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Pé-de-meia
São José do Rio Preto, 4 de Abril, 2010 - 8:37
Faça o planejamento de sua aposentadoria

Liza Mirella

Guilherme Baffi
O consultor financeiro João Elias Martins: “Se a pessoa demora para aplicar, o valor precisa ser maior”
Com planejamento e disciplina, é possível juntar um pé-de-meia para garantir um bom rendimento quando chegar o momento de se aposentar, fazendo uma poupança. Quando mais cedo começar, melhor será o resultado e menor será o aporte financeiro necessário no planejamento. O objetivo é que, ao final do período, o poupador tenha acumulado um capital que lhe permita obter um rendimento mensal.

Para tornar real o projeto da aposentadoria, o educador financeiro Reinaldo Domingos, diretor do Instituto Disop de Educação Financeira, recomenda que o planejamento permita juntar uma quantia cujo rendimento final, ao fim do programa proposto, seja equivalente a uma vez e meia ou duas vezes a receita atual. Isso seria suficiente para manter as despesas e ter um orçamento folgado.

Os valores deste projeto dependem da situação financeira de cada um. Como não há uma regra única a ser seguida, o Diário pediu ao economista Walter Vieira que fizesse projeções a partir de uma renda hipotética de R$ 3 mil por mês, fixando o depósito mensal de um salário mínimo federal atual (R$ 510) e a partir da aplicação mais conservadora existente no mercado, a poupança, que mensalmente rende o equivalente a 0,5% mais a variação da Taxa Referencial (TR).

Quem iniciar este investimento aos 30 anos de idade, aos 65 anos terá acumulado um capital suficiente obter um rendimento mensal equiparável ao atual, mais uma parcela menor que servirá para evitar perdas inflacionárias e ainda manter o capital acumulado, levando em consideração apenas o rendimento mínimo da poupança (0,5% ao mês, com TR igual a zero).

Primeiro passo

Mas, antes de guardar dinheiro, é preciso diagnosticar qual o valor mensal que pode ser poupado sem comprometer o orçamento atual. O primeiro passo é fazer um diagnóstico financeiro, apontar as despesas de pelo menos 30 dias. “É preciso saber para onde está indo o dinheiro e quanto pode ser retido”, afirma o educador financeiro Reinaldo Domingos.

Segundo ele, a partir desse momento, ao ver as contas no papel, a chance de eliminar as despesas supérfluas e diminuir os gastos em excesso fica maior. “A dica é guardar o dinheiro assim que ele entra na conta corrente. Depois, é preciso se adequar ao novo padrão de vida.”

Essa fase passa por uma conversa honesta com toda a família, em especial os filhos, que precisam ser participantes do processo de mudança do orçamento com foco no futuro. “Não é uma questão de ser avarento. O dinheiro precisa ser respeitado, mas não adorado”, afirma.

Simulações

O economista Walter Vieira realizou simulações sobre quanto seria o capital para o período da aposentadoria. As projeções a seguir levam em consideração o menor número de parcelas possível no período, um valor fixo durante todo o planejamento e com a menor rentabilidade garantida. O resultado final acumulado poderá ser maior se, por exemplo, o trabalhador dobrar o valor aplicado quando receber o 13º salário ou se reajustar a quantia depositada conforme a variação do salário mínimo ou outro indexador.

Há também a possibilidade de ganhos do próprio capital aplicado no período. Isso ocorre caso o rendimento da poupança, pago no aniversário dos depósitos, seja superior a 0,5%. Outra possibilidade é a de que o poupador aplique parte do capital acumulado durante o período em carteiras de maior rentabilidade (CBD, fundos de investimentos e ações), conforme o perfil de cada poupador.

A primeira situação envolve uma pessoa de 30 anos, que deseja se aposentar aos 65 anos. Até que chegue o momento, serão 35 anos, ou seja, 420 meses. Se depositar R$ 510 por mês, ao final terá acumulado R$ 730.235. O rendimento de 0,5% sobre este capital equivalerá a R$ 3.651, o que permitirá ao poupador retirar R$ 3 mil mensais, reaplicando os R$ 651 restantes.

Já uma pessoa que começar cedo, aos 20 anos de idade, quando chegar aos 60 terá 480 realizado depósitos mensais, acumulando R$ 1.020.738. A partir daquele rendimento básico (0,5% ao mês), a aplicação obterá R$ 5.103 mensais. Quem já chegou aos 40 anos e passar a aplicar R$ 510 mensalmente, com planos de se aposentar aos 65, após os 25 anos (300 parcelas) terá conseguido acumular R$ 149.059. Para um trabalhador com idade de 40 anos, com renda mensal de R$ 3 mil, e que deseja se aposentar aos 65 anos, por exemplo, Domingos avalia que o valor ideal a ser poupando mensalmente seria de R$ 668.

Essas projeções não contabilizam ganhos extras que podem ocorrer ao longo do tempo, como aplicações em outros tipos de investimentos financeiros, assim como qualquer tipo de desvalorização da moeda, disparada da inflação ou mudança da economia do país.

O economista Walter Vieira diz que, além da poupança, outra opção para o trabalhador que quer turbinar seus rendimentos no período da aposentadoria é investir em um plano de Previdência Privada. “A pessoa estipula o quanto quer receber e faz uma retenção mensal. Essa aplicação é bastante segura porque acompanha os ciclos econômicos”, afirma.

Quanto mais cedo, melhor

De acordo com o educador Reinaldo Domingos, a poupança com foco na aposentadoria deve começar o quanto antes. Se possível, a partir do primeiro mês de vida da pessoa. Para um adulto, o ideal é poupar a partir do primeiro salário recebido, mas como isso nem sempre ocorre, a orientação é que o trabalhador comece assim que puder. “Se a pessoa demora para aplicar, o valor precisa ser maior”, afirma o consultor financeiro João Elias Martins. Martins reforça que um bom parâmetro é se programar para a aposentadoria com base no padrão de vida atual.

Durante todo período, também é importante não ceder à tentação do resgate do dinheiro poupado para uso em consumo, para que essa fonte de renda não acabe. “Na fase da aposentadoria há uma mudança no orçamento. Algumas despesas deixam de existir, mas a tendência é que outras apareçam, como as com saúde.” Segundo o consultor financeiro Cláudio Boriola, a palavra-chave para se fazer o pé-de-meia é “planejamento”, que não se esgota no momento em que o montante ideal foi acumulado. “O planejamento deve fazer parte do cotidiano. Ele precisa continuar para que o dinheiro seja gasto de maneira adequada”, afirmou.

Boriola reforça a tese de que a hora de começar a poupar é agora, mas que o ideal é que iniciar cedo, quando a pessoa entra no mercado de trabalho. “Quando começa a trabalhar, o jovem não tem preparo para lidar com o dinheiro e acaba esquecendo de fazer um investimento para seu futuro.” Ele acredita que uma das formas de minimizar essa falta de preparo é incluir como disciplina escolar a educação financeira. “O brasileiro foi ensinado a gastar e não a valorizar cada centavo que ganha.”

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