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São José do Rio Preto, 25 de Abril, 2010 - 2:18
Investimento de R$ 236 mi livra rios do esgoto

Michelle Berti

Sérgio Menezes
A estação de tratamento de esgoto de Rio Preto, que está em fase de ajuste: água mais limpa
A água utilizada na maioria das casas de Rio Preto e região já chega limpa aos rios. Nos últimos cinco anos, o Estado de São Paulo, empresas e prefeituras investiram R$ 236,5 milhões para construir estações ou lagoas de tratamento de esgoto em 77 cidades do noroeste paulista.

Hoje, 66 delas já estão com o sistema operando e nove aguardam o término das obras. Apenas dois municípios - Catanduva e Olímpia - ainda estão iniciando seus projetos. Os investimentos geraram um impacto imediato nas bacias hidrográficas da região. Nos últimos cinco anos, os rios deixam de receber, diariamente, 74 toneladas de esgoto devido às obras de saneamento.

De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), apenas 36% do esgoto gerado na bacia dos rios Turvo e Grande era tratado em 2004, o que correspondia a apenas 23 toneladas de um universo de 63. No ano passado, 77% do total, ou 48 toneladas, foi devolvido limpos aos rios nessa bacia.

A expectativa é que nos próximos cinco anos a região já tenha implantado sistemas de tratamento em todas as cidades. Com o esgoto tratado, a qualidade da água dos rios da região vai melhorar. Dados do Relatório de Qualidade Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, com base em amostras coletadas em 2007, classificam as águas da bacia do Turvo/ Grande como a pior do Estado, equiparável apenas ao trecho do rio Tietê na capital.

“Certamente, no próximo relatório, a situação será outra. A qualidade dos rios vai retornar conforme os sistemas de tratamento de esgoto são implantados. Grande parte da bacia, hoje, já conta com tratamento”, diz o presidente do Comitê da Bacia do Turvo/Grande, Germano Hernandes Filho. Exemplo disso é a bacia do rio São José dos Dourados, que abrange a região de Jales.

Todos os municípios já tratam o esgoto. No relatório da secretaria, a qualidade da água dos rios aparece como boa. “A nascente do rio Turvo já está livre da poluição dos esgotos”, diz o engenheiro sanitarista Luiz Paulo de Almeida Neto, superintendente da Sabesp em Lins, que engloba a região de Rio Preto.

“As cidades de Monte Alto, Fernando Prestes e outros municípios da região, que ficam na nascente do rio, já tratam o esgoto.” Além dos grandes rios, o tratamento vai devolver a vida a pequenos leitos, como os rios Preto, São Domingos e o córrego Piedade, que recebem toda a carga de esgoto de Rio Preto, Catanduva e Mirassol, respectivamente.

Outra conse-quência imediata do tratamento de esgoto é a melhoria da qualidade de vida. A Organização Mundial da Saúde estima, que a cada R$ 1 investido em saneamento, há uma economia de R$ 4 em saúde. “O tratamento reduz a mortalidade e a morbidade, pois diminui a incidência de doenças”, diz.

Avanços

Um dos principais avanços no saneamento da região foi a implantação da estação de tratamento de esgoto nas cidades de grande porte. Rio Preto, sozinha, era responsável por 40% da poluição do rio Turvo. Hoje 98% do esgoto da cidade já é tratado (leia mais nesta página).

Em Mirassol, o esgoto deve ser 100% tratado até 2012, segundo Eduardo Caldeira, diretor da Sanessol, empresa que tem a concessão para a implantação do sistema. Como a cidade fica entre três microbacias (córregos Piedade, Fartura e Fundão), será preciso construir pelo menos duas estações.

A primeira delas, que abrange a área do Piedade, já está pronta e deve entrar em teste em maio deste ano. “A estação vai tratar 38% do esgoto gerado na cidade, que até então era despejado in natura no córrego”, diz Caldeira. Segundo ele, a ETE Fundão aguarda licença de instalação da Cetesb e deve ser iniciada ainda neste ano. “Houve um atraso no calendário devido às chuvas.” A estação será responsável por tratar 40% do esgoto.

No caso do Fartura, a empresa ainda estuda se vai reverter os interceptores para a ETE Piedade ou se é mais viável construir outra estação. Em Votuporanga, as obras da estação estão 72% concluídas, segundo o superintendente da Saev Ambiental, Marcelo Marin Zeitune. A ETE será um dos maiores complexos do Estado, segundo ele.

A área corresponde a cerca de 30 campos de futebol. “O tratamento, aqui, será feito pelo sistema australiano, em que a luz do sol é a responsável pela depuração da água. O processo demanda pouca energia elétrica”, diz.

Estação de Jales é centro de estudos

A paisagem confunde os visitantes de primeira viagem. Peixes, plantas e bancos de jardim não são a imagem comum de uma estação de tratamento de esgoto. Mas é exatamente este o cenário encontrado na ETE de Jales. O complexo tem 50 hectares e é um dos pontos turísticos da cidade.

A estação funciona como centro de estudo e preservação. Alunos das universidades locais desenvolvem projetos ambientais dentro da unidade, que mantém um viveiro de mudas para reflorestamento. Além disso, a ETE oferece visitas guiadas à unidade, para explicar a estudantes ou pessoas comuns como funciona o tratamento de esgoto.

Para visitar a ETE é preciso entrar em contato com a Sabesp de Jales, pelo telefone (17) 3632-1606, de segunda a sexta-feira, em horário comercial. A visita é agendada. Um funcionário acompanha o visitante e explica o funcionamento da estação.

Sérgio Menezes
Lagoa de decantação de Guapiaçu, uma das cidades que não lança mais esgoto no rio Turvo
Catanduva está atrasada

A cidade mais atrasada em relação ao tratamento de esgoto na região é Catanduva. São despejados cerca de 300 litros por segundo de esgoto in natura no rio São Domingos. “Hoje, nenhum copo de esgoto doméstico é tratado no município. Somos o grande poluidor da bacia do Turvo Grande”, diz o prefeito Afonso Machionne Neto.

A implantação de uma estação é tratada como prioridade, mas falta apoio financeiro, segundo ele. "Há programas dos governos federal e estadual para municípios com menos de 30 mil, 50 mil habitantes, que financiam o tratamento. Mas no caso de cidades grandes, como Catanduva, não há apoio.”

Segundo ele, o município conseguiu um empréstimo de R$10 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por meio do Ministério de Cidades, para finalizar a instalação dos interceptores ao longo do rio São Domingos. Até agora, já foram construídos 30 quilômetros de canalização. A verba, porém, ainda não foi liberada.

“Nossa intenção é adiantar a instalação dos receptores para afastar o esgoto da cidade e deixar uma rede praticamente pronta para a instalação de uma estação.” A implantação do sistema de tratamento vai custar aproximadamente R$ 35 milhões. A prefeitura busca, junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a liberação de U$ 8,5 milhões. Para isso, a administração precisa dar uma contrapartida no mesmo valor.

Olímpia

A Prefeitura de Olímpia inicia em maio licitação para a construção da lagoa de tratamento da cidade. O município é, ao lado de Catanduva, o único que ainda não tem solução para o esgoto doméstico. O projeto está orçado em R$ 17 milhões.

Segundo o superintendente-geral do Departamento de Água e Esgoto (Daemo) de Olímpia, Walter Trindade, a administração já pediu à Justiça a desapropriação de uma área para a construção do sistema. “Dependemos disso para conseguir a licença de instalação da Cetesb.” O município produz, hoje, oito toneladas de esgoto por dia.

Rio Preto faz ajuste em equipamentos

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Rio Preto está trabalhando no ajuste dos equipamentos à carga de esgoto produzida na cidade. O período, chamado pré-operação, é uma exigência da Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) para a obtenção da licença de operação.

Desde o dia 26 de março, a ETE já recebe e trata 98% da carga total de esgoto de Rio Preto. Os 2% restantes correspondem ao distrito de Talhado e aos loteamentos clandestinos, que não são ligados à rede coletora. O tratamento permite que a água seja devolvida ao rio com 92% de grau de pureza. O sistema pode chegar até 95%.

“Para entrar na fase de pré-operação, a estação já precisa estar operando. Primeiro testamos a estação com água, que é bem diferente dos efluentes. Agora devemos ajustar os equipamentos para garantir eficiência ao tratamento”, diz Luciano Nucci Panoni, superintendente interino do Semae.

Segundo o coordenador da ETE, Giovanni Rocha Martins, cada cidade produz um esgoto com características próprias. “Por isso os equipamentos precisam ser adequados.” Em Rio Preto, por exemplo, a quantidade de areia misturada à água está acima do normal. “Isso é fruto de ligações clandestinas das canalizações de água de chuva na rede de esgoto.”

A grande quantidade de areia tem atrapalhado a regulação do equipamento que separa o composto da água. Cada intercorrência registrada no processo de tratamento atrasa a obtenção da licença de operação. Para conseguir a autorização, é preciso que a estação funcione sem nenhum tipo de problema por 90 dias. “Quando é necessária a paralisação por algum motivo, a contagem dos dias também para”, diz Martins.

Nos últimos 30 dias, a estação tem de funcionar continuamente. “Em Campinas, a ETE está há quase 18 meses em fase de pré-operação. Por isso não é possível estimar quando vamos inaugurar o tratamento”, afirma Panoni.

Ele acredita que, independentemente da obtenção da licença, as águas do rio Preto poderão recuperar a qualidade em um ou dois anos. “Vamos devolver a vida ao rio. Hoje os peixes que temos são aqueles que ficaram represados. Na próxima piracema, queremos receber os peixes dos grandes rios aqui.”

Lixo

A quantidade de lixo encontrado no esgoto de Rio Preto impressiona. Garrafas, roupas, sapato e até mesmo bolas de tênis são encontrados nos efluentes. Os materiais são separados do líquido por meio de uma filtragem assim que o esgoto chega à estação. Após a primeira limpeza, ele passa por outro filtro, dessa vez mais fino, com espessura de 3 milímetros.

Nessa fase, ficam retidos principalmente pedra, bitucas de cigarro, papéis e preservativos. “As pessoas precisam se conscientizar de que esgoto não é lixo. Esses materiais atrapalham o tratamento”, diz Martins. Todo o lixo é separado e enviado para o aterro sanitário.





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