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São José do Rio Preto, 23 de Outubro, 2009 - 1:07
Ibilce sacrificou 381 mil bichos em estudos

Vívian Lima

Thomaz Vita Neto
O estudante Tiago Haruo Ishibashi com alguns dos animais que foram mortos em pesquisa no Ibilce
As atividades de ensino e pesquisa do curso de ciências biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Preto levaram à morte 381.024 animais em três anos. O número envolve os trabalhos coordenados por cerca de 40 docentes dos departamentos de biologia e zoologia. O número de cobaias abatidas foi contabilizado por um grupo de 12 alunos do Programa de Educação Tutorial (PET), coordenado pelo professor do Departamento de Biologia Classius de Oliveira. O professor afirma que o estudo foi feito com a preocupação de aliar produção de conhecimento e ética. “É uma preocupação de toda a comunidade científica abater o mínimo possível.”

O estudo, inédito na instituição, revela que em 2003 foram 90.826 animais abatidos. Em 2005 foram 192.175 e, em 2007, outros 98.023. Os números consideram tanto as cobaias mortas em atividades didáticas quanto em pesquisas. O professor explica que os números não são considerados excessivos. Isso porque há na insituição uma comissão de ética que analisa os projetos de pesquisa. Em caso de proposição excessiva no uso de cobaias, o projeto não recebe o aval da comissão. “O objetivo da pesquisa, que era apontar quantos animais são necessários para formar um biólogo, foi alcançado.”

A maior parte dos animais abatidos são invertebrados. Nas atividades de ensino eles correspondem a 99% das cobaias mortas e, nas atividades de pesquisa, são 79,3%. Dentre os invertebrados, os insetos estão entre os animais mais usados e abatidos. Uma explicação para isso está nas atividades das aulas práticas de genética, onde insetos são criados em meio de cultura, aos milhares. Já dentre os vertebrados, os grupos que mais tiveram animais mortos nas atividades de ensino foram aves e mamíferos. Considerando as atividades de pesquisa, os grupos mais usados foram peixes, mamíferos e anfíbios. Para o estudante do 4º ano do curso de ciências biológicas Tiago Haruo Ishibashi, 25 anos, os tipos de animais mortos refletem as linhas de pesquisa predominantes no campus. “Mostra o perfil do instituto, a linha de trabalho dos pesquisadores”, diz o estudante, que participou do levantamento sobre as mortes de cobaias.

Com relação ao pico de mortes registradas em 2005, o professor diz que o acréscimo é uma flutuação natural, que pode ser explicada, por exemplo, pelo fato de que naquele ano ocorreram mais projetos em etapa de coleta de dados ou trabalhos de campo. Parte dos animais abatidos é destinada ao acervo da universidade. Eles ficam armazenados, catalogados e à disposição de pesquisadores nacionais e estrangeiros. O que não fica nos acervos é descartado. “Os restos de animais são acondicionados em sacos para lixos biológicos e são incinerados”, diz o professor. Para ser utilizados na pesquisa, os animais são capturados no ambiente ou reproduzidos em laboratório.

 
     
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