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São José do Rio Preto, 11 de Fevereiro, 2012 - 1:46
Garotada afia a língua e solta o verbo em inglês

Graziela Delalibera

Sergio Isso
Fernanda, 4 anos, estuda em escola bilíngue e por causa dela a mãe resolveu também voltar a estudar inglês para poder conversar com a filha. Quem fica de fora agora é o pai da garota...
De olho na preparação dos filhos para o mundo globalizado, pais rio-pretenses investem no estudo bilíngue e, depois de um tempo, acabam surpreendidos com a presença de mini-poliglotas dentro de casa. É o que acontece com a psicóloga Daniela Brandi, 35, mãe de Pedro, 5, matriculado desde os sete meses em uma escola bilíngue. “No dia a dia, quando falo em inglês com ele, primeiro ele corrige minha pronúncia, depois me responde”, conta.

O garoto consegue assistir filmes em inglês sem necessidade de legenda, e leva para o convívio da família expressões da segunda língua que aprende na escola. “Quando o Pedro está distraído acaba usando palavras do inglês. Um exemplo é quando pede para amarrar o tênis. Os avós que sofrem, pois palavras introduzidas ao nosso vocabulário, se pronunciam errado, ele não perdoa. Outro dia mesmo pegou no pé da minha mãe para ela falar nuggets da forma correta.”

Quando Pedro está na companhia do casal de primos que estuda na mesma escola, de 7 e 5 anos, é o inglês que predomina. “Às vezes dá até impressão que eles não querem que a gente saiba do que estão falando”, brinca Daniela. A convivência com os pequenos bilíngues até força alguns pais a se reciclarem. A dentista Fabiane Bimbato Marques Rugai, 37, tinha o inglês básico quando matriculou a filha Fernanda, 4 anos, em uma escola bilíngue de Rio Preto. Preocupada em interagir melhor com a filha, na época com 1 ano, ela resolveu começar a ter aulas do idioma. Fez o curso durante três anos e chegou ao estágio avançado.

Hoje, com a segunda filha, Melissa, 6 meses, na mesma escola, Fabiane tem perfeita integração com Fernanda na segunda língua. “É gostoso. Canto as musiquinhas da escola com ela, converso com as professoras em inglês. Até para colocar de castigo, uso o inglês, que é ‘time out’. Há pouco tempo, a palavra ‘castigo’ não tinha nenhum sentido para ela, pois na escola usam ‘time out’.” Nessa convivência, segundo Fabiane, quem “fica boiando” é o pai das meninas, que não tem paciência para aprender idiomas, e nem tempo, por causa da profissão.

As escolas bilíngues seguem o currículo e o calendário nacionais, mas há aulas ministradas na língua pátria e no segundo idioma. Em Rio Preto, há dois estabelecimentos de ensino bilíngue, de educação infantil e ensino fundamental, a Escola Bilíngue America School for Kids, (a mais atinga, desde 2002) e a Maple Bear Canadian School (escola bilíngue canadense aberta no segundo semestre do ano passado), ambas com foco no inglês como segundo idioma.

Segundo a diretora pedagógica da America, Josiane Martins, a maioria dos pais que buscam esse tipo de ensino já teve problemas quando precisou do idioma e não querem que o filho passe pela mesma situação. “Os pais entenderam a importância de colocarem outro idioma para a criança. Nossa escola não é só informação, mas também formação, inclusive cultural, porque a partir do momento em que a criança descobre uma outra língua, descobre um novo mundo”, diz.

A publicitária Carla Nassif, 32, mãe de Vitória, 5, que sempre teve dificuldade para aprender inglês, colocou a menina em uma escola bilíngue pensando no que o mercado profissional pedirá lá na frente. Ela já colhe resultados e diz que percebe que a filha, além de falar, também pensa em inglês. “Tenho uma certa dificuldade, mas hoje o que não sei pergunto para as professoras dela, procuro no Google, e sei que conforme o tempo vai passando vou aprendendo com ela. Eu com meus 32 anos estou aprendendo com ela de 5. É gostoso e uma troca muito bacana.”

Edvaldo Santos
Pedro, 5 anos, e já conversa em inglês: quando algum adulto fala algo errado, ele chama a atenção
Acesso ainda é para poucos alunos

Na Maple Bear, Renata Spin, coordenadora pedagógica, explica que o ensino é pelo método canadense, e as crianças aprendem a ter autonomia e independência para trabalharem sozinhas e em pequenos grupos, e a seguirem instruções. Além disso, a capacidade de aprender novas línguas, artes e música é mais aguçada, além do raciocínio lógico ser bastante desenvolvido.

A gestalt terapeuta infantil Cristiane Bertucci Nicoleti explica que as crianças bilíngues tornam-se mais observadoras e atentas, pois aprendem a prestar atenção nas diferenças entre as duas línguas que conhecem, e isso é estendido para seus relacionamentos interpessoais e atividades de vida diárias. “Existe uma pesquisa que diz que o filho mais novo tem mais domínio da segunda língua do que o filho mais velho.”

Ela observa que não é possível generalizar quando o tema é estudo bilingue, uma vez que cada criança responde de uma determinada forma. “Mas a grande maioria apresenta vantagens cognitivas, como por exemplo a antecipação de pensamentos cognitivos em cálculos, o que está ligado ao desenvolvimento da lógica. O bilinguismo não aumenta a inteligência, mas a criança crescer falando duas línguas pode influenciar em alguns aspectos da inteligência.” O acesso a esse tipo de ensino, no entanto, ainda é bastante restrito. As mensalidades são acima de um salário mínimo, podendo chegar a quase R$ 1 mil, dependendo da escola.

Serviço: Algumas Escolas bilíngues:
Escola Bilíngue America - School for Kids - Telefone: 3231-2615
Maple Bear Canadian School - Telefone: 3212-9676

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