|
|
|
|
|
›
Bichos têm segunda chance
|
|
São José do Rio Preto, 14 de Março, 2010 - 3:03
|
|
Polícia Ambiental devolve 1.081 animais à natureza
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Polícia Ambiental
|
|
|
Cobra-coral solta em mata da região: outra chance na natureza
|
A Polícia Ambiental de Rio Preto devolveu à natureza no ano passado 1.081 animais apreendidos durante fiscalizações e operações de rotina na região, considerada uma das rotas do tráfico de bichos silvestres. São répteis, mamíferos e aves que tiveram a chance de voltar ao habitat natural. Mas isso não significa, necessariamente, que esses animais conseguirão se reintegrar ao meio natural.
Segundo o zoólogo e professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Dino Vizotto, animais que são mantidos em cativeiro têm dificuldade de adaptação. “Eles não possuem experiência de sobrevivência. Estão acostumados com alimentação fabricada pelo homem. Dificilmente sobrevivem.” O médico veterinário Fábio Nascimento Franco concorda. Segundo ele, as chances de um animal ser reintroduzido são mínimas. “Há uma dificuldade muito grande de readaptação. A maioria desses bichos, principalmente os que chegam filhotes, fica mansos.”
Os animais devolvidos à natureza são levados para reservas ou recreatórios. Entre os pontos de soltura estão a mata dos Macacos, em Bady Bassitt, as matas nas margens do rio Turvo - próximo a Onda Verde, a estação ecológica de Paulo de Faria e o Instituto Penal Agrícola (IPA). “Nunca é o mesmo lugar. Cada animal precisa de um espaço diferente”, afirma o tenente Alessandro Daleck, da Polícia Ambiental de Rio Preto.
Para conhecer o grau de sobrevivência de animais reintroduzidos em reservas florestais da região seria necessário investimento em pesquisa, segundo o presidente do Grupo de Estudos de Animais Selvagens da Unirp, Ciro Alexandre Teixeira Cruvinel. O problema, porém, é a falta de recursos.
“Não há investimentos na área. O que a gente precisa é do apoio do governo e da sociedade.” Segundo Cruvinel, animais que ficam internados por um determinado período e recebem treinamento podem conseguir voltar ao habitat natural. Porém, segundo ele, o correto seria um monitoramento, com rádio-colar, espécie de chip implantado no animal. “Mas o custo disso é muito alto. Precisa de dinheiro, tecnologia de telemetria e de uma equipe capacitada. Ainda não temos no Brasil.”
Animais mutilados, segundo Vizotto, não devem ser devolvidos à natureza em hipótese alguma. Estes têm menos sorte. É o caso de um lobo-guará fêmea que chegou há um mês e meio ao Hospital Veterinário da Universidade de Rio Preto (Unirp), com fratura exposta em uma das patas. “Só pode soltar se tiver chance de recuperação. Os que não têm condições é preciso reter, mandar para um zoológico ou a alguma instituição que possa cuidar deles. Mesmo que passem uma temporada em criadouros, gaiolas, eles podem ser devolvidos, sem perigo algum.”
|
Polícia Ambiental
|
|
|
Canário-da-terra ganha a liberdade pelas mãos da Polícia Ambiental
|
Fiscalização
Segundo a Polícia Ambiental, o valor das multas por infrações ambientais relativas a apreensões de animais aumentou 18% em 2009 em relação a 2008. A multa é de R$ 575 (35 Ufesp) para cada animal apreendido. No ano passado, foram aplicados R$ 316 mil em multas. Em 2008, foram R$ 268 mil. O aumento no valor, segundo o tenente Alessandro Daleck Moreira, está relacionado à fiscalização ambiental e à reincidência na irregularidade da parte de alguns criadores. “As pessoas que mantêm animais em cativeiro não se conscientizam. São motivados pela paixão. Aqueles que já foram advertidos são incluídos no rol de operações da polícia e, se forem reincidentes, o valor da multa pode dobrar ou triplicar.”
Segundo ele, os resultados das ações de fiscalização no município estão entre os melhores do Estado. A intenção é promover ações de combate a todos os tipos de crime relacionados à fauna. Em Rio Preto, conforme o tenente, o problema é o comércio regionalizado, já que o município é considerado rota de tráfico por causa da localização. “Eles retiram a ave ou o animal do seu habitat natural e vendem na região. A ave em cativeiro ainda é um costume muito comum. Faz parte da cultura brasileira”, afirma o tenente.
|
Edvaldo Santos
|
|
|
Cachorro-do-mato se afeiçoa a veterinário em Hospital da Unirp
|
Hospital salva 52% dos ‘pacientes’
O Hospital Veterinário da Unirp recebeu 288 animais no ano passado, entregues pela Polícia Ambiental. Parte deles chegou com fraturas ou queimaduras. Segundo a médica veterinária responsável pelo Serviço de Atendimento Clínico e Cirúrgico de Animais Silvestres (Saccas), Tatiana Morosini de Andrade, 48% deles morreram. “Conseguimos salvar 52%. É um índice muito bom.” Em 2006, o índice de mortes no hospital era de 80%.
No local, os animais têm direito a tratamento completo. Passam por exames de raios-X e ultrassom e, quando necessário, por cirurgia. O hospital gasta, por semana, uma média de R$ 150 em alimentação. A ração varia de acordo com o animal e vai de frutas a roedores e galinhas. Os bichos que mais aparecem, segundo Tatiana, são maritacas, tucanos, papagaios, tamanduás, saguis, gambás, macacos e cachorros-do-mato. “De vez em quando aparece uma jiboia. No ano passado, vieram cinco para cá, mas a frequência é menor em relação aos outros bichos.”
|
Edvaldo Santos
|
|
|
Loba-guará sem uma das patas traseiras: cativeiro para sempre
|
Fratura
Um dos animais que chegou mais recentemente ao hospital foi um lobo-guará fêmea. Ela apareceu há um mês e meio, levada pela Polícia Ambiental, com uma fratura exposta numa das patas, provavelmente por atropelamento. “Tratamos dela, mas quando voltou a andar, teve nova fratura, no mesmo lugar. Aí, não tivemos escolha. Teve de ser amputada”, explicou a médica veterinária. A loba, que ainda não tem nome, deve ser encaminhada a um recreatório em Araxá, Minas Gerais.
O Cabeleira, um lobo-guará que chegou desidratado ao hospital, no primeiro semestre do ano passado, teve mais sorte. Ele estava cheio de larvas no pescoço e sem pelo nenhum. Segundo a médica veterinária, Cabeleira estava com deficiência nutricional, provavelmente porque estava preso em cativeiro e com alimentação inadequada. “Ele foi tratado e ficou três meses aqui. O pelo nasceu de novo, ele se recuperou e foi reintroduzido no meio ambiente. Ficamos muito felizes.”
Quem também chegou há pouco tempo foi Chico, um macaco-prego com problemas neurológicos. Ele foi levado pelo Ibama e está no hospital há duas semanas. “O tratamento com Chico é diferente. Ele foi criado em cativeiro desde que nasceu. Ficou preso a uma gaiola pequena e agora tem dificuldades de adaptação num espaço maior. Ele jamais será solto na natureza.”
Um dos animais há mais tempo no hospital é a macaca sagui Naná. Faz um ano que ela é tratada por médicos e estagiários. “Ela chegou filhote, sem problemas de saúde. Mas não encontramos lugar para encaminhá-la. Esta também é uma dificuldade muito grande que enfrentamos”, diz Tatiana.
|
Rubens Cardia
|
|
|
Tucano no Bosque Municipal: local é destino de bichos apreendidos
|
Bosque é destinatário das apreensões
O Bosque Municipal de Rio Preto recebe diariamente animais apreendidos pela Polícia Ambiental ou Ibama. Alguns são encaminhados a outros zoológicos ou devolvidos à natureza. A maior parte, porém, fica no local. “Acredito que 70% dos animais do bosque são vítimas de apreensão ou de abandono. Há cerca de dois anos, segundo o veterinário Bernhard Von Shimonsky, a polícia levou 102 papagaios ao bosque. “Como eles eram muitos, não ficaram apegados aos humanos. Neste caso, os devolvemos à natureza.”
Além de Shimonsky, os animais do bosque contam com biólogo, estagiários e tratadores que os monitoram todos os dias. Eles são avaliados e tratados individualmente. Um puma fêmea, vindo de Lins com queimaduras pelo corpo por causa das queimadas inda vive no zoológico, mas perdeu metade das orelhas e ficou com várias cicatrizes pelo corpo. Um veado-atingueiro que chegou no ano passado não teve a mesma sorte. “Ele teve queimaduras nas patas e achamos que iria melhorar. Mas ele não suportou e, uma semana depois, tivemos de sacrificá-lo.”
|
|
|
|
|
|
|
OPINE SOBRE ESTA MATÉRIA
|
|
|
|
Não sou cadastrado |
Clique aqui
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
COMENTÁRIOS
|
|
|
|
|
|
Nenhum comentário cadastrado.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
ENVIE PARA UM AMIGO
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|