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Educação
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São José do Rio Preto, 3 de Janeiro, 2010 - 0:03
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Linguagem da internet divide educadores
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Edvaldo Santos
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A linguista da Unesp Fabiana Komesu: professores devem aproveitar a linguagem usada na internet, em vez de ignorá-la
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C vc naum intende nd do q tah escrito aki, eh bom c acostumar. A nova língua surgida na internet não se limita mais apenas às salas virtuais de bate-papo. O internetês invadiu as salas de aula da região. É cada vez mais comum redações escolares e até trabalhos de faculdade mesclarem a língua culta com a de internet, que mistura abreviações, ausência de acentuação, símbolos e trocas de letras.
“Eles usam vc, tb, d+, bjs em redação e outros trabalhos de escola. Nós alertamos que não se escreve desse modo na escola, mas é cada vez mais difícil controlar. O aluno está desaprendendo a norma culta”, diz Paula Daniela Luzin Torraque, professora da escola estadual Oscar Dória, bairro Solo Sagrado, zona norte de Rio Preto.
Mas especialistas lançam um alerta: quem tem de se adaptar são os professores. “Essa é a realidade do aluno. Eles já cresceram com essa linguagem. Se a escola reprime, cria-se um fosso ainda maior entre o cotidiano dos jovens e o ambiente escolar”, diz Claudia Lima, professora do departamento de educação da Unesp em Rio Preto. Para ela, na raiz do conflito está a dificuldade do professor em compreender essa nova linguagem. “Muitos estão há 20, 30 anos no magistério e têm resistência ao computador e à internet, que podem mudar o ensino do modo a que eles se acostumaram.”
Celso Aparecido de Cerqueira Barreiro, 43 anos, é professor de história há 20 na rede pública rio-pretense. Ele incentiva o uso da rede em pesquisas escolares, mas condena o internetês. “No contexto da escola, não cabe o uso da linguagem da internet”, diz.
A linguista e pesquisadora da linguagem de internet da Unesp Fabiana Komesu discorda. Para ela, o professor deve se valer do internetês no dia-a-dia da escola para expandir a capacidade de comunicação do aluno. “Há inúmeras formas de explorar essa nova linguagem no aprendizado, como discussões em chats com outros professores, uso de blogs para discutir história, literatura, política.”
Uma vez por semestre, a professora de ciências da escola municipal Michel Pedro Savaia, do bairro Cristo Rei, zona leste de Rio Preto, promove um bate-papo pela internet com pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Eles se valem muito do internetês na conversa. Acho válido, porque eles aprendem muito, trocam experiência, não importa se não é na norma culta da língua”, afirma. Ela também incentiva o uso de e-mails para que os alunos tirem dúvidas sobre o conteúdo transmitido em sala de aula. “Às vezes me confundo um pouco com a linguagem, e tenho de pedir ajuda à minha filha para traduzir.”
Confusão
O uso do internetês, no entanto, não deve ser irrestrito, na opinião dos especialistas. “O aluno deve ter a clara percepção da escrita conforme cada contexto. Ele tem de saber que uma redação escolar exige a norma culta, diferente do bate-papo virtual. O professor deve deixar essa diferença muito clara na cabeça do estudante”, diz Fabiana.
Para a linguista, a confusão entre o internetês e a norma culta é decorrente de falhas das políticas de educação brasileiras. “Na pressa em formar o aluno, esquecemos de incutir nele os diversos contextos de escrita. Ele se forma sem ter essa noção, e expande o internetês para todas as situações de escrita.”
Rafael Felipe Rodrigues Battaglini, 15 anos, diz ser comum usar o uso da nova linguagem na escola onde estuda, em Catanduva. “Às vezes escapa, a gente nem percebe”, diz o aluno, que se considera “viciado” nas abreviaturas da internet. Rafael conheceu a nova linguagem aos 10 anos, quando começou a usar o MSN, programa de mensagens instantâneas.
A utilização do programa pelo estudante é tão grande que hoje só se comunica por vc, pq, q, tb. “Facilita a comunicação entre os jovens, aqueles que estão na internet, mas acaba atrapalhando na escola.”
Internetês é a nova gíria
O internetês surgiu com a implantação da rede mundial de computadores no Brasil, em 1995, mas se popularizou entre os jovens a partir do início da década, com a expansão da internet. “Criou-se essa nova linguagem para facilitar a digitalização em contextos de bate-papo, que exigem rapidez”, explica a linguista da Unesp em Rio Preto Fabiana Komesu.
Para isso, a nova língua abusa das abreviaturas - vc (você), tb (também), pq (porque) - , aboliu os acentos, substituídos pela letra h (tah para tá, eh para é) e incentiva o uso exacerbado de sinais de pontuação, como exclamações e reticências. Além disso, segundo Fabiana, o internetês abusa de recursos visuais e sonoros que tentam imitar a interação face a face, como expressões faciais (winks). “É uma linguagem cada vez mais oralizada.” O internetês nada mais é do que uma nova gíria, na visão da educadora Claudia Lima. “A diferença é que ela é escrita, não oral. Por isso gera tanta confusão na escola.”
Lara Cristina Oliveira Santos, 14 anos, está no primeiro ano do ensino médio. Do internetês, limita-se às abreviaturas. “Tem muita gente que escreve com muita gíria. Eu até escrevia um monte de coisa diferente, mas agora eu só abrevio mesmo”, diz. Ela garante que nunca escorregou para o internetês nas redações da escola. “Tem de saber o limite. Internet é internet, escola é escola. Tem de controlar.” (AA)
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