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São José do Rio Preto, 1 de Setembro, 2010 - 1:47
Ex-ministra, Marta defende verba para festas

Jocelito Paganelli

Lézio Júnior/ Editoria de arte
Ex-ministra do Turismo e agora candidata ao Senado, Marta Suplicy (PT) defendeu o uso de dinheiro público para o financiamento de festas, como as de peão de boiadeiro, construção de portais e pagamento de show artísticos. Foi na gestão de Marta à frente do Ministério do Turismo (2007 e 2008), que explodiu o montante destinado às emendas parlamentares para o apoio de festas e eventos de R$ 1,4 bilhão para R$ 2,2 bilhões.

Explosão que levou o próprio governo a colocar limites na liberação de verbas de emendas parlamentares para o custeio de festas e shows. Para Marta, as festas de peão são “muito importantes” para as cidades do interior paulista. De acordo com a candidata, esses eventos têm “um carimbo cultural.”

Líder nas pesquisas de intenção de votos para o Senado no Estado de São Paulo, Marta disse que já superou os episódios constrangedores que protagonizou, como o que usou o ditado “relaxa e goza”, para recomendar calma aos passageiros que enfrentavam dificuldades para embarcar em aeroportos do País, em 2007, e no ano seguinte, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, quando sua propaganda eleitoral fez insinuações sobre a sexualidade de Gilberto Kassab (DEM).

Não explicou, porém, porque se apresenta como “a primeira senadora por São Paulo”, se for eleita. Marta omitiu na televisão que outras duas mulheres ocuparam o cargo: Eva Blay e Dulce Salles, esta última rio-pretense.

Como inovação, Marta prometeu que se for eleita senadora pretende instalar na capital e também em cidades do interior gabinetes com assessores treinados para ensinar prefeitos de pequenos municípios a obter recursos financeiros que o governo federal coloca à disposição das prefeituras anualmente. Ela quer “poupar” os prefeitos de viajar até Brasília. Acompanhe a seguir a entrevista que a candidata ao Senado pelo PT, Marta Suplicy, concedeu ao Diário, por telefone.

Diário da Região - Porque o eleitor do Estado de São Paulo deve votar na senhora para o Senado Federal?
Marta Suplicy - Sou uma pessoa que tem experiência, bagagem política acumulada, ações concretas realizadas e com personalidade, determinação e garra para fazer os embates necessários, no caso, os interesses do Estado de São Paulo. A experiência ajuda muitíssimo. Você ter sido deputada federal, prefeita da maior cidade da América Latina e ter sido ministra (do Turismo) do Lula é uma experiência que qualifica muito para o exercício do Senado. Te dá uma bagagem tendo está em diferentes pontas de administração e de legislativo. Então, acredito que isso ajuda muito, além do jeito de ser, já que sou uma pessoa que não tem medo de enfrentamento e que vai lutar pelo que acredita. Isso no Senado é fundamental, para poder fazer as disputas que são bastante grandes. O Senado é fórum privilegiado do Congresso Nacional e as grandes batalhas vão se dar lá, pela reforma política, reforma tributária e reforma previdenciária. Então, para tudo isso temos que ter gente que vá se dedicar, que vai estudar esses temas em profundidade e que vai lutar pelos interesses do nosso Estado.

Diário - Como cidades do interior, como Rio Preto, podem se beneficiar do mandato de um senador?
Marta - De várias formas. Acredito que podem se beneficiar por investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e aí o senador tem condições de ter força política para incluir as cidades. Podem se beneficiar por verbas do orçamento nacional, por exemplo, a diferença de verbas do governo Fernando Henrique (Cardoso) para o Estado e para a própria Rio Preto foi por volta de R$ 130 milhões e no governo Lula por volta de 700 e pouco. Depois eu vejo isso e te ligo para falar exatamente quanto foi. Isso tem muito a ver também com a força política de quem está lá batalhando. Eu tenho tido uma experiência com cidades pequenas, que não é o caso de Rio Preto, que vou acoplar com a experiência de ter um escritório em São Paulo, que ajude as cidades a terem um auxílio em relação aos convênios existentes e que elas não têm infra-estrutura para buscar. Na semana passada, estive em Avaré. Nós reunimos 30 prefeitos de cidade que variavam de 8 mil habitantes a 30 mil, 40 mil e que são cidades que não tem os recursos para o prefeitos ir até Brasília e nenhuma infra-estrutura de técnicos que possam montar projetos. E esse tipo de assistência eu quero fazer para cidades médias e também para as pequenas e acredito que a gente possa ter um escritório ou dois até mais, mas isso eu não sei ainda, porque eu não sei qual a verba que o senador vai dispor para ter escritórios regionais, mas eventualmente até alguma de escritório no interior ou duas regiões do interior. Aí tem que ver como é a disponibilidade que o senador tem. Mas um escritório na Capital tenho certeza que a gente pode ter. Já poupa (os prefeitos) de irem até Brasília. E um corpo de pessoas no escritório que saiba executar projetos. Isso vem muito da minha experiência como ministra, que o nordeste, os estados, não conseguia ter projetos para gente liberar verbas do Prodetur, que é um empréstimo de R$ 1 bilhão do BID. E nós fizemos umas equipes que iam por Estado e voltavam quando o projeto estivesse de acordo para ser aprovado. Esse tipo de assistência e de serviço que um senador pode fazer por um Estado eu pretendo executar também.

Diário - Se a candidata Dilma Rousseff (PT) for eleita e a senhora também, a senhora aceitaria um eventual convite para ser ministra novamente?
Marta - Olha eu estou encantada com o enorme desafio de ser senadora. O governo Lula padeceu por não ter senadores em número suficientes. Eu acredito que a Dilma vai saber usar muito bem os senadores novos que estão eleitos e uma senadora por São Paulo, que vai ter muito peso. Então, eu não vou colocar carroça na frente dos bois. Eu posso dizer do que compete a mim. Há uma vontade muito grande de ser uma senadora que faça a diferença. Eu sempre fiz a diferença, seja como prefeita, como ministra do Turismo, criando aquele programa Viaja Mais Melhor Idade em um ano. Liberei esse dinheiro do Prodetur para o Nordeste inteiro fazer obra. Eu quero fazer a diferença e dar a minha contribuição em um cargo que eu nunca exerci.

Diário - Durante sua gestão, o Ministério do Turismo destinou grande volume de recursos às Prefeituras para o financiamento de festas de peão. Esses eventos em cidades do Interior são o grande filão do turismo?
Marta - O Ministério do Turismo é interessante, porque ele libera verba desde para fazer asfalto até portal e festa de peão (risos). Ele é um ministério muito amplo, porque se você investir no turismo você investe na festa, mas não adianta se você não tem uma estrada que te leve. Então, o Ministério investiu em muitas áreas. Eu posso até tentar ver o projeto, porque ontem (domingo) eu fui na festa de Barretos e o deputado Vadão (Gomes) veio conversar comigo e disse: ‘Marta você é a pessoa que mais ajudou o rodeio no nesse Estado. Você tem noção disso?’ Eu falei: ‘Eu lembro que você pediu para aprovar uma série de...’, não me lembro se foram leis ou regras ou recursos e eu não lembrava bem. Eu vou ver o que foi aprovado e peço para a assessoria entrar em contato com você, para contar isso (risos). Festa de peão eu acho que é uma marca hoje do Interior paulista. Eu acho sim, voltando à sua pergunta, muito importante, porque faz parte da cultura. É uma festa que tem um carimbo cultural.

Diário - A senhora foi grande incentivadora da cota para mulheres nas disputas eleitorais. Como a senhora avalia o baixo número de mulheres nas eleições de 2010?
Marta - Vou responder essa, depois mais uma ou duas e acabou, porque o tempo está muito restrito. Eu acredito que a lei das cotas foi muito importante para conscien-tização dos partidos políticos e para permitir maior número de mulheres no cargo de vereadoras, porque até então as mulheres faziam a campanha toda na comunidade por luz, asfalto e chegava na hora de ver quem era o candidato ia o homem da comunidade. Nesse patamar de vereadoras fez diferença e a mulher conseguiu ter a legenda. Nos outros cargos não adiantou, porque a lei inclusive para sua aprovação acabou sendo aguada no Senado, sem punição para os partidos que não preenchesse as cotas. Os partidos não preencheram as cotas, não tiveram punição nenhuma e nós não conseguimos dar um salto e ao contrário de países, como a Argentina, onde a lei foi aprovada de uma forma mais adequada e que eles têm hoje 38% de mulheres (no Legislativo) e nós temos menos de 9%.

Diário - Em 2004, na disputa pela reeleição à Prefeitura de São Paulo a senhora, mesmo derrotada, teve uma expressiva votação na periferia. Existe preconceito das classes média e alta em relação ao nome da senhora?
Marta - Eu diria que sofri um preconceito muito grande, muito incentivado pela mídia, na prefeitura (de São Paulo). Eu considero isso muito dissipado hoje. Inclusive as pesquisas tem mostrado a distribuição do voto em todas as classes sociais. Agora, a periferia é onde eu trabalho mais, onde sempre me empenhei e no Senado vou me empenhar pelas pessoas que mais precisam e pelas regiões do meu Estado que tem menos, as regiões que precisam de mais incentivo. Acredito que o interior do Estado de São Paulo ele é muito abandonado em termos de planejamento estratégico, em termos de investimento de força realmente para regiões que poderiam avançar e ter economia mais forte.

Diário - Os episódios do “relaxa e goza” e das insinuações sobre a opção sexual do prefeito Gilberto Kassab (DEM) já foram superados ou afetam a candidatura da senhora?
Marta - O do Gilberto Kassab eu não tive nenhuma responsabilidade por aquilo. Eu não sabia e fiquei mal quando vi o que fizeram sem a minha anuência. Em relação ao “relaxa e goza” é uma frase infeliz, que foi falada num contexto que foi descontextualizado, mas de qualquer jeito não deveria ter sido falada e que significava a viagem, porque a viagem vai sempre valer a pena. Acho que foi totalmente superado. Não escutei isso na campanha em nenhum momento e você é a primeira pessoa que está me perguntando.

Diário - Nos primeiro programas de TV a senhora afirmou que seria a primeira Senadora por São Paulo, a senhora sabia que o Estado já teve outras mulher senadoras?
Marta - Eu não considero que elas foram eleitas no sentido de ser cabeças de chapa e isso continuo reafirmando. A Dulce eu conheci e foi uma pessoa admirável. A Eva Blay também foi senadora. Mas elas eram suplentes e não tiveram voto. Então, considero que o que estou afirmando, a primeira senadora eleita por São Paulo procede. Vou ser, se for eleita, a primeira senadora cabeça de chapa. Numa campanha política você não trabalho todas essa nuances, mas isso é absolutamente diferente, você ter o voto dado na cabeça de chapa ou você ser suplente, sem tirar o trabalho digno das duas e a admiração pessoal que tenho tanto por uma quanto pela outra. Agora, isso não significa que elas foram alçadas pelo voto popular, mas elas foram suplentes de duas pessoas que foram votadas e que não puderam cumprir o mandato.


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