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São José do Rio Preto, 15 de Novembro, 2009 - 0:10
Universitárias não se preocupam com ‘efeito' Geisy

Hélton Souza

Thomaz Vita Neto
A estudante de jornalismo Kele Catarina Perez: ‘não é pela roupa que se julga o caráter de uma pessoa’
Tudo o que é bonito deve ser mostrado. É assim que pensam universitárias de Rio Preto que gostam de se vestir de forma provocante, como a aluna de turismo Geisy Arruda, 20 anos, que foi xingada por colegas estudantes e quase expulsa da Universidade Bandeirante (Uniban), de São Bernardo do Campo, pelo mesmo motivo.

No dia 22 de outubro, Geisy precisou da ajuda da polícia para deixar a Uniban, tamanha a fúria que ela, por causa da maneira como se veste, despertou no meio universitário. Para Nayara Tonelli, 18 anos, que cursa o primeiro ano de Moda na Unirp, o problema não está em usar uma roupa curta, mas em ser vulgar. A aluna acredita que seja importante haver um equilíbrio entre as roupas. “Não dá para vir com uma maquiagem forte e um decotão no peito, porque com certeza vai chamar a atenção.”

Ela, que usava short curto e uma blusa comprida na faculdade, disse que não se sente constrangida e nunca foi alvo de discriminação dos colegas. Diferentemente da universitária Clissian da Silveira Sant’Anna, 23 anos, que nas últimas semanas ouviu comentários maldosos a respeito de sua roupa.

“Eu ouvi duas pessoas falando na porta da faculdade que do jeito que eu estava vestida iam fazer a mesma coisa que fizeram com a aluna da Uniban. Agora estou com receio, um sentimento que eu não sentia.” Mesmo que muitos não aprovem o decote e o vestido mais curto, enquanto Clissian falava com a reportagem pelos corredores da Unilago, os alunos que passavam não deixavam de reparar na estudante. “Isso faz bem para o ego”, diz.

‘Marmanjões’

O mesmo aconteceu com Daniela Garcia, 21 anos, estudante de matemática na Unirp. Vinte minutos parada no corredor em frente à sala de aula foram suficientes para chamar a atenção dos “marmajões” que passavam pelos corredores. “Também, com um vestido amarelo lindo, quem não olha?”, comentou Marcelo Felippo, 22 anos.

Daniela conta que não se sente constrangida com os elogios e que o mais importante é ser tratada com respeito. A mesma opinião é compartilhada pela estudante de jornalismo Kele Catarina Perez, 21 anos. “Já passei por situações em que conhecidas chegaram em mim e perguntaram: ‘você vai usar uma roupa desse tamanho’? Eu não ligo.” Para ela, não é pela roupa que se julga o caráter de uma pessoa. “Não estamos mais na Idade Média. Cada um deve vestir o que quer, o que lhe traz conforto.”

Thomaz Vita Neto
Clissian da Silveira Sant’Anna: ‘é importante saber se comportar’
‘Machismo ainda impera’

A estudante andando pelos corredores da faculdade com um decote à mostra e uma saia curta é alvo de críticas. Os comentários normalmente incluem termos como vagabunda e promíscua. Mas, e o homem? Quantos universitários andam com bermudas mostrando a cueca ou camisetas regatas com o tórax à vista? Afinal, qual a diferença entre eles?

Para o sociólogo Ricardo Constante Martins, coordenador do curso de ciências sociais da Faceres, a juventude ainda é bastante conservadora, tem falso moralismo com a mulher e, o que impera, é a doutrina do machismo. “Por que ninguém vai tentar linchar um homem que mostra a cueca na faculdade? Muitos que estavam atrás da aluna da Uniban eram homens e mulheres, que foram incorporados pelo machismo.”

De acordo com Martins, boa parte das críticas às universitárias que colocam roupas que modelam o corpo ou que destacam a beleza feminina vem por conta do ciúmes e inveja, a conhecida dor de cotovelo. “Tem outras meninas que pensam que aquilo é uma provocação para o namorado.”

Thomaz Vita Neto
Estudante chega à Unilago: calor favorece uso de trajes curtos
Calor favorece trajes curtos

Com temperatura média de 30 graus em Rio Preto, o calor é apontado pelas universitárias como o principal motivo do uso dos decotes e roupas curtas. Não é preciso andar muito pelos corredores das faculdades para ver homens e mulheres com roupas leves. “Sou acostumada a usar calça jeans na faculdade, mas não dá para suportar o calor, por isso estou usando vestido”, conta Daniela Garcia, 21 anos.

Para Nayara Tonetti, 18 anos, mesmo que o calor favoreça as roupas curtas, isso não pode ser usado como desculpa para quem quer mostrar o corpo. “Não dá para usar biquíni na faculdade.” Clissian da Silveira Sant’Anna diz que é importante saber se comportar e se vestir adequadamente. “Não é porque está calor que qualquer uma vai colocar uma minissaia e sair rebolando.”

De acordo com o vice-presidente da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc), Marcelo Ferreira Lourenço, que também é reitor do Centro Universitário de Votuporanga (Unifev), as faculdades devem ser flexíveis conforme a temperatura de cada cidade.

Reitor defende regras mais flexíveis

O vice-presidente da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc) e reitor do Centro Universitário de Votuporanga (Unifev), Marcelo Ferreira Lourenço, afirma que as faculdades devem respeitar o estilo dos alunos e impor regras de vestimentas apenas em casos especiais, quando as aulas são laboratoriais ou em estágios.

“A instituição lida com adultos e não há necessidade de impor um código de postura rigoroso, até porque deve-se respeitar o padrão social. Em casos quando é obrigatório o uso de jaleco, calça cumprida ou até mesmo um sapato especial nas aulas, por exemplo, o aluno tem de ser avisado para evitar problemas”, declara Lourenço.

Uniban

No episódio envolvendo a aluna Geisy Arruda, a Uniban informou que, quando decidiu pela sua expulsão, foi em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade. A universidade, depois, recuou da expulsão.

Segundo o representante da Abruc, em casos quando se exige uma roupa especial para ir às aulas e o aluno desrespeita o estatuto ou o regimento da instituição, ele pode ser advertido. “No entanto, reforço que as universidades devem tomar cuidado com as regras internas, para que não ocorra uma restrição à pluralidade de estilos.”

AE
Depois do susto na Uniban, Geisy Arruda pode embolsar cachê
Geisy fica famosa e pode posar na ‘Playboy’

Após ficar conhecida nacionalmente pelo escândalo na Uniban, a estudante Geisy Arruda deu entrevistas em jornais, revistas e programas de televisão. Cobiçada pelos marmanjos e atração entre os jovens, ela já recebeu proposta para posar nua na revista “Sexy”.

Para a infelicidade do time masculino, a loira ainda não bateu o martelo. Enquanto isso, a “Playboy” começa a investir na universitária e pretende se reunir com um agente de Geisy para negociar um ensaio fotográfico nu. A edição especial, a ser lançada em dezembro, já pode vir com seu corpo na capa.

Geisy também se tornou uma celebridade. Na última quarta-feira ela ficou das 16h às 23h fazendo aplique no cabelo. Na quinta-feira, ela participou das gravações do programa Altas Horas, da TV Globo.


Fonte: Colaborou Bruno Xavier

 
     
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