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Colaboração Professora Mirella Marques dos Santos
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São José do Rio Preto, 16 de Julho, 2010 - 10:37
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Para um professor produtor de conhecimento:leitura e escrita
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1. Introdução
É fato que a sociedade atual precisa de um professor muito diferente daquele dos séculos anteriores. Se visitarmos a história da educação poderíamos dizer que o profissional da educação tinha que ter amor pelas crianças e muita paciência. Eram as chamadas “tias” aquele símbolo de delicadeza e irrepreensível afeto pelos seus alunos. A sociedade evoluiu e precisamos antes de tudo criar uma identidade para o professor, que o mesmo se defina como um profissional que estuda e domina sua área de atuação. Segundo Bernard Charlot (2003): "... no Brasil, o saber deve ter efeitos emocionais para ter valor. O lado afetivo do saber é muito valorizado, por isso algumas professoras têm grande dificuldade em deixar de ser ‘tias’. Na França, a escola é mais uma instituição. Lá a professora não é ‘tia’. A escola realmente é uma instituição, e deveria ser encarada como tal em nosso país.”
Para a construção de uma educação que leva realmente a sociedade a ser crítica e consiga ser ponte pela qual a criança entre em contato com o conhecimento sistematizado pela humanidade e que acima de tudo torne-as autônomas, precisamos de um profissional com habilidade e conhecimentos específicos da docência.
Neste texto trabalharemos a escrita, sendo esta na forma de registro que trabalha na perspectiva de um profissional que reflete sobre a sua prática e que articula com a teoria. Podemos dizer então que esta linha de pensamento acredita que o professor seja capaz de interpretar sua realidade, que se torne um professor pesquisador e de fato reflexivo.
2. A necessidade da escrita
Muito se discute no campo educacional e sobre a importância da leitura e da escrita na constituição do profissional. A falta de suporte teórico faz com que o senso comum dentro da escola sobreponha ao conhecimento sistematizado e que a prática morra em sua própria simplicidade não levando assim para o caminho da reflexão e geração de conhecimento construído e sistematizado.
Dentro desta lógica temos que salientar a pobreza dos textos e materiais lidos pelo professor, sendo que estes, muitas vezes, se resumem em artigos de jornais, revistas e material prático sobre atividades em sala de aula. A qualidade e eficiência dentro da instituição passam necessariamente pela consistência e formação do educador. Seguindo esta linha, é que destacamos a importância do registro dentro do cotidiano da escola. Sistematizar as experiências do dia-a-dia em sala de aula, a prática pedagógica, e as situações dentro do ambiente escolar fazem com que o professor reflita sobre o mesmo, tornando-o um mecanismo muito eficiente de construção de um ensino de qualidade. Indo além, faz com que surja a necessidade da busca pelo estudo e pela teoria. Para isso Zabalza (1994) nos diz que: “... a atividade escrita arrasta consigo o fato de a reflexão ser condição inerente e necessária a sua elaboração.”
O professor precisa ser um produtor de conhecimento, a sala de aula é um ambiente rico em experiências e vivências e o mesmo deve ter a responsabilidade e habilidade para transformar sua prática e pesquisa em contribuições educacionais.
3. Conclusão
Forma-se assim o profissional da educação que é ao mesmo tempo atua na área do ensino, pesquisa e extensão, já que as transformações da prática docente só se efetivam na medida em que ele, a partir da ação efetiva, amplia a sua consciência sobre a sua própria prática. Dessa forma, a reflexão sistemática sobre a própria prática é o elemento constituinte fundamental. Nesse sentido, o Pedagogo é o profissional da educação capacitado para a prática docente reflexiva, para assumir atitudes de produção e difusão do conhecimento científico e tecnológico, bem como assumir atividades emergentes no campo educacional. (CECHINEL,2000, p. 13)
4. Referência bibliográfica
- CECHINEL, José Carlos. Manual do Estudante. Florianópolis: UDESC/CEAD, 2000a.
- Manual do Tutor. Florianópolis: UDESC/CEAD, 2000b.
- Zabalza, Miguel A. DIÁRIO DE AULA: Um instrumento de pesquisa e desenvolvimento profissional. Zabalza, Miguel; trad. Ernani Rosa. - Porto Alegre: Artmed, 2004
- CHARLOT, Bernard. “Saber + prazer + tensão = escola”. São Paulo: Revista EducaRede, 2003. Disponível em: . Acesso em: 14 jun 2010.
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COMENTÁRIOS
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Erotildes
postado em
25/07/2010
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De muita coragem o artigo. Os professores deveriam deixar de lado um pouco o papel de vítima e começar a tomar também a responsabilidade enquanto profissional.
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Fernando
postado em
24/07/2010
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Realmente é algo para refletir. Temos mais tias que professores nas escolas, nas escolas não deveriam tratar de assuntos banais e o senso comum. Quando chegam a faculdade não sabem se familiarizar com o processo de aquisição de conhecimentos inéditos, não são questionadores, dificilmente serão geradores de conhecimento e opinião, estaremos sempre um passo atrás.
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