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São José do Rio Preto, 31 de Agosto, 2010 - 1:50
Quatro são presos por fraude em megaoperação

Allan de Abreu e José Luiz Lançoni

Guilherme Baffi
Policiais civis durante cerco à Prefeitura de Monte Aprazível; prefeito na mira das investigações
Uma megaoperação do Gaeco, grupo do Ministério Público que investiga o crime organizado, e da Polícia Civil prendeu quatro pessoas ontem acusadas de envolvimento em esquema de fraude em licitações na Prefeitura de Monte Aprazível.

Entre os presos em Monte está o chefe de gabinete da prefeitura, Nelson Antonio Avelar, o motorista do prefeito Wanderley Sant’Anna (PTB), João Rodrigues da Silva Júnior, e o engenheiro da Secretaria de Obras do município Edson Maurício Senhorini. Em Rio Preto, foi preso o empresário e ex-policial militar Walter Nicoletti Júnior.

Segundo o promotor do Gaeco João Santa Terra Júnior, que comandou a operação, licitações na modalidade carta-convite (até R$ 8 mil) eram fraudadas para beneficiar determinadas empresas. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em casas e firmas de Monte Aprazível, Tanabi e Rio Preto.

Os promotores e policiais disseram não ter ainda estimativa do valor desviado dos cofres públicos, nem o número de certames investigados. “Só com a perícia é que saberemos esse montante”, disse o delegado seccional de Rio Preto, Jozeli Donizeti Curti, que acompanhou a operação.

De acordo com o promotor Santa Terra, o prefeito Sant’Anna é um dos investigados, embora, segundo ele, não haja até agora indícios de participação dele no esquema. “Pela análise dos documentos vamos verificar se há ou não a participação do prefeito”, disse.

Participaram da operação dez promotores e 65 policiais civis da região, incluindo o Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra) e o Grupo de Operações Especiais (GOE). No início da manhã, a rua de acesso à prefeitura foi bloqueada por policiais fortemente armados. O prédio da prefeitura ficou fechado o dia todo, enquanto os promotores, técnicos da Polícia Científica e da Secretaria de Estado da Fazenda vasculhavam documentos e computadores da administração pública - o Diário apurou que o computador do gabinete de Sant’Anna também foi alvo da operação e teve o HD copiado.

Enquanto isso, do lado de fora, uma multidão de mais de cem pessoas acompanhava a movimentação. “Nunca vi algo assim em Monte”, disse o comerciante Zulmiro Donizete Fernandes. Por volta das 15 horas, um carro da polícia levou pilhas de documentos para o Fórum da cidade. Não foi necessário levar os computadores - um programa desenvolvido pela Fazenda estadual permite copiar todo o conteúdo das máquinas sem alterá-lo.

Peritos da Polícia Científica permaneciam no prédio da prefeitura até as 18 horas de ontem. Segundo Santa Terra, entre as licitações investigadas está a que resultou na compra de dois semáforos, que custaram R$ 69,5 mil, enquanto o preço real seria de R$ 14,7 mil. O caso já é alvo de dois inquéritos, civil e criminal.

O Gaeco vinha investigando o esquema há três meses, de acordo com Santa Terra. As prisões, decretadas pelo juiz da 2ª Vara de Monte Aprazível, Leonardo Grecco, são temporárias, válidas por cinco dias. Todos os quatro detidos estão na carceragem da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto.

Um dos advogados dos presos de Monte Aprazível, que se identificou apenas como Fabrício, não quis comentar o assunto ontem na DIG. O advogado de Nicoletti Júnior não foi localizado. O prefeito disse estar “tranquilo” em relação às investigações (leia mais ao lado).

Testemunhas

Após as apreensões de documentos e cumprimentos dos mandados de prisão, os promotores começaram a ouvir funcionários da prefeitura no salão de júri do Fórum, a portas fechadas. “Ao longo da semana, devemos ouvir cerca de 40 servidores da prefeitura, que são testemunhas no inquérito”, disse Santa Terra.

Guilherme Baffi
Senhorini, secretário de Obras (atrás), conduzido para depoimento
Gaeco prendeu 15 em Bebedouro

A operação de ontem em Monte Aprazível, que não teve nome, é semelhante à Cartas Marcadas, que em maio deste ano fez uma devassa na Prefeitura de Bebedouro. No total, 15 pessoas foram presas, entre funcionários da prefeitura e empresários acusados de participar de esquema que envolvia o direcionamento de licitações. Entre os detidos estavam o responsável do setor de licitações, o secretário de Planejamento e o chefe de gabinete.

De acordo com o promotor do Gaeco de Ribeirão Preto Leonardo Leonel Romanelli, seis empresas se revezavam nas licitações da prefeitura. Duas CPIs foram abertas na Câmara para investigar o caso. Segundo o promotor Paulo Neuber, embora haja semelhanças nas investigações, não há relação entre as duas operações.

Prefeito nega envolvimento

O prefeito de Monte Aprazível Wanderley Sant’Anna (PTB) negou envolvimento e disse que desconhecia as irregularidades investigadas pelo Ministério Público.“Estou decepcionado e vou colaborar com a investigação”, disse o prefeito, aturdido com a empolgação das pessoas que aplaudiam a saída dos presos.

Sant’Anna disse “confiar” em seus assessores e não suspeitar de atos criminosos. “Nunca percebi nada de irregular e assinava as ordens de serviço após as licitações”, afirmou o prefeito. Ele disse, por meio de sua assessoria, que por enquanto os funcionários presos não serão exonerados.


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