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Entrevista
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São José do Rio Preto, 26 de Agosto, 2010 - 1:47
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Confusão com xará é aliada de Ciro Moura
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Lézio Júnior/ Editoria de arte
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O empresário Ciro Tiziani Moura, 64 anos, candidato ao Senado pelo nanico PTC, vive o auge de uma longa e frustrada carreira política. Depois de se candidatar em sete eleições nos últimos 20 anos - e perder todas - aparece em quinto lugar entre os 16 concorrentes a uma vaga no Senado Federal. Segundo a última pesquisa Datafolha, Ciro tem 15% das intenções de voto no Estado.
A explicação para o sucesso surpreendente, segundo o próprio instituto, pode estar no nome que o empresário escolheu para as urnas - para o eleitor, tornou-se apenas Ciro, sem o sobrenome. Como o nome de urna é aquele utilizado pelos institutos de pesquisa, a confusão com o outro Ciro, o Gomes, deputado federal que concorreu duas vezes à Presidência da República, está instalada. O candidato nega a hipótese, e garante atingir patamar tão alto nas pesquisas porque, diz, representa a vontade do paulista de “renovar” o Senado. “Não caí de paraquedas”. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
Diário da Região - Como cidades do interior do Estado, como Rio Preto, podem se beneficiar do mandato de um senador?
Ciro Moura - O mandato do senador tem um ritual prescrito pela Constituição, que começa com a defesa dos direitos constitucionais. Os senadores são representantes do Estado, e os deputados, representantes do povo do Estado. O papel de um senador é ter novas ideias para resolver os problemas do seu Estado, que demandam recursos. São Paulo tem hoje Orçamento de R$ 120 bilhões, e contribui com R$ 200 bilhões para a União. E o Estado, através dos seus senadores, não tem conseguido trazer mais do que 10% desse valor de volta para São Paulo, enquanto outros Estados conseguem levar de volta até 60% daquilo que encaminham à União. São recursos que são revertidos em benefício de toda a população de nosso Estado, incluindo o interior.
Diário - Quais suas principais bandeiras como candidato?
Ciro - Queremos chegar lá para fazer a diferença. Em quê? Em ideias, para um novo modelo de administração pública. Queremos uma Assembleia Constituinte exclusiva com uma quarentena - quem participar da assembleia não poderá ser candidato a nada pelos quatro anos seguintes, para ninguém usar (a Constituinte) como palanque. Nós precisamos de uma assembleia para fazer a reforma tributária, e esclarecer outras dúvidas (da Constituição). Nessa constituinte, vamos propor que só haja uma reeleição para todos os níveis, todos os cargos eletivos. Hoje temos só para cargos majoritários. Em compensação, você acaba tendo no Legislativo eleições vitalícias, ad eternum. E infelizmente o homem público vai perdendo a sensibilidade, se distancia da população e das suas necessidades. Então precisa voltar para a Terra. Também defendo um federalismo descentralizado, que, como o nome diz, descentralizaria administrativa e politicamente o poder. Porque ninguém sabe melhor as necessidades para Rio Preto do que os que moram em Rio Preto. Precisa ter poder político para administrar bem essas necessidade. E tem um ponto que eu acho o mais importante na vida de qualquer pessoa que é a saúde. E hoje temos um caos na saúde pública. Pela propaganda eleitoral na TV, parece que você está em outro Estado. Está tudo lindo. Mas não é verdade. Quando candidato a prefeito de São Paulo em 2008, propus o Plus Saúde. Seria um cartão distribuído a todos os cidadãos para atendimento no setor público e no privado credenciado, e o governo paga a conta. Eu posso lhe assegurar que o cidadão será muito melhor tratado. Para consulta por plano de saúde, que atende bem, os médicos recebem no máximo R$ 30, enquanto uma consulta horrorosa na rede pública custa para o Estado R$ 80. O pessoal gosta muito de desqualificar, dizendo que é a privatização da saúde. O que não pode é ficar 80 dias, até um ano, à espera de uma consulta ou um exame.
Diário - Qual a sua avaliação da atuação dos atuais senadores por São Paulo?
Ciro - Infelizmente, sem especificar, não aparece nada. Não há ideias novas. Nós temos o senador Suplicy com o projeto Renda Mínima, e só. O mais é rotina. Há quanto tempo os atuais senadores estão lá? Isso começa a validar a minha tese de que vão perdendo a sensibilidade. O senador Suplicy está lá desde 1990, o Tuma, há pelo menos 16 anos. Diante da falta de novas ideias, está chegando a hora de renovar. O paulista vai usar o segundo voto para essa renovação, no meu nome.
Diário - É a esse desejo de renovação que o senhor atribui sua boa colocação nas pesquisas?
Ciro - A política é uma guerra suja, já tentaram me desqualificar. Por isso 20% da população do Estado não identifica um candidato. Diante disso, o que eu fiz? Fiz pesquisa qualitativa, e constatei que os votos são meus, pela vontade de renovação e pela rejeição dos que estão aí. E não porque sejam más pessoas. É que, politicamente, seu trabalho não está aprovado. Enquanto isso, nós temos sido favorecidos pela baixa rejeição. Então ou o sujeito não vota em nenhum desses e vota em mim, ou vota em um deles e em mim, já que são dois votos.
Diário - Parte dessa intenção de votos não se deve à confusão com o Ciro Gomes? Usar apenas Ciro na campanha e na urna não foi proposital?
Ciro - O pessoal está preocupadíssimo, porque podem não ir (para o Senado), mas eles se esquecem de um fato notório: eu sou Ciro antes que o outro. É que o Brasil tem memória curta. Em 1990, fui suplente do candidato ao Senado Ferreira Neto, quando acabamos perdendo para o Suplicy, em 1994 fui candidato ao governo estadual, 2000 candidato a prefeito de São Paulo, 2002 novamente candidato a governador, 2004 prefeito, 2006 candidato a deputado federal, quando elegemos o Clodovil, 2008 candidato a prefeito da Capital. Estou no partido há 20 anos. Como se pode dizer que ninguém sabe quem eu sou? É a vontade de desqualificar, porque estão preocupados. Eu não caí de paraquedas. Se perguntarem na rua quem eu sou, se sou Ciro Gomes, digo logo o meu sobrenome.
Diário - O senhor sempre faz questão de frisar essa diferença?
Ciro - Eu não faço questão de nada. Se você me pergunta, eu te respondo. É que o seu nome, curto ou longo, vale pouco na hora de votar. Tanto que, quando você for votar em mim, vai encontrar o meu número 360. Eu sempre tive o direito democrático de concorrer. Eles querem falar mal das pessoas, me chamar de nanico. Eu nunca fui nanico. Tudo o que conquistei foi trabalhando. Vê se alguém teve a coragem de dizer “ele é desonesto, ele não é ficha limpa, ele não é trabalhador”.
Diário - Depois de tantas derrotas nas urnas, essa é a sua maior chance de se eleger?
Ciro - Sem dúvida.
Diário - O partido do senhor é coligado com o PP do deputado Paulo Maluf, cuja candidatura recentemente foi impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral com base na lei Ficha Limpa. O senhor teme que isso de certa forma respingue na imagem do senhor como candidato?
Ciro - Eu não temo nada, de lugar nenhum. Vou seguir a minha vida, e pretendo chegar lá para fazer a diferença. Os outros não me carregam, nem eu carrego os outros. A política hoje é pragmática, tem de unir os partidos para poder disputar eleições. Eu não quero fazer considerações pessoais de ninguém. O Brasil está ficando fofoqueiro demais. Eu só falo o que eu penso, só me sigo pela boa ética, pela boa conduta.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
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