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Tragédia no Haiti
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São José do Rio Preto, 15 de Janeiro, 2010 - 0:13
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Militar de Mirassol está entre os desaparecidos no Haiti
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AP
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Sobrevivente é resgatado de escombros em Porto Príncipe: em Mirassol, família aguarda por notícias do coronel João Elizeu Souza Zanin
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A notícia de que o coronel João Elizeu Souza Zanin, 46 anos, está desaparecido nos escombros do terremoto que devastou Porto Príncipe, capital do Haiti, abalou a sua família, que mora em Mirassol. Nas últimas 60 horas, os familiares não largam a televisão, internet e telefone na esperança de receberem boas-novas. Coronel Zanin trabalha no gabinete do comandante do Exército do Brasil e chegou ao Haiti na segunda-feira passada, um dia antes da tragédia. Ele telefonou para a mulher e os filhos adolescentes, que residem em Brasília, e contou que a viagem fora tranquila. Depois, não houve mais contato.
No momento dos tremores, coronel Zanin estava em companhia de três colegas brasileiros na sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Com os tremores, o prédio ruiu. Desde então, a família se consome em informações que não se confirmam e boatos. Os quatro desaparecidos são procurados. Cely Zanin está abalada, mas tem fé em que o marido será encontrado vivo. “A dor é grande, a angústia sem fim. Ainda tenho fé de que eles voltarão vivos para nossas famílias. Peço a todos os irmãos brasileiros que orem.”
Elizeu Zanin se refugiou ontem no sítio da família, em Jaci, para não responder as incontáveis perguntas sobre o filho desaparecido. Ele sofre demais com a espera e não consegue conter as lágrimas. “Para um pai, é difícil. Se ele estivesse perto, eu tentaria ajudar.” O aposentado não esconde que não dorme há dois dias seguidos e pretende esperar o quanto for necessário. “Ele vai voltar vivo. Só vou acreditar no pior quando vir o corpo.”
Momentos antes do embarque para o Haiti, o coronel ligou para o pai, se despediu e ouviu palavras de incentivo. “Boa sorte, filho. Vá com Deus.” Coronel Zanin é um dos quatro filhos de Elizeu. Fábio e Fernando moram em Mirassol. O outro irmão, um médico, morreu em acidente de carro.
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Reprodução
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O coronel Zanin, em foto antiga, com uma filha: parentes apreensivos
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Carreira
Coronel Zanin é um apaixonado pelo que faz. Ele nasceu, cresceu e morou em Mirassol até os 15 anos. Depois, deixou a família, seguiu para Campinas e ingressou na escola militar. O empresário César Gomide Oliveira esteve com o amigo na empreitada, mas desistiu nos primeiros meses. “Começamos por influência de amigos. Só que o Zanin gostou e seguiu em frente. Ele sempre falava que queria chegar a general.”
Depois de concluir o colegial em Campinas, Zanin fez Academia das Água Negras, em Resende-RJ, e saiu como aspirante a oficial. Depois, rodou o Brasil devido ao trabalho e se fixou em Brasília em 2009. O dentista Luís Fernando Zanin, 39 anos, afirma que o irmão iria ficar no Haiti por dois meses, com objetivo de auxiliar no rodízio da tropa brasileira - cada militar permanece no país caribenho por seis meses. O Haiti está sob intervenção da ONU desde 2004, e o Brasil mantém 1,3 mil militares na missão de Paz.
De acordo com Luís Fernando, o irmão completou 30 anos de carreira e pode se aposentar. “Ele gosta muito do que faz e estava animado com a missão. Sempre que tinha um tempo, vinha para Mirassol ver a gente. Estamos apreensivos. Não consigo largar o telefone.” A federação da Cruz Vermelha estima que entre 45 mil e 50 mil pessoas morreram no terremoto que arrasou o Haiti. Subiu para 14 o número de militares brasileiros mortos na tragédia. Além dos quatro que ainda estão desaparecidos, outros 14 ficaram feridos.
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Guilherme Baffi
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Os pais do cabo Everton, Celeste e Pedro Barbosa: alívio
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Cabo sofreu arranhões
As famílias do soldado rio-pretense Heitor Liebana Verges, 20 anos, e do cabo Everton Luís Barbosa, 23 anos, não conseguem esconder a ansiedade apesar dos jovens terem entrado em contato por telefone do Haiti, onde participam da missão da ONU, e anunciado que estão bem. Verges não se feriu. Já Barbosa sofreu arranhões pelo corpo. Devido à precariedade das comunicações, o mirassolense só conversou com os pais, o metalúrgico Pedro Francisco Barbosa, 51 anos, e a costureira Celeste Luíza da Costa Barbosa, 53 anos, quase dois dias após a tragédia.
Pedro afirma que passou a noite e madrugada inteira, depois do terremoto, na frente da televisão. “Fiquei ligado para ver se o nome dele aparecia na lista de mortos. Ouvir a voz dele me deixou um pouco mais tranquilo.” Celeste diz que o coração de mãe está apertado e que só vai relaxar quando o filho entrar em casa.
Jeni de Carvalho Liebana, 50 anos, recebeu duas ligações do filho, uma pouco depois da tragédia e outra ontem. Verges voltaria para o Brasil duas horas depois dos tremores, mas o voo foi cancelado. A sua bagagem já havia sido despachada. Verges falou para a mãe que recebeu uniforme e está triste pela morte dos colegas. “Estou ansiosa para revê-lo. Ele não sabe quando vai voltar para casa.” Tanto Verges quanto Barbosa trabalham na remoção das vítimas nos escombros.
Veja mais:
Assista na TV Diário vídeo sobre reportagem especial "As feridas do Haiti"
Clique aqui na plataforma do Diário da Região Digital, e acesse na íntegra o suplemento exclusivo "O HAITI AGONIZA".
No final do ano passado, os repórteres Raul Marques e Rubens Cardia viajaram a convite do Ministério da Defesa. As histórias são de um povo castigado pela fome e pela miséria.
Abaixo, vídeos postados por haitianos no YouTube, que mostram o desespero da população logo após o terremoto:
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