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São José do Rio Preto, 9 de Fevereiro, 2012 - 1:50
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Alunos levam ‘bomba’ em português e matemática
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Allan de Abreu e Elton Rodrigues
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Hamilton Pavam
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Menos da metade dos alunos da 8ª série (9º ano) do fundamental em 82 dos 84 municípios da região
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Em 82 das 84 cidades da região de Rio Preto, menos da metade dos alunos da 8ª série (9º ano) do ensino fundamental domina o conteúdo de língua portuguesa adequado à série. A grande maioria dos estudantes não consegue, por exemplo, analisar períodos compostos em um texto, nem produzir uma dissertação simples. Em matemática, a situação é ainda pior: nenhum município do Noroeste atinge metade dos alunos com conhecimento básico exigido para a 8ª série, como cálculo de perímetro e resolução de equações de primeiro e segundo graus.
Os dados constam do relatório anual do movimento Todos Pela Educação, com base na última Prova Brasil, aplicada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2009. Os números incluem escolas públicas e privadas. Em Rio Preto, só 15,8% dos alunos do 9º ano dominam os conceitos de matemática básicos para a série, e, em português, 32,9%. Para a coordenadora geral da entidade, Andrea Bergamachi, os dados apresentados pela pesquisa são “assustadores”, e refletem a falta de investimento na educação. “Até agora, cuidou-se de colocar a criança na escola, mas o Estado esqueceu de investir na qualidade do ensino, que é muito ruim”, afirma.
Luana Cristina, 13 anos, estudante da 9º ano em escola estadual de Rio Preto, reclama da indisciplina dos colegas e do despreparo de alguns professores. “Eles não conseguem ter o controle dos alunos. Eos próprios alunos conversam muito e ficam brincando.” Em matemática, a situação é pior: 15 municípios da região não atingem 10% de conhecimento adequado à 8ª série. O pior deles é Macaubal, com índice de 3%, seguido de Paulo de Faria (3,2%), Riolândia (3,5%) e Zacarias (3,7%). Em língua portuguesa, os índices mais baixos foram registrados em Sales (6,1%), Riolândia (7%) e Mirassolândia (7,4%).
Em todas essas cidades, o 9º ano é de responsabilidade do governo estadual. Elizabete Máximo Reame, diretora de escola em Sales, atribui o baixo percentual em língua portuguesa ao “desânimo” dos alunos do período noturno. “Eles chegam cansados do trabalho, e mostram desinteresse. Tanto que a evasão é grande.” Já a vice-diretora de escola em Riolândia Lucélia Rosa dos Santos diz que o dado está desatualizado. “Desde a Prova Brasil de 2009 houve um grande investimento na escola que deve se refletir no teste de 2011 (ainda não divulgado)”, afirma.
Na outra ponta, Cedral teve o melhor desempenho regional tanto em matemática (44,1% dos alunos dominam os conceitos básicos adequados ao 9º ano) quanto em língua portuguesa (55,9%). O segundo ciclo do ensino fundamental (5ª a 8ª série) é responsabilidade do município, mas o coordenador da Educação em Cedral, Antonio Bento, não retornou as ligações da reportagem.
Outro município bem colocado é Macedônia, onde 50% dos estudantes dominam o conteúdo exigido em língua portuguesa para o 9º ano, administrado pelo governo estadual. Já em Pindorama, segunda colocada em matemática na região, com 34,1% de domínio da disciplina pelos estudantes, o último ano do fundamental é responsabilidade do município. “Fizemos um investimento forte na capacitação continuada dos professores e também no reforço de aprendizagem do aluno”, diz a secretária de Educação, Luciane Maria Biancardi.
Movimento tem cinco metas
O Todos Pela Educação é um movimento financiado pela iniciativa privada criado em 2006. O objetivo é garantir o acesso a uma educação básica de qualidade, resumida em cinco metas que devem ser cumpridas até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil.
A primeira meta é incluir toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola. Alfabetizar todos os alunos até os 8 anos é a segunda meta. A terceira é que ao menos 70% dos alunos tenham o aprendizado adequado à sua série, sendo que a quarta é fazer com que todo adolescente tenha concluído o ensino médio até os 19 anos e o investimento em educação seja ampliado.
Degraus
Com relação à terceira meta, o movimento prevê degraus de evolução de todos os municípios brasileiros, a partir da Prova Brasil de 2005. No 9º ano do fundamental, a situação da região de Rio Preto é bem pior em matemática: apenas 38 cidades atingiram a meta para 2009, e 29 delas regrediram em relação ao índice de 2007. Em língua portuguesa, 74 cidades chegaram à meta, e seis regrediram.
Nota baixa atinge metade do ensino básico
Em 42 dos 84 municípios da região, mais da metade dos alunos do 5º ano da rede pública e particular não sabe diferenciar um sujeito do predicado ou identificar um verbo em uma oração, itens básicos da disciplina de português. Na matéria de matemática, o desempenho é menos pior: em 28 delas, mais de 50% dos menores não têm conhecimento para a idade, o que significa não executar no mínimo as quatro operações: soma, subtração, divisão e multiplicação, além do princípio de geometria e conjunto.
Apesar disso, a média da região de conhecimento nessas duas matérias, que é de 56% em matemática e 51% em português, ainda é maior do que a média do Estado de São Paulo, que é 46,5% e 45,6%, respectivamente, e a do Brasil, com 34,2% na primeira disciplina e 32,6% na segunda. Os números são do ano de 2009 e foram divulgados anteontem pelo relatório anual do movimento Todos pela Educação, que desde 2005 faz uma projeção dos de evolução da nota na Prova Brasil, aplicada a estudantes das redes públicas e privadas do país, localizados nas áreas rural e urbana e matriculados no 5º e 9º anos do ensino fundamental, e também no 3º ano do ensino médio.
A situação mais crítica da região está em Altair, onde apenas 11% dos alunos dominam a disciplina de matemática, enquanto 15% a de português. As crianças mais preparadas são as que estudam em Neves Paulista. A avaliação de 2009 mostrou que 98% sabem matemática e 96% português. A coordenadora de educação de Altair, Cleusa Maciel, diz que o fraco desempenho dos alunos é consequência do desinteresse e falta de investimento do município em educação na administração de 2005 a 2008. “Na época fazia parte do quadro de professores e sei que não existia nenhum tipo de cobrança da Prefeitura para melhorar a qualidade do ensino”, disse. “Quando assumi, não tínhamos nem coordenação pedagógica. Agora, reverti esse quadro e acompanho de perto o trabalho em sala de aula”.
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