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Estudo
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São José do Rio Preto, 15 de Novembro, 2009 - 0:01
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Água de rios da região é a pior do Estado
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Allan de Abreu e José Antonio Bonato
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Carlos Chimba
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Vista aérea do rio Preto: entre os mais poluídos do Estado
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Os rios que cortam a região de Rio Preto têm a água de pior qualidade do Estado de São Paulo, em nível equivalente ao do trecho do Tietê que passa pela Capital. A informação é de estudo inédito divulgado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, que mediu a qualidade das águas das 22 bacias hidrográficas paulistas.
Enquanto a água da maioria dos rios paulistas é considerada boa (Índice de Qualidade das Águas entre 51 e 79), na região o IQA atinge 45 - o Tietê em São Paulo ficou em 46, ambos considerados regulares (índice entre 36 e 51). Mesmo assim, é o pior nível no Estado, e tem se agravado ao longo dos anos: em 1999, o índice do Turvo/Grande era de 58.
A má qualidade da água na bacia do Turvo/Grande, na qual estão as principais cidades da região, é consequência do baixo índice de tratamento de esgoto e da alta concentração urbana e industrial, as mesmas causas da poluição do Tietê no trecho urbano da Capital.
De acordo com a Cetesb, 50% do esgoto gerado na região é despejado in natura nos rios. “A grande maioria dos municípios da bacia já trata o esgoto. Mas as maiores cidades, Rio Preto, Catanduva, Votuporanga, Olímpia e Mirassol, ainda despejam quase todos os dejetos nos cursos d’água”, diz o gerente regional do órgão, José Benites de Oliveira.
Por causa do não tratamento do esgoto, a principal fonte de contaminação da água na bacia Turvo/Grande são os efluentes domésticos, seguida por metais como cromo e níquel, segundo Márcia Bisinoti, professora do departamento de química e ciências ambientais da Unesp em Rio Preto, que pesquisou a qualidade da água dos rios Preto, Turvo e Grande no ano passado. “Parte desses metais são provenientes de atividade industrial, principalmente curtumes”, afirma.
Em doses elevadas, tanto o cromo quanto o níquel são altamente prejudiciais à saúde, diz o toxicologista da Universidade Federal Paulista (Unifesp) Sérgio Graffi. O cromo pode causar reações alérgicas e úlceras na pele, enquanto o níquel é cancerígeno. Márcia Bisinoti ressalva que a concentração desses metais não ultrapassa os limites considerados aceitáveis.
No entanto, em setembro o Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) interditou um poço na Cidade das Crianças cuja água estava contaminada com cromo. A Cetesb aguarda um laudo da autarquia para investigar as causas.
Abastecimento
A poluição acaba refletindo na água que chega até o consumidor retirada dos rios (a pesquisa excluiu a captação em água subterrânea). Nesse quesito, a bacia Turvo/Grande aparece entre as três piores do Estado, atrás apenas de Aguapeí, no Oeste paulista, e do Tietê/Jacaré. Rio Preto capta 30% da água consumida na Represa Municipal - segundo a assessoria do Semae, a água é tratada e técnicos fazem análises diárias da água captada para garantir a qualidade do produto.
Para Lima Bueno, secretário de Meio Ambiente de Rio Preto, uma peculiaridade geográfica da cidade, que abriga muitas nascentes e nenhum rio volumoso, explica o alto grau de poluição das águas. “É pouca água para muito detrito. A poluição acaba concentrada”, diz. Outro motivo, aponta, são os agrotóxicos e pesticidas utilizados na cana e na laranja.
O contraponto positivo do estudo para a região são as águas subterrâneas. Nesse item as bacias Turvo/Grande e Pardo/Grande são as únicas do Estado com água 100% potável. Para o biólogo Arif Cais, a explicação está no aquífero Guarani, um dos maiores do mundo, que serve essas duas regiões.
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Notícia Online/ Catanduva
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O rio São Domingos, que recebe poluição de Catanduva: cidade não trata o esgoto
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Esgoto é o principal vilão dos cursos d’água
Todos os dias, os quatro maiores municípios da bacia do Turvo/Grande despejam 142.489 metros cúbicos de esgoto nos rios da região, volume que daria para encher 57 piscinas olímpicas. Desse total, apenas 9.975 metros cúbicos recebem tratamento antes de chegar aos cursos d’água.
No estudo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, o índice de coleta e tratamento de esgoto do Turvo/Grande foi o terceiro pior do Estado, abaixo da média estadual. Em Rio Preto, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) custou R$ 120 milhões, dinheiro que a Prefeitura e o Semae conseguiram do governo federal por meio de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A obra começou em 2006 e, mesmo inacabada, chegou a ser inaugurada em dezembro do ano passado pelo então prefeito Edinho Araújo (PMDB).
Segundo o atual secretário municipal de Meio Ambiente, Lima Bueno, a previsão é de que a ETE entre em funcionamento até o fim do ano. “Com a estação operando, a principal fonte de problemas da bacia se resolve”, afirma. Atualmente, só 3% dos 86.400 metros cúbicos de esgoto gerado na cidade recebem tratamento. O restante é despejado no rio Preto in natura.
Em Catanduva, a situação é ainda pior: todos os 18.597 metros cúbicos de esgoto são despejados sem tratamento no rio São Domingos. Parte desses resíduos são das indústrias da cidade, admite o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Calixto Lapera. “Não temos controle sobre as fábricas clandestinas”, diz.
Além do esgoto, Lapera afirma ser provável que o São Domingos tenha sido contaminado com o chorume do antigo lixão da cidade, que operou durante décadas próximo ao córrego e só foi desativado no ano passado. “Vamos fazer uma análise do subsolo para avaliar o índice de poluição”, afirma.
A Prefeitura recebeu R$ 10 milhões do governo federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a construção de uma estação de tratamento de esgoto, e aguarda mais US$ 8,5 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que depende de aprovação pelo Senado Federal.
Em Votuporanga, 3% dos 20.736 metros cúbicos de esgoto gerados recebem tratamento atualmente. Até maio do próximo ano, segundo a assessoria da Prefeitura, esse índice deve chegar a 100% com a inauguração da ETE local. A obra está orçada em R$ 17 milhões, sendo R$ 12 milhões financiados pela CEF, e o restante proveniente da Superintendência de Água e Esgoto de Votuporanga (Saev).
Já a Sanessol, concessionária do serviço de água e esgoto de Mirassol, espera tratar 65% dos 16.765 metros cúbicos de dejetos gerados até o início de 2010 com uma ETE. No ano seguinte, esse índice deve chegar a 100%, com mais duas estações construídas.
Depósitos de lixo evoluem
Se no esgoto a bacia Turvo/Grande apresenta problemas, o depósito de resíduos evoluiu nos últimos dez anos, e hoje apresenta índice classificado como adequado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
O Índice de Qualidade de Aterro de Resíduos (IQR) foi definido com base na localização do aterro, infraestrutura e operacionalidade. Em 1999, a bacia atingiu IQR de 6,1; no último ano, o índice subiu para 8,4, próximo à média do Estado, 8,9.
Dois anos antes, em 1997, de acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Turvo/Grande, apenas quatro dos 64 municípios tinham sistemas de tratamento e disposição de resíduos sólidos: Rio Preto, Mirassol, Jales e Orindiúva. Em 2007, a situação se inverteu, e apenas 12 municípios não tinham sistemas adequados de tratamento dos resíduos.
Um dos últimos aterros a entrar em operação foi o de Catanduva, em julho deste ano. O local é administrado pela empreiteira Consfran, que investiu R$ 8 milhões na obra. O aterro tem capacidade para receber 100 toneladas de lixo por dia - o município gera 90 toneladas diárias.
Esse avanço regional não impede problemas pontuais como o ocorrido em 2007, quando o aterro sanitário de Rio Preto ficou lotado e teve de ser desativado. Na época, a concessionária Leão Leão passou a transportar todo o lixo gerado na cidade até o aterro da empresa em Guatapará. Neste ano, quando a Constroeste reassumiu o serviço, os detritos passaram a ser levados até o aterro da empresa em Onda Verde.
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Sérgio Menezes
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Em abril, policiais flagraram 49 árvores arrancadas de modo irregular em fazenda
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Região tem a menor cobertura vegetal de SP
O Noroeste Paulista tem a menor cobertura vegetal nativa do Estado de São Paulo, de acordo com o estudo “Painel da Qualidade Ambiental”, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Na bacia do Turvo/Grande, apenas 3,91% da área total ainda é coberta com vegetação nativa, o segundo menor índice, atrás apenas da bacia do rio São José dos Dourados, que abrange municípios como Jales, Ilha Solteira e Monte Aprazível, onde o índice de cobertura nativa é de 2,79%.
“A devastação por aqui não teve limites. O agronegócio sempre predominou sobre qualquer preocupação ambiental”, diz Arif Cais, biólogo da Unesp de Rio Preto. Para ele, o avanço da cultura da cana-de-açúcar agravou ainda mais a situação. “É a falta de visão dos usineiros. Ainda vamos pagar muito caro por termos dizimado toda nossa cobertura vegetal original.”
Em março de 2007, quatro funcionários da usina Vale, de Onda Verde, foram surpreendidos pela Polícia Ambiental enterrando os galhos de quatro árvores cortadas sem autorização em fazenda de Ipiguá. A área seria ocupada por cana-de-açúcar.
No mês anterior, o mesmo crime ambiental foi flagrado em fazenda de Riolândia, arrendada para a usina Colombo. Em abril deste ano, os policiais encontraram 49 árvores cortadas de forma irregular em uma fazenda arrendada à usina Açúcar Guarani, em Tanabi.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) rebate as acusações. “É possível que haja um ou outro caso de desmatamento, mas, no geral, a cultura avança em área de pastagem, já desmatada anteriormente”, diz o diretor da entidade, Antonio Padua Rodrigues. “Temos um compromisso com o governo estadual de recuperar as áreas de preservação permanente (APPs) em locais ocupados pela cana. Nenhum outro setor do agronegócio tem essa meta”, afirma.
Rodrigues se refere ao Protocolo Ambiental, no qual o setor sucroalcooleiro se compromete a repor 70% das áreas de mata ciliar no Estado. Nas bacias do Turvo/Grande e São José dos Dourados, existem 30.228 hectares de mata ciliar cadastrados na Secretaria de Estado do Meio Ambiente, conforme o estudo.
O que sobrou
A cobertura vegetal nativa, que já ocupou mais de 80% do território paulista, hoje abrange apenas 13,94%, conforme o Instituto Florestal. Os maiores remanescentes são encontrados nas escarpas da Serra do Mar e no Vale do Ribeira. Do cerrado, que já ocupou 14% da superfície do Estado, inclusive no Noroeste Paulista, hoje resta apenas cerca de 1%. A meta da secretaria é ampliar a cobertura em 14,5% em 2009 e para 16,5% em 2020.
Encontro do MP
Ante a dimensão dos problemas ambientais na região, membros do Ministério Público vão se reunir em fevereiro de 2010, em Rio Preto, para discutir ações em comum para a defesa das matas ciliares, reservas legais e poluição das águas. A informação é de Denis Henrique Silva, promotor da Comarca de Fernandópolis e secretário-executivo da Secretaria Executiva da Rede Protetiva da Bacia Hidrográfica Rio Grande-Rio Turvo. Integram a secretaria 15 comarcas, cada qual envolvendo uma média de três cidades da região.
Danos ameaçam a vida aquática
A má qualidade da água dos rios da bacia do Turvo/Grande se reflete na vida aquática. Na área da bacia, que abrange a maior parte da região, a água é considerada ruim para a sobrevivência de peixes e outros animais. No ranking estadual, a bacia é a quarta pior - perde para Piracicaba/Capivari/Jundiaí, Mogi-Guaçu e Sorocaba/Médio Tietê.
Para o cálculo dos índices, o estudo levou em conta o pH e o oxigênio dissolvido na água. Em 2008, uma pesquisa da Unesp havia constatado a presença de agentes químicos com potencial mutagênico nas águas do rio Preto, principalmente metais como cobre, ferro, manganês, chumbo, alumínio, zinco e cádmio. Para a pesquisadora Lucilene Regina Maschio, esses metais podem causar alterações no DNA das células e provocar mutações.
A longo prazo, conforme a pesquisadora, as alterações no processo de divisão celular podem provocar modificações no ecossistema da Represa. “Trata-se de substâncias cumulativas, que podem atingir tal concentração de modo que as alterações sofridas levem ao desaparecimento da espécie ou à não adaptação dela ao ambiente”, disse na época. Em alguns trechos dos principais rios da região, não há mais a presença de peixes, caso do rio Preto, córrego Piedade e São Domingos.
Em setembro deste ano, a reportagem do Diário percorreu os principais córregos da cidade e constatou muito lixo espalhado pelas margens. Quando caem na água, os resíduos utilizam o oxigênio destinado aos peixes para sua decomposição, colocando em risco todo o ecossistema aquático.
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COMENTÁRIOS
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Jorge Gerônimo Hipólito
postado em
15/11/2009
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A última glaciação foi a Wür e se dividiu em três períodos, ou seja, Wür I, Wür II e Wür III. O último ocorreu faz 11.000 anos e, eu, sinceramente, desejaria que agora pudesse dar início ao Wür IV. Por quê? Porque acredito que as glaciações ocorrem justamente para corrigir as alterações do ambiente. Por exemplo, nós poluímos, contaminamos, desmatamos, fazemos guerras e não adianta esse ou aquele querer impor, pois jamais será ouvido. Prova disso podemos constatar aqui mesmo no nosso mundo denominado São José do Rio Preto. Aqui somos 400.000 pessoas e contamos MPF, MPE, PF, PAMB, CETESB, COMITÊ DE BACIA, ONGs, OSCIPs, EXECUTIVO, LEGISLATIVO, JUDICIÁRIO, SEC. MEIO AMBIENTE, SEMAE, IMPRENSA (jornais) e REDES DE TVS, onde todos sabem da necessidade de se arborizar as ruas, tratar a água suja das indústrias e não jogar lixo nas ruas. Mas, muitos que moram aqui na cidade também são proprietários rurais e sabem que deveriam preservar as reservas florestais “obrigatórias” e as matas ciliares, uma vez que essas preservam a quantidade e a qualidade da água. Outros que também moram aqui constroem poços semi profundos, ás vezes, sem orientação técnica. Assim, o tempo vai passando e de quando em vez tomamos conhecimento dos efeitos negativos decorrentes do nosso comportamento. Na minha opinião, o ato de cuidar do meio ambiente propicia garantias para se viver o presente, pois, com relação ao futuro, talvez, o Wür IV venha ser o único “CÓDIGO DE REGRAS” a ser obedecido, independentemente da nossa vontade. Concluindo, eu diria que o derretimento das geleiras possa ser sinal de que em breve teremos nosso comportamento retificado. Enquanto isso, o céu é o limite nas questões do ”desenvolvimento”.
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