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Meio ambiente
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São José do Rio Preto, 19 de Junho, 2010 - 8:30
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Concentração de ozônio beira o intolerável
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Guilherme Baffi
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Luana Pradella e Cristiane da Silva costumam se exercitar somente no fim da tarde para evitar riscos à saúde
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A poluição do ar por ozônio atingiu o limite do tolerável em Rio Preto. Estudo da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) com base nas medições na estação de medição instalada no bairro Eldorado, zona norte, em 2008 e 2009 aponta que a concentração do gás tóxico no município está “em vias de saturação”, o que equivale a mais de 90% do limite estabelecido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
“A situação é preocupante no município, e requer medidas para se evitar índices considerados perigosos à saúde”, diz Maria Helena Martins, gerente da divisão de qualidade do ar da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
O gás ozônio é formado pela soma, na presença de luz solar, de hidrocarbonetos - geralmente exalados pelos escapamentos dos veículos - com os óxidos de nitrogênio presentes na queima da palha da cana e em combustível fóssil, gasolina ou óleo diesel, evaporados no ar. Se na alta atmosfera o ozônio protege o planeta dos raios ultravioleta, próximo à superfície o gás atinge diretamente as vias respiratórias do ser humano, provocando ressecamento das mucosas, dificuldade respiratória, crise asmática e até câncer no pulmão.
Há indicativos de que a concentração de ozônio na atmosfera em Rio Preto venha aumentando. Nos últimos 41 dias, de 1º de maio até anteontem, o ozônio atingiu índices regulares em 21, sendo que em três a concentração beirou níveis inadequados à saúde. No mesmo período de 2009, só houve índices regulares em 10 dias - os demais foram classificados como bons.
“Esse aumento chama a nossa atenção, mas é preciso acompanhar um período mais longo, de quatro ou cinco anos, para constatar um aumento real”, diz José Benites de Oliveira, gerente regional da Cetesb. Para ele, esse crescimento pode estar relacionado ao aumento da frota de veículos no município.
Tarde
Como o ozônio se forma a partir da incidência dos raios solares, a maior concentração do poluente ocorre entre 13h e 16h. “Nesse período, não é aconselhável fazer atividades físicas, porque se respira maior quantidade de ar que pode estar com ozônio”, diz o fisiologista da Famerp Kazuo Nagamine. O horário ideal para a prática de exercícios, segundo ele, é no início da manhã, até as 10h, e no fim da tarde, após as 17h.
A personal trainer Luana Pradella, 29 anos, e a veterinária Cristiane da Silva, 30 anos, costumam se exercitar somente no fim da tarde. Mas ontem resolveram antecipar a caminhada na Represa Municipal. E sentiram a diferença no organismo. “A respiração fica mais ofegante e a garganta seca mais fácil. Com certeza o desconforto é maior”, afirma Luana. A mesma sensação teve o aposentado José Rudinei Pimenta, 68 anos, que ontem decidiu correr com o sol a pino, às 15h. “O cansaço é maior”, afirma.
Prevenção
Para evitar que a concentração de ozônio atinja patamares muito elevados em Rio Preto, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado pretende adotar maior rigor na concessão de licença ambiental para novos empreendimentos industriais. “No caso de empresas cuja atividade emita óxidos de nitrogênio, vamos exigir compensação para autorizar o funcionamento”, diz a gerente de qualidade ambiental da pasta. Atualmente, existem 25 regiões no Estado saturadas por ozônio. Apenas duas não enfrentam problemas com o gás: Presidente Prudente e Marília.
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