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Jogo das Seleções
São José do Rio Preto, 26 de Junho, 2010 - 1:45
Brasileiros invadem a Casa de Portugal, em Rio Preto

Helen Ventura e Bruno Xavier

Ferdinando Ramos
Muita gente foi ao Plaza para assistir ao jogo do Brasil contra os portugueses
Torcedores brasileiros “invadiram” a Casa de Portugal, associação que recebe lusitanos e seus descendentes. para acompanhar o jogo de ontem pela Copa do Mundo. No local, entretanto, não havia patrícios, apenas brasileiros fanáticos por futebol. Seria perfeito se a Seleção Canarinho tivesse vencido. Mas, apesar do 0 a 0, o fato de encerrar a primeira fase na liderança do grupo agradou a maioria.

O atendente Denis Moro, 21 anos, ficou satisfeito. “Esse jogo foi decisivo e a gente percebe que não está fácil para o Brasil. Mas ainda tenho fé de que a Seleção será hexa.” A promotora de vendas Vanessa Fonseca, 32 anos, acredita que assistir ao jogo em território adversário é garantia de sorte.







Ferdinando Ramos
A professora Janaína Richandra foi ao shopping com um grupo de amigos: ‘dá mais sorte’, afirma


Acompanhada de quatro colegas de trabalho, ela almoçou e acompanhou a partida na Casa de Portugal, saboreando bolinhos de bacalhau. “Fico apavorada a cada jogo. Assistir a partida aqui dá mais emoção, faz diferença. Estou confiante.” Os amigos Luís Tridapalli, 45 anos, Eduardo Naliati Neto, 29, e Alexandre Ferrari, 23, aproveitaram o intervalo para o almoço e também compareceram à casa dos lusitanos. “A amizade que o Brasil tem pelos patrícios sobressai. Além disso, os dois times têm um futebol bonito de se ver”, diz Naliati Neto.

Depois de receber elogios pela vitória de domingo (3 a 1 sobre a Costa do Marfim), o time escalado por Dunga ontem não agradou. “Faltou Robinho e Elano”, disse o programador Rafael Berrocal, 21 anos, que conferia o jogo no Plaza Shopping. O analista de sistemas Douglas Lopes, 26 anos, chegou a bocejar durante a partida, mas garante que o motivo não era o jogo. “É que acordei cedo. O Brasil até jogou bem no primeiro tempo, mas deixou Portugal livre no segundo.”



Ferdinando Ramos
Loja de variedades no Calçadão ficou aberta durante o jogo


Funcionários de um restaurante, a auxiliar de cozinha Lucimara de Souza, 28 anos, e o barman Marcílio Oliveira, 21, aproveitaram alguns momentos de pausa, já que a maioria preferia prestar atenção na televisão a comer. “Demos uma escapadinha para torcer pelo Brasil também”, diz Lucimara.

Campeão ou não, o que vale mesmo é a torcida. Pelo menos é o que acham os amigos Fernando da Silva, 22 anos, e Paulo Henrique Mariano, 19. Fantasiados de verde e amarelo, eles assistem todas as partidas do Brasil pelo Mundial no Rio Preto Shopping. A professora Janaína Richandra, 22 anos, reuniu os amigos para descontrair. “Estou aqui curtindo a Seleção. Acho que dá mais sorte quando junta uma galera assim.”




Edvaldo Santos
O aposentado Claudionor Alves prefere acompanhar as partidas pelo rádio
Calçadão tem pouco movimento

Lojas fechadas e pouquíssimas pessoas transitando. Em plena sexta-feira, hora do almoço, o cenário do Calçadão de Rio Preto ontem parecia a de um feriado, devido ao jogo entre Brasil e Portugal. O comerciante Michel Jorge, 32 anos, dono de uma loja de variedades, foi um dos poucos que manteve as portas abertas. “Tenho muitos produtos relacionados à Copa. As vendas foram boas antes do jogo”, afirma. Na hora da partida, funcionários de um clube compareceram à loja para engrossar a torcida pelo Brasil.

Sozinho, sentado na frente de uma papelaria com as portas fechadas, o aposentado Claudionor Alves da Silva, 62, preferiu acompanhar a partida pelo rádio. “A emoção é diferente. Como gosto muito de ouvir rádio, não o abandono nem na hora do jogo do Brasil.” Durante a partida, as lanchonetes foram responsáveis por pequenas aglomerações na região central.



Edvaldo Santos
Sem nenhuma chamada, bombeiros assistiram a partida toda
Dia tranquilo para bombeiros de plantão

Com um rádio-comunicador nas mãos, o soldado João Sampaio Cheregati acompanhou a partida entre Brasil e Portugal no trabalho, na sede do 13º Grupamento de Bombeiros, no bairro Boa Vista, em Rio Preto. Qualquer chamada do centro de comunicação poderia acabar com a tranquilidade diante da TV e fazer com que ele e outros nove bombeiros saíssem apressados para a rua.

A ordem de serviço não veio e os militares conseguiram assistir toda a partida em uma sala do quartel. “Preferíamos estar em casa, mas temos que respeitar a escala em qualquer circunstância, seja jogo do Brasil na Copa do Mundo, Natal ou Ano Novo”, afirma o cabo Onivaldo Oliveira. O clima durante o jogo é descontraído. Cada lance de perigo dos brasileiros ou jogada curiosa gera comentários divertidos entre os bombeiros. “Como ficamos muito tempo juntos, formamos uma família”, diz a sargento Marlei Oliveira, única mulher do plantão.

A confiança na equipe de Dunga é grande. “O time tem qualidade de sobra. Se os jogadores se empenharem nos jogos seremos campeões mais uma vez”, opina Cheregati. Durante a partida, apenas quatro ligações chegaram ao centro de comunicação: duas referentes a incêndios em terrenos baldios, uma de um mal-súbito de uma funcionária de uma escola e outra sobre um cachorro que invadiu uma residência. As ocorrências foram atendidas pelos quartéis dos bairros Alto Alegre e Vila União.

“As chamadas deverão aumentar nos jogos finais, quando os torcedores ficam mais exaltados e acabam ingerindo mais bebida alcoólica”, opina o subtenente Orlando Candeia Júnior. “Nas duas primeiras partidas tivemos alguns acidentes de trânsito. Antes dos jogos, a pressa de algumas pessoas para chegar em casa ou no local que vai assistir a partida provoca acidentes”, diz Candeia.

Thomaz Vita Neto
Enquanto uns motoristas promoviam buzinaço, outros queriam apenas chegar ao trabalho
Festa discreta e correria na avenida Andaló

O movimento de torcedores na Alberto Andaló foi discreto ontem à tarde, após o empate sem gols da Seleção Brasileira com Portugal. Alguns queriam comemorar, enquanto outros usavam a avenida para se locomover até o trabalho. Como a Polícia Militar não interditou parte da avenida, como ocorreu nos dois primeiros jogos deste Mundial, as manifestações ficaram restritas às calçadas.

Alguns motoristas ensaiaram um buzinaço, que só durou alguns minutos. “Dia de jogo do Brasil em Copa do Mundo deveria ser feriado nacional. Assim ninguém teria que voltar ao trabalho”, reclamou a estudante Ariza Ramos Fernandes, 18 anos. Acompanhada por duas amigas, a estudante Ana Carolina Costa Cabral, 18, também se decepcionou com o fraco movimento na principal avenida de Rio Preto. “Acho que se o Brasil tivesse ganhado as pessoas ficariam mais animadas e a comemoração seria maior”, diz. “Além disso, o horário também atrapalhou.”

>> O Diarioweb acompanhou mais uma vez a torcida brasileira no jogo entre Brasil e Portugal


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