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São José do Rio Preto, 23 de Maio, 2010 - 1:42
Região têm 11 espécies de peixes em extinção

Allan de Abreu

Thomaz Vita Neto
Pescador José Alves da Silva, 34 anos, está preocupado com o sumiço de peixes na região
Vítimas da pesca predatória, da poluição e das usinas hidrelétricas, espécies de peixes típicas da região aos poucos desaparecem dos rios. O Livro Vermelho, publicado neste mês pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, lista 11 espécies de peixes da região ameaçadas de extinção, sete delas com valor comercial, como o pacu-prata, o surubim-pintado, o mandi e o jaú.

Outras três, dourado, tabarana e cascudinho-de-Marapoama, são classificadas como “quase ameaçadas” e uma é considerada extinta na natureza, o pirapitinga-do-Paraná. Pescador desde criança, José Alves da Silva, 34 anos, de Adolfo, acompanha de perto o sumiço dos peixes. “Faz anos que não sei o que é um mandi ou um dourado no Tietê.”

Profissional há dez anos, ele se lembra com saudade do tempo em que era rotina pegar até 300 quilos por mês de mandi na rede. Agora, conta nos dedos os exemplares capturados. “Se for dois por ano é muito.”

De tão raro, o último dourado encontrado por Argemiro Lopes de Freitas, 52 anos, também pescador profissional, está bem guardado na lembrança. “Foi em março de 2009. Peguei um de cinco quilos.” Outra espécie cada vez mais rara é o pacu-prata. “Faz tempo que não vejo nenhum”, afirma o motorista Odair Mirabelli, 55 anos, pescador nas horas vagas.

Para Silva, o desaparecimento simultâneo de tanto tipo de peixe só pode ser um castigo divino. “É o preço que se paga por judiar da natureza.” Segundo os especialistas, o primeiro grande impacto para a fauna aquática regional veio nos anos 70, com a construção de seis usinas hidrelétricas nos três maiores rios, Paraná, Grande e Tietê. As barragens bloquearam a migração anual dos peixes rio acima, para a desova. Presos nas barragens, reduziram a procriação.

Em outra frente, os peixes se tornaram vítimas da pesca predatória - com rede fora das medidas legais, locais proibidos e até explosivo. “Muitos têm o costume de pescar próximo às barragens, onde a pesca é proibida por concentrar os peixes”, diz o tenente da Polícia Ambiental Alessandro Daleck.

De janeiro de 2009 até agora, a Polícia Ambiental apreendeu 2,74 toneladas de peixes na região. No mesmo período, foram R$ 918 mil em multas por pesca ilegal, de acordo com a Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN). Em caso de flagrante, o infrator paga multa de R$ 1,3 mil e responde por crime ambiental - a pena varia de 1 a 3 anos de prisão, convertida no pagamento de cestas básicas. Para eliminar o risco de extinção, um decreto do governo estadual proibiu a pesca das 66 espécies relacionadas no Livro Vermelho.

“Por interesse comercial ou desinformação, os rios da região têm sido palco da chamada sobrepesca, além da capacidade de reprodução das espécies. Por isso muitas vão paulatinamente desaparecendo”, diz Lilian Casatti, professora do departamento de zoologia da Unesp em Rio Preto e especialista em ictiologia (estudo dos peixes). Lilian acredita que o número de espécies ameaçadas citadas no Livro Vermelho esteja subestimado.

A destruição das matas ciliares e o lançamento de agrotóxicos e esgoto in natura também interferem diretamente na vida aquática. Segundo a CBRN, 80% da vegetação ciliar, ou 29,1 mil hectares, o equivalente a 35,3 mil campos de futebol como o Teixeirão, foram devastados na bacia do Turvo/Grande.

Sem a sombra das árvores, aumenta a incidência dos raios solares na água, o que acelera a fotossíntese e causa o crescimento desordenado de algas que retiram o oxigênio dos peixes. Os dejetos lançados sem tratamento nos rios também prejudicam a fauna nos rios. “A poluição aumenta a quantidade de algas cianofíceas, tóxicas para os peixes”, afirma o biólogo da USP especialista em peixes água doce Osvaldo Oyakawa.

Inter-relação

Se a qualidade da água é essencial para a sobrevivência dos peixes, esses também interferem diretamente nas características dos rios, explica o zoólogo Dino Vizotto. “Pelo menos duas das espécies ameaçadas, o jaú e o surubim-pintado, se alimentam de matéria orgânica e, assim, ajudam a manter a pureza da água.”

Para Oyakawa, a solução para evitar a extinção completa das espécies é recompor parte da mata ciliar, investir em programas de recuperação de nascentes e reduzir a poluição dos rios. “Nunca vamos atingir uma situação ideal. Mas ainda dá tempo de se evitar o sumiço completo dessas espécies, o que causaria desequíbrios tão profundos no ecossistema que nem conseguimos prever”, diz o especialista da USP.

Thomaz Vita Neto
O último dourado fisgado pelo pescador profissional Argemiro Lopes de Freitas foi em março de 2009
Empresas fazem repovoamento nos rios

A Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp) e a AES Tietê mantêm programas de repovoamento de peixes nas cinco usinas hidrelétricas da região de Rio Preto. Por ano, são inseridos nos rios do Noroeste Paulista 5,7 milhões de peixes nativos, como o corimbatá, lambari, pacu-guaçu, piapara, jurupoca, jaú, piracanjuba, dourado e tabarana. As cinco últimas estão ameaçadas de extinção.

No caso da piracanjuba, a AES diz que a espécie voltou a ser encontrada por pescadores de Buritama, na represa de Nova Avanhandava. “Isso mostra a importância do projeto para o resgate de peixes sob risco de extinção. Com o repovoamento, contribuímos para a permanência da espécie”, diz o gerente de meio ambiente da AES Tietê, José Luiz Simionato.

No entanto, para o biólogo especialista em peixes de água doce da USP Osvaldo Oyakawa, os programas são paliativos. “A reposição é menor do que a velocidade com que as espécies são destruídas.” Além disso, diz, até o início dos anos 80 as concessionárias criavam espécies não nativas da região, como a tilápia, o tucunaré e a carpa. “Houve um desequilíbrio grande no ecossistema.”

Por lei federal, todas as usinas hidrelétricas do país são obrigadas a manter programas de repovoamento. A AES cultiva as espécies nas estações de aquicultura de Promissão, cidade vizinha a Ubarana, e Barra Bonita, na região de Bauru. Os alevinos são distribuídos nas represas de Nova Avanhandava e Promissão, no rio Tietê, e Água Vermelha, no rio Grande. São cultivadas sete espécies, principalmente o pacu-guaçu e a corimba, que têm apelo comercial.

A concessionária iniciou pesquisas para criar a jurupoca, o jaú e o surubim-pintado. Já a Cesp mantém sua estação em Castilho e em Paraibuna, no vale do Paraíba. Em Castilho, são 154 tanques que totalizam 28,7 mil metros quadrados. A empresa tem duas usinas na região: Ilha Solteira e Três Irmãos, em Pereira Barreto.

Thomaz Vita Neto
Pescadores reclamam da falta de peixes nos rios da região
Prefeitura processa AES

O risco de extinção de peixes na região foi parar na Justiça. Desde 2003 tramita na 2ª Vara do Fórum de José Bonifácio uma ação civil pública movida pela Prefeitura de Mendonça contra a AES Tietê. Na ação, a prefeitura pede que a AES construa uma escada na usina de Promissão para que os peixes do Tietê possam subir o rio na época de desova.

Além disso, o Executivo requer indenização de R$ 100 mil, em valores da época, da AES, como compensação pelo prejuízo econômico do município com a queda na pesca profissional e no turismo. “A pesca, que é uma importante fonte de renda no município, foi duramente afetada nos últimos anos”, diz o assessor jurídico da prefeitura, Orlando de Paula.

Em março, a Justiça determinou que sejam feitas perícias na barragem por um biólogo e um engenheiro agrônomo, para verificar a viabilidade de construção da escada para os peixes. A previsão é de que a perícia seja finalizada somente em março de 2011.

Em nota, a assessoria da AES Tietê, concessionária da usina de Promissão desde 2000, informa que “todos os procedimentos foram devidamente observados durante o licenciamento ambiental junto aos órgãos competentes” e que a empresa “desenvolve programas de responsabilidade ambiental que incluem as medidas compensatórias e mitigatórias previstas no licenciamento.”

O gerente de meio ambiente, José Luiz Simionato, também põe em dúvida a eficácia da escada. “O equipamento leva o peixe para cima, mas nem sempre ele retorna, o que empobrece a fauna do reservatório.” As escadas, afirma, são mais eficientes em pequenas barragens.





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