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Entrevista
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São José do Rio Preto, 25 de Agosto, 2010 - 1:47
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Aloysio e o desafio de se tornar conhecido
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Lézio Júnior/ Editoria de arte
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Homem de bastidores com uma extensa ficha de serviços prestados ao PSDB, o candidato ao Senado Aloysio Nunes admitiu que o seu maior desafio para ser eleito em outubro é torna-se “conhecido” do eleitorado. Por isso, recorre ao apoio dos principais caciques tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para tentar ganhar musculatura na disputa de uma das duas vagas. “A campanha para o Senado está muito aberta”, afirmou Aloysio, segundo entrevistado da série iniciada ontem pelo Diário.
Além de FHC, Aloysio já teve apoio declarado dos candidatos à presidência José Serra e a governador Geraldo Alckmin. “Respeito o Fernando Henrique, fui ministro (da Justiça) dele e tenho orgulho disso. Considero Fernando Henrique um dos grandes estadistas da história do Brasil. É um homem muito respeitado no Estado de São Paulo.”
Aloysio disse ainda o Senado passa por uma grave “crise moral.” O tucano acredita na virada de Serra na disputa contra Dilma Rousseff (PT) e na sua própria, já que até agora amarga as últimas posições nas pesquisas, com 5%. Para isso conta com o engajamento dos prefeitos na sua campanha, resultado da sua atuação como secretário da Casa Civil no governo do Estado.
Diário da Região - Como cidades do interior, como Rio Preto, podem se beneficiar de um mandato de senador?
Aloysio Nunes - O mandato do senador envolve múltiplas atribuições. Desde atividades legislativa até a aprovação de financiamentos do Estado e municípios. Além disso, o senador tem função política importante que é a defesa dos interesses do Estado em face da União e outros Estados. A começar por buscar mais investimentos e fiscalizar os serviços públicos. Por exemplo, a BR-153, que foi dada em concessão pelo governo federal, está com o cronograma de obra muito atrasado. É tarefa do senador cobrar a sua execução. Outro exemplo é a nossa ferrovia na qual frequentemente a imprensa de Rio Preto noticia problemas na travessia. É dever do senador trabalhar para que ocorra a fiscalização dos contratos de concessão. Tem uma ação do senador que afeta que é a luta para mais saúde para o nosso Estado, que recebe uma verba federal do SUS que é inferior a de outros Estados. O Estado de São Paulo realiza procedimentos de alta complexidade num número maior do que o proporcional da sua população. Rio Preto é centro de excelência médica, recebe pacientes de todo o Brasil e não tem retribuição para fazer frente às despesas. As Santas Casas só conseguem funcionar porque o governo do Estado as socorrem. O parto normal pelo SUS custa R$ 556, mas o custo real passa de R$ 1 mil. Precisamos de ação do senador para defender o Estado da guerra fiscal. O nosso Estado é vítima e sofremos com a concorrência desleal de Estados vizinhos e nosso senadores ficam com os braços cruzados. Os senadores devem ter atuação mais presente para agilizar financiamentos externos ou do BNDES.
Diário - Qual é a avaliação do senhor do trabalho dos atuais senadores de São Paulo?
Aloysio - Não vou fazer essa avaliação. Quem tem de fazer isso é o eleitor. Acho que o senador não tem de ter atuação partidária. Tem de cuidar do interesse de todos. Acho que há senadores que se preocupam mais com seus partidos. Quais são os senadores de São Paulo que vieram se interessar pelo funcionamento da nossa ferrovia? Que buscaram recursos para a saúde para a nossa região? Não vejo nos nossos senadores uma pegada forte sobre os problemas da vida cotidiana do Estado e das nossas regiões. Os vejo muito distantes disso.
Diário - Como o senhor poderá ser útil ao Senado ?
Aloysio - O senador é legislador. Tenho 20 anos de experiência parlamentar, como deputado estadual e federal. Cinco mandatos ao todo. Durante esse período, a minha votação se concentrou na região de Rio Preto. 80% dos meus votos são da região de Rio Preto. Isso aconteceu não foi por acaso, mas porque fui um deputado extremamente atuante na defesa dos municípios da nossa região. Esse, portanto, é meu modo de atuação. Tenho 65 anos de idade e não vou mudar. Para obter recursos junto ao governo federal e completar os esforços das prefeituras e o Estado nos investimentos e programas sociais é preciso conhecer a administração pública. Sei o caminho das pedras porque já fui ministro, secretário municipal e secretário estadual. Precisa ter boa experiência política para poder transitar no Congresso, onde só tem cobra criada.
Diário - O senhor foi o único a lançar mão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na televisão. Por que o PSDB despreza a imagem e as realizações do ex-presidente?
Aloysio - Eu falo por mim. Não sou porta voz do PSDB. Falo pela minha campanha. Respeito o Fernando Henrique, fui ministro dele e tenho orgulho disso. Considero Fernando Henrique um dos grandes estadistas da história do Brasil. É um homem muito respeitado no Estado de São Paulo. Estou apresentado a minha história e não vou falsificá-la. A minha história é essa. Estou apresentando aos eleitores e ainda sou relativamente pouco conhecido dos eleitores do Estado. A minha vinculação com o Fernando Henrique faz parte da minha história. Você encontrará nos arquivos do Diário da Região uma foto minha no banco da praça com o Fernando Henrique há 30 anos.
Diário - Então não é nenhum ponto negativo a presença do FHC na sua campanha?
Aloysio - Não considero. Pelo contrário, tenho muito orgulho de ser recomendado por ele. Foi um grande presidente e foi senador por São Paulo. Conhece a complexidade do trabalho de senador e o aval dele é muito importante para mim.
Diário - O senhor considera que o PSDB perdeu o discurso de oposição durante o governo Lula?
Aloysio - O PSDB tem um estilo de atuação política com a característica de não fazer o quanto pior é melhor. Seríamos incapazes de fazer como o PT fez com o Fernando Henrique. De lançar uma campanha: “Fora, FHC.” Uma palavra de ordem aprovada por um congresso do partido. Fizemos oposição ao que nos apareceu errado, como o aparelhamento do Estado, a falta de investimentos em infraestrutura, a falta de vigilância nas fronteiras permiáveis ao tráfico de drogas e armas, a paralisia da saúde pública no que depende do governo federal. Os casos de corrupção, o mensalão, os aloprados e sua anistia.
Diário - Esses serão temas da eleição?
Aloysio - O tema mais importante do debate é o futuro. Isso é o que o eleitor espera, ele vota olhando para frente.
Diário - Como é para o senhor romper a barreira de ser desconhecido?
Aloysio - Essa é a minha maior dificuldade. Não tenho um nome conhecido como da maioria dos meus concorrentes. A minha carreira política foi basicamente parlamentar ou em cargos de articulação, em que fui mais meio-campista do que atacante.
Diário - De atuação nos bastidores?
Aloysio - De atuação de coordenação. De bastidores, mas de coordenação de equipes. É o que fiz na Casa Civil, na secretaria de Governo e no ministério do FH.
Diário - O senhor disse uma vez que o eleitorado paulista não o via desempenhando cargo Executivo. Ao Senado o senhor acha que o eleitorado vai reconhecer?
Aloysio - Espero que sim. Vou mostrar quem eu sou. O que penso sobre os principais problemas que o senador terá de enfrentar no seu mandato e mostrar que tenho qualificação. E deixar o julgamento com os eleitores. O fato é que hoje se for feita pesquisa, sem apresentar os nomes, 90% das pessoas não têm candidato. A imensa maioria das pessoas ignora que vamos votar em dois senadores. A campanha ao Senado está muito aberta.
Diário - O que o senhor acha das candidaturas como a do Netinho de Paula (PC do B) e Tiririca (PR)?
Aloysio - O Netinho é vereador em São Paulo, já iniciou uma carreira política. Tiririca não sei quem é. Só ouço falar. O Senado brasileiro é talvez aquele que detém mais poderes constitucionais do que qualquer outro. Pode julgar até o presidente da República. No entanto, o Senado passa por uma profunda crise moral. Ato secreto, nomeação de parentes, contratos superfaturados, inchaço de funcionalismo, suplentes desqualificados, então isso leva o Senado a uma situação de profundo desprestígio. Talvez isso estimule as candidaturas aventureiras.
Diário - Existe um desconhecimento grande e até um desinteresse da população ao Senado. Ao que o senhor atribui isso?
Aloysio - De um lado a crise moral e a pouca presença dos senadores na vida do Estado. O senador orbita em outra esfera, em um universo paralelo ao nosso. Não tem muito pegada e conexão com a vida do Estado, sendo figuras distantes. É a alta atração midiática da eleição presidencial. Vai chegar o momento em que o marido vai perguntar para a mulher onde está o título do eleitor e, nesse momento, haverá uma definição.
Diário - O que o candidato à presidência José Serra (PSDB) deve fazer para tentar reverter a desvantagem em relação a Dilma Rousseff (PT)?
Aloysio - Acho que o Serra tem de continuar mostrando aquilo que ele é. Aquilo que ele pensa. Existe um impacto enorme da popularidade do presidente Lula e do caráter holywoodiano da propaganda da candidata do PT. Acho que Serra deve seguir os caminhos de mostrar a sua visão dos principais problemas do País, o que fez em São Paulo, ao longo da sua vida pública e aguardar a chegada do momento de reflexão.
Diário - A candidata Marta Suplicy usa um argumento de que ela será a primeira mulher no Senado representado o Estado de São Paulo...
Aloysio - Tem a Dulce Salles Cunha Braga e a Eva Blay. A Dulce foi grande amiga da minha mãe. Mas não creio que vale a pena polemizar sobre isso. É ruim falsificar a história. Não deixa de ser constrangedor. A Dulce e Eva foram suplentes, mas exerceram os seus mandatos com dignidade.
Diário - O senhor tem se apresentado como “amigo dos prefeitos” na propaganda eleitoral. Isso auxilia na campanha?
Aloysio - Como senador terei familiaridade com os municípios do Estado. Sei os problemas dos grandes e pequenos municípios. Duvido que os concorrentes tiveram a mesma presença nos municípios. Está havendo o engajamento dos prefeitos na campanha. Como líderes políticos nas cidades, eles têm condição de influir mostrando o que foi feito e o tipo de parceria que tivemos de maneira leal.
Diário - O senhor vê esse engajamento do prefeito Valdomiro Lopes (PSB) na sua campanha?
Aloysio - O Valdomiro tem constrangimento natural por ser do PSB, que tem candidato. Respeito esses constrangimentos e limitações partidárias. Ele não deixará de testemunhar o que pensa de mim em pública.
Diário - Serra sendo eleito o senhor será ministro?
Aloysio - Não tenho compromisso nenhum com ministério. Quero ser senador.
Diário - A mídia tem exposto algumas situações envolvendo o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e a arrecadação informal de R$ 4 milhões ao PSDB que não teriam chegado aos cofres do partido. Notoriamente ligado ao senhor, isso prejudica de alguma maneira sua campanha?
Aloysio - Primeiro que esse fato não ocorreu. Não houve arrecadação paralela. Sou responsável pelos meus atos e não dos outros. Em todas as minhas campanhas nunca terceirizei a arrecadação. Sempre cuidei disso pessoalmente. Isso não me afeta em nada.
Diário - O senhor já recebeu apoio de Serra, do Alckmin e de FHC. Tem alguém mais que irá aparecer pedindo votos ao senhor?
Aloysio - Isso não basta?
Diário - Qual é o principal compromisso do senhor como senador?
Aloysio - Se for eleito senador um dos meus compromissos de tratar de forma obsessiva é o voto distrital. A eleição fica mais barata, o eleitor conhece o candidato e pode cobrá-lo depois se eleito, dá mais governabilidade ao país, fortalece o sistema partidário e dá mais legitimidade à representação.
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COMENTÁRIOS
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Luis Roberto Beolchi Nunes Ferreira
postado em
25/08/2010
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Pelo seu histórico e seu discurso, Aloysio Nunes não deixa dúvidas que é o candidato mais preparado a representar São Paulo no Senado da República onde além de honrar seu estado e sua cidade natal contribuirá muito para elevar o nível moral e intelectual daquela Casa.
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