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São José do Rio Preto, 4 de Março, 2010 - 8:02
Haiti sofre com falta de sedes administrativas

Alexandre Alves - Rede APJ

Jorge Cruz/AP
Palácio Nacional era uma das principais edificações do Haiti: governo atua agora em prédio improvisado
A capacidade administrativa do governo haitiano sucumbiu com o terremoto de 12 de janeiro. Os prédios do Palácio Nacional, sede do governo do presidente René Préval, e 13 dos 15 ministérios ruíram com os tremores. Funcionários importantes foram mortos nos escombros, entre eles quatro especialistas europeus. Somado a esse quadro desolador, o país enfrenta há anos problemas crônicos de falta de recursos para erradicar a miséria da população.

É esta a paisagem que se abre diante da janela de uma delegacia perto do Aeroporto Internacional de Porto Príncipe, de onde Préval e alguns de seus ministros comandam o país depois do terremoto. As questões que se apresentam após a tragédia são se os recursos internacionais serão suficientes para evitar que o povo morra de fome e para reconstruir o Haiti e se a Organização das Nações Unidas (ONU), que desde 2004 intervém no país caribenho, conseguirá exterminar um outro problema crônico no país: a corrupção.

Estudos de entidades internacionais revelam que, em média, dc cada US$ 100 doados ao Haiti, apenas US$ 25 chegam efetivamente na ponta, financiando projetos e programas para os haitianos. Os outros US$ 75 são desviados. O resultado da equação corrupção mais miséria acaba sendo mortal aos haitianos: 80% dos cerca de 10 milhões de habitantes da ilha vivem com menos de US$ 2 por dia.

Eles não contam com saneamento básico ou fornecimento de água potável. A energia elétrica pública não chega a duas horas diárias. Quase ninguém paga imposto, portanto, o governo não arrecada e não investe em saúde, educação e infraestrutura como deveria.

No país, quem passa dos 40 anos é considerado velho e, não raro, morre antes de chegar aos 50 anos. Deficientes físicos são abandonados pelos familiares por se transformarem em “peso extra”. Crianças nascem em casa, sem assistência médica ou registro civil.

O terremoto no Haiti destruiu mais da metade das delegacias de Porto Príncipe e provocou um colapso no sistema judiciário. Após os tremores, 4.800 criminosos fugiram das cadeias. Destes, 429 eram condenados por crimes graves, sendo considerados criminosos de alta periculosidade. Os militares brasileiros ajudaram a capturar 40 destes criminosos, alguns deles líderes de gangues violentas.

Transparência

Em visita à base brasileira da Missão das Nações Unidas para a Estabilização (Minustah) no Haiti, na região sul de Porto Príncipe, capital do país, o presidente Préval disse que pretende dar maior transparência aos atos governamentais, em todos os níveis, com o trabalho de auditores internacionais. O objetivo é evitar que o dinheiro da ajuda humanitária escape pelo ralo da corrupção.

Préval terá ainda centenas de outros desafios a vencer. Precisa encontrar uma solução para abrigar cerca de 400 mil pessoas, só em Porto Príncipe, que perderam suas casas e estão nas ruas. No país, a ONU estima que perto de 1 milhão de habitantes estão desabrigados. Cerca de 200 mil pessoas morreram na tragédia.

Instabilidade gera seguidas missões

Nos últimos 25 anos, o Haiti sofreu oito intervenções estrangeiras. Foram missões de paz, da Organização dos Estados Americanos (OEA), intervenções militares dos Estados Unidos e ações com forças multinacionais.

Nenhuma delas conseguiu trazer desenvolvimento para o país caribenho. Nesse contexto, a Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah) corre o risco de se tornar mais uma missão ineficiente em solo haitiano.

O alerta é do representante do secretário geral da ONU no Haiti, Edmond Mullet. Ele lamenta a morte de 93 funcionários da ONU no terremoto, mas vê uma oportunidade da comunidade internacional revisar a forma de trabalhar no país. “Quando vemos a situação, creio que devemos fazer diferente e melhor”, afirma.

 
     
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