|
|
|
|
|
›
Consciência ecológica
|
|
São José do Rio Preto, 2 de Maio, 2010 - 1:48
|
|
Empresas reciclam 2,8 bilhões de litros d’água
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Edvaldo Santos
|
|
|
Tanque com água utilizada no processamento da cana-de-açúcar da usina Colombo, em Palestina
|
Pressionadas pelo poder público e preocupadas com a imagem, empresas da região de Rio Preto investem em tecnologia para reutilizar a água empregada no processo de industrialização. Atualmente, 25 empresas do Noroeste Paulista reaproveitam em média 2,82 bilhões de litros de água por mês, volume suficiente para abastecer uma cidade do porte de Rio Preto, onde o consumo mensal é estimado em 2,61 bilhões de litros.
A economia é de pelo menos R$ 7,5 milhões todos os meses - o cálculo é estimado com base na tarifa industrial mínima praticada em Rio Preto pelo Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae). São usinas de cana-de-açúcar, hospitais, empresas de ônibus, indústrias e até shoppings. Cada setor criou, ao longo da década, mecanismos próprios de reúso da água. “A vantagem é dupla: ganho financeiro com a economia de água e, principalmente, valorização da imagem da empresa. Afinal, ninguém quer o rótulo de gastão de água”, diz Arthur Bastos, diretor de meio ambiente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Rio Preto.
As usinas são, de longe, as empresas que mais reutilizam água na região: 2,80 bilhões de litros. A explicação está no aperto da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que nos últimos anos tem imposto limites cada vez mais estreitos de captação de água para o setor sucroalcooleiro – a última resolução, de 2008, limita o uso de água em 1 metro cúbico para cada tonelada de cana moída. Caso descumpra a norma, a usina não consegue licença para operar.
“Há dez anos quase todas as usinas jogavam fora quase toda a água que utilizavam. Hoje, trabalhar dessa forma é inviável”, afirma Hélio Pavani, gerente operacional da usina Colombo em Palestina. Construída há cinco anos, a unidade possui um sistema de reúso da água considerado modelo na região. Foram investidos R$ 2 milhões na construção de quatro grandes tanques onde a água usada no processo de fabricação do etanol é tratada e volta para a moagem. Até a água contida na massa da planta é utilizada na industrialização da cana.
O ganho foi imediato. A Colombo se adequa aos limites de exploração da água subterrânea – a unidade conta com um poço profundo – e reduz o volume de vinhaça, resíduo tóxico decorrente do processamento da cana. Na maioria das usinas, a água é reaproveitada em apenas uma parte da fabricação do açúcar e do álcool. Cerca de metade é misturada à vinhaça, que por sua vez é jogada na lavoura. “Com menos resíduo, reduzo as viagens de caminhão”, diz Pavani.
No Noroeste Paulista, cinco das 17 usinas em operação reutilizam toda a água – além das unidades da Colombo em Ariranha, Palestina e Santa Albertina, a Santa Isabel em Novo Horizonte e Mendonça. “Em um futuro próximo, todo o setor sucroalcooleiro terá de pensar em formas de economizar água”, afirma o gerente regional da Cetesb, Luís Roberto Neme. O grupo Virgolino de Oliveira, que tem unidades em Ariranha e José Bonifácio, reaproveita parte do líquido. “Com a expansão da cultura, se jogássemos toda a água que utilizamos para captar novamente, os rios da região secariam”, diz o gerente corporativo do grupo, José Henrique Ayusso.
Outros setores
A reciclagem da água também é sinônimo de sobrevivência para outros setores da economia regional. Além de reduzir o consumo de água em 33% nos últimos dez anos, a Cocam, indústria de café solúvel de Catanduva, passou a reaproveitar 7,2 milhões de litros mensais de água utilizada no processamento do café. O produto é utilizado na limpeza do maquinário, lavagem de piso e limpeza do gás emitido. “Graças ao reúso, reduzimos os poluentes jogados na atmosfera e nos adequamos às exigências da Cetesb”, diz o gerente industrial Sidnei Beraldi.
A Fuga Couros, curtume de Jales, recicla até 7,5 milhões de litros de água por mês nos processos de depilação do couro e curtimento das peças. Assim como a Facchini, indústria de carrocerias para caminhões de Votuporanga, que reaproveita a água utilizada no processo industrial. “O que sobra serve para a descarga dos sanitários e na lavagem de pisos”, diz Robertt Ferreira. Ele não soube informar o volume de água reaproveitada.
|
Thomaz Vita Neto
|
|
|
HB passou a economizar 1,2 milhão de litros de água mensalmente
|
HB economiza na lavagem de roupas
O Hospital de Base (HB) em Rio Preto passou a economizar 1,2 milhão de litros de água todos os meses depois que implantou um sistema de reciclagem da água utilizada na lavagem diária de cinco toneladas de roupa. O projeto foi desenvolvido há um ano e meio pelo engenheiro de manutenção do HB, Rodrigo Plazas. As lavadoras foram automatizadas e tiveram parte da estrutura modificada para se tornarem “inteligentes”. Assim, a água utilizada na última lavagem da roupa, mais limpa do que a do enxágue inicial, retorna ao sistema e é utilizada na primeira lavagem do ciclo seguinte, quando a roupa está mais suja.
Há cinco anos a Circular Santa Luzia, também de Rio Preto, implantou um sistema para reaproveitar a água usada na lavagem dos seus 250 ônibus. Pelo método, a água usada na limpeza dos veículos passa por sete tanques, onde são retiradas as impurezas como óleo, graxa, terra e outras partículas. Limpa, retorna ao processo. O sistema possibilitou redução de 78% no consumo – de 1,4 milhão de litros mensais para 298 mil. Para os cofres da empresa, a economia foi de R$ 3,6 mil mensais, conforme estimativa da assessoria.
O Plaza Avenida Shopping também consegue poupar R$ 1,5 mil por mês com um sistema de captação de água pluvial. Quando chove, a água escorre para duas caixas de retenção subterrâneas com capacidade total de quatro milhões de litros. Todos os meses, 150 mil litros são utilizados na irrigação da jardinagem do shopping.
Balneários jogam consumo fora
Pelo menos três balneários da região jogam fora toda a água que consomem. “Seria perfeitamente possível o reúso na limpeza do chão ou na jardinagem”, disse Hélio Suleiman, secretário-executivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Turvo/Grande. Maior parque aquático do Noroeste Paulista, o Thermas dos Laranjais, em Olímpia, capta 180 mil litros de água por hora de dois poços profundos. Toda essa água é despejada na rede de esgoto da cidade. Para 2011, a prefeitura local e o parque pretendem construir uma estação para tratar a água do Thermas e jogar no abastecimento público de Olímpia. “Vamos reaproveitar pelo menos 120 mil litros por hora”, disse o prefeito Eugênio Zuliani.
No balneário das Termas de Ibirá são utilizados cerca de 540 mil litros de água mineral nos banhos de imersão e na sauna. Tudo cai na rede de esgoto da Sabesp. “Seria muito caro investir no reaproveitamento dessa água”, justifica o prefeito de Ibirá, Nivaldo Negrão. O Água Viva, em Fernandópolis, joga a água em um açude, de acordo com uma funcionária que não quis se identificar – ela não soube informar o volume de água utilizado no clube.
Em Rio Preto, a Câmara de Vereadores aprovou em primeira votação um projeto de lei do tucano Jorge Abdanur que obriga os balneários da cidade a reciclar a água utilizada. “É um produto de qualidade, que pode ser remanejado para o Semae”, afirma. O proprietário do Thermas de Rio Preto estava em viagem na última semana e não foi localizado.
Residência capta água das chuvas
O reaproveitamento da água não se limita às empresas. Com R$ 20 mil, em média, uma residência pode captar água da chuva e utilizar no vaso sanitário ou na limpeza de pisos. Também pode reutilizar a água do chuveiro na descarga, por meio de um sistema de tubulação. “São técnicas simples que fazem diferença na economia de água”, diz o arquiteto Marco Aurélio da Costa.
Mesmo assim, ainda são raros em Rio Preto os exemplos de casas com sistemas de reúso. Uma delas é a da arquiteta Patrícia Veríssimo, no bairro Miguel Moisés Haddad, zona sul. Há nove anos ela implantou um mecanismo para captar água da chuva que cai no telhado do anexo da casa utilizado para lazer. Da calha desce um tubo com duas saídas: na primeira sai a água dos cinco primeiros minutos de chuva, suja da poeira das telhas. Depois desse tempo, a válvula é fechada manualmente e o líquido escorre até um reservatório subterrâneo com capacidade para cinco mil litros.
De lá, a água é bombeada para uma caixa de 250 litros no telhado da casa. O produto alimenta duas torneiras para limpeza do canil e a descarga de um dos banheiros da residência. “Tenho muita preocupação com a sustentabilidade ambiental. Por isso fiz questão de implantar esse sistema”, diz Patrícia. Ela não soube precisar o custo dos equipamentos, nem a quantia de água da chuva recuperada, que varia conforme a estação do ano. A reciclagem da água passa também por outras atitudes simples, como usar a água da última lavagem de roupas para limpar pisos ou regar o jardim, além de reaproveitar a água do cozimento de legumes, como as batatas, para preparar o arroz.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital
|
|
|
|
|
|
|
OPINE SOBRE ESTA MATÉRIA
|
|
|
|
Não sou cadastrado |
Clique aqui
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
COMENTÁRIOS
|
|
|
|
|
|
Nenhum comentário cadastrado.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
ENVIE PARA UM AMIGO
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|