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São José do Rio Preto, 7 de Fevereiro, 2012 - 1:50
Crianças disputam espaço com andaimes, escadas e pedreiros

Elton Rodrigues

Guilherme Baffi
Alunos passam por local com andaime (fundo) e operários em ação
No primeiro dia de aula nos Núcleos da Esperança de Rio Preto, os alunos tiveram de disputar espaço com andaimes, escadas e materiais de construção. A situação mais crítica é do Santa Clara/Bosque Verde. Na escola de ensino fundamental, ontem, existia andaime e escadas no pátio e funcionários trabalhando na finalização da obra. A cozinha não está pronta, portanto as crianças precisam atravessar o canteiro de obras até a escola de ensino infantil para receber o lanche. O sistema de internet e telefone também não funciona.

No Vila Azul/Navarrete, nem mesmo o empenho em vários turnos de operários conseguiu terminar a rua de acesso ao núcleo. Os alunos que iam embora a pé tinha de dividir a rua de terra com carros e maquinários. No pátio externo, um barranco e pontas de ferro expostas no concreto ameaçavam a segurança das crianças, que, sem opção de diversão, improvisam brincadeiras com bola e bambolês no intervalo.

O núcleo Schmitt/Santa Catarina é o que melhor atende as crianças. Todas as instalações das escolas de ensino infantil e fundamental estão prontas. No Alvorada/Bela Vista, a escola de ensino fundamental deverá ficar pronta em abril ou maio, segundo o prefeito. No espaço faltam piso, telhado no pátio e acabamento, mas as obras não atrapalham os alunos do ensino fundamental que ficam em um prédio ao lado, separado por um muro.

De acordo com a Prefeitura, os núcleos foram criados para oferecer um novo conceito de educação no município e atender moradores de loteamentos clandestinos e da periferia da cidade. Além das escolas, a estrutura é composta por duas piscinas, quadra poliesportiva, campo de areia, salas de multiuso para estudo, reforço escolar e aulas de informática, porém essa parte da obra deverá ficar pronta só em setembro.

A auxiliar de produção Amélia Cassani, 27 anos, está preocupada com a segurança do filho Kawan, 6 anos, matriculado na escola de ensino fundamental do Santa Clara/Bosque Verde. “Não deveriam abrir a escola sem terminar. O espaço é bonito e terá uma boa estrutura, mas do jeito que está agora uma criança pode correr e se machucar”, disse.

Quem também está apreensiva é a garçonete Maria Lucia da Silva Salvador, 31 anos. Moradora do Santa Clara, ela matriculou ontem a filha Raissa, de um ano. “Ficou bem mais perto para levá-la, porém vou pedir que cuidem dela para que não se machuque”, revelou. Em meio a poeira e dividindo espaço com máquinas e carros, a dona de casa Natália Goes, 23 anos, voltava do núcleo da Vila Azul/Navarrete com o filho Henry Gabriel, 4 anos. Enquanto a rua de acesso ao local não fica pronta, pedestres, veículos e maquinários da Constroeste, empresa responsável pela pavimentação da rua, têm de trafegar em uma rua de terra estreita. “Isso está errado. Tem muitas mães que buscam os filhos a pé. Deveriam ter pensado nisso antes, porque essa rua está horrível”, disse Natália.

Cerca de 15 alunos do Santa Clara/Bosque Verde, além de ficar ao lado do canteiro de obras na escola, precisam enfrentar uma caminhada de pelo menos seis quarteirões para chegar em casa. Isso porque o ônibus da prefeitura não chega até o bairro Marisa Cristina 2, onde moram. “O motorista disse que só poderia levar crianças menores, por isso deixa os mais velhos, de seis e sete anos, em um bairro antes. Eles são pequenos e não aguentam andar muito, principalmente sob o sol quente”, disse uma mãe que preferiu não se identificar.

Na tarde de ontem, seis mães estavam na escola para pedir que o transporte seja adequado. Outro problema relatado por elas é de que o vale transporte para quem estuda fora do bairro ainda não tinha sido liberado. “O problema começou no ano passado. Agora, minha filha de sete anos não foi à escola porque está sem transporte”, disse a garçonete Maria Lucia da Silva Salvador, 31 anos.

Guilherme Baffi
Escada mostra que as crianças encontraram obras no Santa Clara
Outro lado

A Secretaria Municipal de Educação de Rio Preto, por meio de nota, informou que no núcleo Santa Clara/Bosque Verde, andaimes e demais materiais de construção estão localizados na área do complexo de convivência, que ainda não foi liberado para uso. Com relação à cozinha não foi informado prazo para conclusão, mas as refeições já estão sendo servidas na escola fundamental. Já quanto a adequação do transporte, a pasta informou que a reclamação será apurada e tomadas as providências cabíveis.

A Educação negou a existência de quinas de concreto e o barranco no acabamento da quadra não oferece riscos. Negou ainda a informação sobre ferros fincados, conforme constatado pela reportagem. “Com relação à rua de acesso, a mesma está sendo finalizada e já começou a ser asfaltada devendo ser entregue nos próximos dias”, dizia ainda a nota.

A Prefeitura não informou a frequência e números de alunos sob a alegação de que os dados não estavam fechados devido ao período de transferências e matrículas. Além das escolas dos quatro núcleos, foram inauguradas ontem outras três creches (Nova Esperança, Parque da Liberdade e Aroeira) e uma escola de ensino fundamental no Nova Esperança, que irão atender, junto aos Núcleos, 5.900 crianças. No total, 36 mil estudantes de escolas de educação infantil, ensino fundamental e educação para Jovens e Adultos (EJA) mantidas pela Prefeitura retornaram às aulas ontem.

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