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Música Paraguaia
São José do Rio Preto, 26 de Janeiro, 2010 - 0:10
‘Don’ Mauro da Costa Lima, o ‘poderoso chefão’ da harpa

Cecília Dionizio

Ferdinando Ramos
Aos 81 anos, mais de 50 deles dedicados à harpa, Mauro da Costa Lima revela que nunca precisou da música para viver, mas ela sempre foi sua grande paixão
No Paraguai, Mauro da Costa Lima, 81 anos, um brasileiro, é quem dá as cartas. Há anos residindo em Rio Preto, este agropecuarista de profissão é nada menos do que um dos maiores harpistas do mundo, a ponto de ser, entre os paraguaios - onde a harpa é o instrumento mais popular -, chamado de ‘Don’ Mauro. “Nunca busquei a fama, e por seguir os preceitos da minha espiritualidade, sempre preferi cultivar a humildade. Mas o reconhecimento, quando é espontâneo, é muito satisfatório, e isso tem acontecido comigo sempre, mesmo que nem sempre aqui”, brinca. Costa Lima nunca se arriscou a viver da música, mas ela é sua grande paixão.

No Paraguai, onde ocorrem os festivais mundiais da harpa, a presença do ‘Don’ é obrigatória. Também é tema de livros - o título mais recente é “Las Voces de la Memoria”, de Mario Rubén Álvarez - e um dos compositores mais gravados por harpistas de todo o mundo. “No Paraguai, tenho não só muitos alunos, mas também escolas que levam meu nome”, conta.

“É um artista no mais puro sentido da palavra”, diz Kátia Graceli, cunhada e admiradora do trabalho de Costa Lima. A paixão pela harpa nasceu em 1943, em Jataí, no sudoeste de Goiás, sua terra natal, quando ouviu pela primeira vez, de um músico andarilho, o som da harpa paraguaia - à época também conhecida como guitarreada paraguaia.

Em mais de 50 anos dedicados ao instrumento, Mauro da Costa Lima foi professor da dupla Tonico e Tinoco e da cantora Fafá de Belém, teve 16 temas gravados pelo maior intérprete da harpa no Paraguai, Nicolas Caballero, e admiradores como o comandante Rolim Amaro. Mas em Rio Preto, onde passou grande parte de sua vida mas jamais se apresentou, poucos sabem deste seu talento. Abaixo segue uma entrevista com Don Mauro, o “poderoso chefão” da harpa, onde explica o funcionamento do instrumento e fala de carreira e futuro.

Diário da Região - O que o levou a tocar harpa? O que diferencia a harpa de um violão, por exemplo?
Don Mauro da Costa Lima - Fui conquistado pela harpa. A diferença entre a harpa e o vilão é que a harpa possui de 36 a 38 cordas. Já a harpa clássica possui 48 cordas. Além disso, se difere na sonoridade e também na mecânica.

Diário - Quando diz que usavam tripa de carneiro para tocar, como a corda era feita?
Don Mauro - As cordas de tripas eram as únicas existentes na época dos anos 40/50. Os instrumentos de corda (violino, violoncelo, contrabaixo acústico) até hoje a utilizam.

Diário - Quem são seus inspiradores?
Don Mauro - Inspiradores... Não busquei esta cultura que chamam de endo-hispânica, fui conquistado por ela na adolescência. Música e composição nascem, não se fabrica. Inspiração não se explica.

Diário - O senhor já representou o Brasil em muitos países. O que pode falar sobre a música celta, que também se vale da harpa?
Don Mauro -Os harpistas celticos têm base na Bretanha francesa, Islândia, e são sucessores dos músicos andarilhos da Idade Média. As harpas deles têm de 22 a 32 cordas e o repertório é totalmente diferente. Nem eles se assimilam ao nosso estilo e repertório nem nós aos deles.

Diário - Por que o senhor optou pela música paraguaia?
Don Mauro - Além do tema endo-hispâncio, que é como se denomina o estilo daquela região, também tenho várias músicas que erroneamente são chamadas de música sertaneja, quando o correto seria nordestina. No Centro-Oeste, dizemos música caipira. Embora acredite que o mais correto seria música rural do Centro-Oeste. O estilo do sul é diferente, mas é mais parecido com o cancioneiro rural argentino.

Ferdinando Ramos
Don Mauro toca sua harpa no ‘santuário’ mantido em sua casa, em Rio Preto
A harpa ao longo da história

A harpa é considerada um instrumento que marcou presença na história musical da humanidade. Sua trajetória data de cinco mil anos. Há quem diga que a harpa chegou à América na época da invasão, mas segundo os historiadores Batuíra de Assis, engenheiro e professor de matemática em Goiânia, e João Messias de Almeida, dentista e artesão (além de harpista e fabricante de harpas), o instrumento já era há muito tocado por astecas, no México.

A história da harpa, no entanto, é relatada pelos pesquisadores como tendo atravessado a Irlanda, onde o instrumento é cunhado em sua moeda. No país europeu, a harpa de 20 cordas é a mais tradicional, conhecida também como harpa céltica, que tem tamanho equivalente a dois terços da harpa paraguaia. De lá, seguiu para a Espanha, de onde teria vindo até as Américas, no período de colonização.

No porto de Vera Cruz, no México, há uma harpa denominada jarocha que possui 32 cordas. O Paraguai é um dos maiores berços de talentos no instrumento.

Discos Gravados:


:: 1957 - Sonito en la Noche (Sozinho na Noite) - 1º LP de harpa gravado no mundo (interprete: Luiz Bordon)
:: 1976 - Por los Caminos de America
:: 1978 - Los Peñeros
:: 1982 - Rumbo al Paraguay
:: 1986 - Tierra Sonora
:: 1998 - Dom Mauro da Costa Lima e Orquestra
:: 2002 - Harpa e Canto
:: 2006 - Lo Mejor de Don Mauro da Costa Lima e do poeta Pablo Martinez
:: 2006 - Alma Cancioneira - Canto e Harpa
:: 2006 - Lembranças
:: 2008 - Che Maitei Don Felix

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