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Educação no lixo
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São José do Rio Preto, 17 de Agosto, 2010 - 3:50
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Apostilas são descartadas em canavial
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Guilherme Baffi
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Material foi descartado perto da Euclides da Cunha, às margens da estrada rural que divide Bálsamo e Tanabi
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Cerca de 700 apostilas de ensino fundamental e médio da Secretaria de Estado da Educação, impressas em 2008 e 2009 e ainda não utilizadas, foram encontradas em um canavial em Bálsamo, a cerca de 200 metros da rodovia Euclides da Cunha (SP-320), próximo a Tanabi. A diretoria regional de Ensino de José Bonifácio, responsável pelo município, investiga a origem do material, já que parte dele deveria ser aproveitada na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Informado da ocorrência pelo Diário, o promotor José Heitor dos Santos, de Mirassol, solicitou que a Polícia Civil de Bálsamo recolhesse as apostilas ontem à tarde. A delegada Junia Cristina Macedo Veiga deverá instaurar inquérito, ainda hoje, para apurar o caso.
“As apostilas de 2008 deveriam ter sido enviadas à Secretaria de Estado de Educação. Já as apostilas de 2009 deveriam ter sido redistribuídas a escolas que possuem o EJA”, afirma o dirigente regional de ensino Luiz Reinaldo Lopes. “Mesmo não aproveitado na escola a que foi destinado, esse material não poderia ter sido descartado dessa forma”, diz.
Investigação
Ontem, a diretoria criou uma comissão formada por três supervisoras de ensino para apurar o caso. Segundo Lopes, os diretores das duas escolas estaduais de Tanabi (Padre Fidélis e João Portugal) e da única escola estadual de Bálsamo (Joaquim Silvio Nogueira) negaram o abandono dos livros.
Outra escola suspeita é a Edmur Neves, de Mirassol, cujo nome estava assinado por alunos em algumas das poucas apostilas parcialmente preenchidas. Ontem à tarde, uma reunião da comissão foi realizada no colégio. A direção da escola não foi localizada pela reportagem.
Questionada pelo Diário, a Secretaria de Estado da Educação não soube informar o preço de cada apostila, que possui, em média, 40 páginas. O objetivo do material, criado em 2008, era apoiar o trabalho realizado nas escolas e definir um padrão de conteúdos para a avaliação do sistema, segundo informações do Estado.
Descoberta
O material foi descoberto na manhã de sexta-feira da semana passada pelo lavrador Josevaldo Rodrigues Gonçalves, 33 anos, que mora e trabalha na região. “Acho que cheguei só um pouco depois de a pessoa que fez isso ter saído. Ainda dava para ver bem as marcas dos pneus do carro”, diz.
O ponto de descarte fica na altura do quilômetro 467 da rodovia Euclides da Cunha, às margens da estrada rural que divide Bálsamo e Tanabi. “Na hora, nem entendi o que tinha acontecido. Tantas crianças precisando de livros nesse País e vem alguém e faz isso”, diz. “É dinheiro público sendo jogado fora.”
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Guilherme Baffi
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Josevaldo Rodrigues: “aqui (apostilas) vão ter alguma utilidade
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Lavrador ‘presenteia’ filhos
Mais de 200 apostilas descartadas em canavial de Bálsamo foram recolhidas pelo lavrador Josevaldo Golçalves Rodrigues, que mora em um sítio a aproximadamente um quilômetro do ponto onde o material foi abandonado. “Peguei para os meus filhos”, afirma. “Eles ainda são pequenos, mas podem usar para pintura ou para aprender a ler alguma coisa.” O lavrador é pai de dois meninos: Lucas Matheus, 8, que é estudante da 2ª série do ensino fundamental, e José Leonardo, 4, que é aluno no ensino infantil. O conteúdo das apostilas é destinado para crianças a partir de 11 anos, que frequentam a 5ª série do ensino fundamental.
No sítio da família as apostilas estão esparramadas por todos os cantos: da porteira até o quintal da casa. “Aqui elas vão ter alguma utilidade. Se ficassem lá, iam estragar com o tempo”, afirma. O descarte do material surpreendeu Noel Teodoro, 55, outro lavrador da região. “Na beira da estrada as pessoas jogam muito lixo. Já vi muita coisa, como entulhos e restos de animais, mas livros eu nunca tinha visto”, diz.
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Guilherme Baffi
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Lucas Matheus e José Leonardo exibem livros que ganharam
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Primeira vez
Segundo o dirigente regional de ensino de José Bonifácio, Luiz Reinaldo Lopes, é a primeira vez que uma grande quantidade de material escolar é descartada inadequadamente na região. “Estou no cargo há 15 anos e nunca soube de uma situação semelhante. É uma falha grave, que precisa ser bem investigada”, afirma.
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COMENTÁRIOS
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tanios kopti
postado em
17/08/2010
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É assim que as autoridades tratam a educação em nosso Pais. Com total descaso. Temos que aturar "edis" que falam VEVE, QUESTÃ, POBREMA, MIM VAI VOLTAR e outros assassinatos do idioma Pátrio e como desejamos que elementos assim se preocupem com a educação se nem eles a possuem. Desejam ficar estarrecidos???? vão no GOOGLE e cliquem PEROLAS DO ENEM. irão RIR para não CHORAR. Por mais investigação que haja, o culpado sempre será o aluno. Priscas épocas em que as escolas estaduais e municipais eram simbolo de rigidez e qualidade de ensino.
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