesses últimos 10%.

Diário - Como o senhor avalia candidaturas como a do Tiririca?
Moacyr - Não avalio.

Diário - Em 1982, o senhor foi eleito deputado federal pelo PTB. O senhor ficou envergonhado com o envolvimento do seu ex-partido no escândalo do mensalão?
Moacyr - Acabei de dizer que foi a pior coisa que aconteceu na minha. Não tem nada a ver com mensalão, era outra época. Achava que deputado federal era para legislar, mas era uma época de plenário e discussão. Eu ficava no meu gabinete atendendo gente do Brasil inteiro. Tinha até um tapete que fez até um buraco por conta da fila no meu gabinete. Aquelas bolsas que era ridículas na época, não sei hoje, que eu cedia para colegas do Maranhão e Piauí. Foi coisa horrível para mim e ruim para a minha saúde. Nunca mais tive emprego na televisão ou gravadora. Foi tudo negativo. Foi péssimo.

Diário - Por pertencer à classe artística, o senhor acha que essa estratégia de levar essa mensagem para futuras gerações vai levá-lo a sério?
Moacyr - Tenho feito bastante shows. Faço em média 8 shows por mês. No começo era no teatro, o show tem se estendido às praças pública. Tenho feito palestras para mulheres e tem sido interessante onde dou meu testemunho de vida. Acho sim que o meu show tem sido muito útil em amplo aspecto, tanto para recuperar a música do nosso tempo. Estou me referindo a pessoas com mais de 50 anos, nós 40 milhões, que não temos onde tocar essa música na televisão. O meu show serve para isso.

Diário - Em suas primeiras aparições na propaganda de televisão, o senhor apresentou-se melancólico, diferente do estilo que o senhor empresta a personagem de programas de humor. O senhor tenta desvincular o candidato do humorista?
Moacyr - É verdade. Não pensei nisso não. Achei melancólico. Eu sou exatamente o que sou. Não tive e não tenho segunda intenção ou algo subliminar. Sou sincero. O que você assistiu é como sou. Não estarei mais melancólico.

Diário - O senhor pretende nos próximos programas mudar o estilo? Usar quem sabe o personagem “Jeca Gay” que o senhor interpreta no humorístico “A Praça é Nossa”.
Moacyr - Não vou estar mais melancólico. Acho que a mensagem pode estar melhor se eu estar mais alegre. O “Jeca Gay” seria maravilhoso se eu tivesse intenções eleitoreiras. Seria fantástico. “E é verdade. é sim senhor, o Moacyr Franco é o meu senador.” Mas não vou usar isso não.

Diário - Pela familiaridade com a TV, o candidato artista leva alguma vantagem sobre os demais na hora de se apresentar ao eleitor? O eleitor dá mais atenção a sua mensagem?
Moacyr - Não sei. Estão cortando o meu tempo. Essa semana não fui para o ar. Não adianta fazer uma mensagem maravilhosa e ficar na gaveta.

Diário - O senhor acha que não houve a repercussão que o partido esperava?
Moacyr - Não sei. Não tenho ideia.

Diário - Qual é a avaliação do partido?
Moacyr - Não sei. Não tenho ideia. Não falo com o partido e com a coligação. Meu partido é a parte menor da coligação.

Diário - O senhor está fazendo campanha para candidatos do PSL?
Moacyr - Um é o Roberto Siqueira e o outro é de Ribeirão Preto. Esse vai para o ar toda hora. O meu institucional não está aparecendo. Não tem muita importância. Estou reclamando porque não gosto de injustiça. Mas isso não muda muito no final das contas.

Diário - O partido prega ainda o “afastamento do Estado” da condição de “grande pai”, que cuida do povo. O senhor acredita que isso desperta a responsabilidade social nas pessoas?
Moacyr - Não escrevi isso aí não. Se eles querem que eu permaneça no partido. Quero discutir isso com gente grande e moderna. Não sei de nada. Vou estudar isso. A história toda é essa toda que te contei.

Diário - Qual é a avaliação do senhor do trabalho dos atuais senadores de São Paulo?
Moacyr - Acho o Senado de uma forma geral antigo. Acho pouco arejado. Acho que o uso do Senado na televisão poderia ser mais ágil e moderno. Acho que se discute muito o que está na pauta e escapa alguns discursos importantes, mas sempre nas coisas já rolando. O papo do Senado é chato. A televisão é chato.

Diário - E o que o senhor proporia para mudar?
Moacyr - Proporia escutar os mesmos professores que eu escutarei.

Diário - Como cidades do interior, como Rio Preto, podem se beneficiar do mandato de senador?
Moacyr - Não sei meu filho. Se eu fosse senador eu te diria. Vou levar ao menos um ano para entender como funciona a isso e como é a atuação do senador. Não sei como será a postura da presidenta e a atenção que vai ter o Senado. Não tenho ideia.

Diário - O senhor acredita que um dia os fãs do senhor vão perdoá-lo por ter se filiado a um partido, fazer campanha ao Senado e ela não ser para valer só para levar uma mensagem?
Moacyr - Nunca vou saber porque não estou na mídia. Não tem problema nenhum.





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