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Conjuntura
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São José do Rio Preto, 31 de Janeiro, 2010 - 1:30
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Perspectivas para economia neste ano são otimistas
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Ferdinando Ramos
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Hipólito Martins Filho: previsões para 2010 dependem da variação do dólar e dos juros
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Economistas de Rio Preto estão otimistas em relação ao comportamento da economia neste ano e esperam um desempenho melhor do que o do ano passado, marcado por reflexos da crise financeira internacional. A perspectiva de crescimento da economia está entre 5% e 5,5% ao ano, sustentada especialmente pelo desempenho do mercado interno. Para o economista Joelson Gonçalves de Carvalho, o rápido descolamento do Brasil em relação a crise internacional é um fator a ser considerado. “Contudo, mais significativo é a manutenção do consumo das famílias e do governo, que, por conseqüência, gera um crescimento econômico interno”, afirmou. Ele cita ainda que os investimentos públicos e a recuperação dos investimentos no setor produtivo em 2010 vão influenciar no crescimento econômico.
Segundo o economista Hipólito Martins Filho, outro fator positivo é a continuidade da inflação sob controle, embora com tendência de ligeira alta. A previsão é de terminar o ano com uma inflação próxima de 4% a 5%. “Mas, esta previsão vai depender de como o câmbio se comportará, assim como a taxa de juros.” A previsão é de crescimento também para os investimentos produtivos, tanto na região de Rio Preto como na maior parte do País. “O crédito, a renda e o nível de emprego serão melhores. Além disso, as classes C e D começam a consumir de forma significativa, criando novas perspectivas para as empresas.”
Emprego
Em relação à empregabilidade, os economistas também acreditam que o nível de emprego neste ano será maior. No ano passado, o dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Emprego e Trabalho, apontaram um saldo anual de 9.593 vagas em 32 municípios da região Noroeste paulista. Apesar de positivo, é 49,5% menor ao fechamento de 2008, 19.003 postos.
Para Martins Filho, a expectativa é que o ano termine com a taxa de desemprego em torno de 7,2% da população economicamente ativa, considerada alta, mas declinante. “Os números de dezembro do emprego na região metropolitamna de São Paulo indicam recuperação de postos de trabalho, especialmente na construção civil e nos serviços domésticos, o que deve persistir para os fechamentos de mês em 2010”, completou Carvalho.
Dólar e Selic
Em relação ao câmbio, Carvalho explica que a desvalorização do dólar decorre de uma estratégia política norte-americana para aumentar suas exportações e equilibrar as contas. A tendência é de que a taxa Real/dólar permaneça valorizada durante o ano. “Existe a perspectiva de que o dólar feche o ano em R$ 1,85. A tendência de alta não deve colocar o sistema em alerta”, disse Martins Filho.
Os economistas acreditam que haverá aumento da taxa de juros, Selic, ao longo do ano, com previsão de encerrar o ano entre 11% e 11,5% ao ano. Atualmente, a taxa real é a maior do mundo, em 4% ao ano. A alta é explicada em função do crescimento da economia, da melhoria do consumo e da possível alta de preços. “Não há dúvidas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) usará, como sempre faz, a Selic como instrumento de controle da inflação”, disse Carvalho.
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Thomaz Vita Neto
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Mauricio Bellodi: “Quem tem capacidde ociosa vai voltar à plena carga”
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Empresários apostam no crescimento
O diretor regional do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Luiz Fernando Lucas, afirma que 2009 não foi um ano para investimentos, mas este ano é favorável para alguns setores. “Não é uma situação generalizada. Cada empresário analisa o potencial de crescimento do setor e, se houver oportunidades, vai investir.” Isso porque existe a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), entre 5% e 6% neste ano, além do consumo aquecido de alguns setores, como entretenimento e gráfico, motivado pela Copa do Mundo e eleições.
Sobre o emprego, Lucas diz que a expectativa é positiva, já que 2009 foi muito ruim. O indicador do Ciesp, relativo a 83 municípios, terminou o ano apontando o fechamento de 5.250 empregos (-10,42%). “Depois das demissões, é preciso recontratar. O crescimento do PIB vai refletir no aumento de postos de trabalho”, disse. Segundo Mauricio Bellodi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp), os empresários estão começando a desengavetar os projetos de investimento. Por isso, vislumbra um ciclo expansionista. “Quem tem capacidade ociosa vai voltar à plena carga e o restante terá de investir para atender á demanda.”
São vários os fatores que devem favorecer o crescimento econômico neste ano. Além de eleições, Bellodi também cita o aumento no orçamento local, que passou para R$ 750 milhões e o crescimento real da massa salarial. “Mais do que isso, o mundo desenvolvido está retomando o crescimento e vai voltar a importar. Vejo boas perspectivas na região para o setor exportador de carne”, disse.
As dicas para investir:
Independentemente do tamanho, o investidor que pretende aplicar seu dinheiro em 2010 de olho em rentabilidade e segurança deve diversificar sua carteira de investimentos. É o que sugerem especialistas no ramo. Isso quer dizer que uma parte do dinheiro deve ser destinada à renda fixa e outra à renda variável.
Antes de mais nada, os consultores alertam para a necessidade de o investidor procurar um profissional capacitado, que encontre o melhor produto disponível, de acordo com seu perfil: conservador, moderado ou agressivo. ”As operações de renda fixa são seguras e têm boa rentabilidade, mas é necessário uma consultoria para localizar a melhor oportunidade de investimento”, diz Fernando Penteado, profissional da Vijay Investimentos.
O diretor da Lucra Investimentos, Demival Vasques Filho, mantém o otimismo com o desempenho da bolsa brasileira em 2010 e aposta em ações como boa opção de investimento. Entretanto, ele lembra esse tipo de investimento precede um horizonte de longo prazo, em um período superior a um ano. “Apesar do otimismo, acreditamos que será um ano mais volátil em função do ano eleitoral e em função do teste de recuperação com a saída dos estímulos econômicos”, disse.
O economista Hipólito Martins Filho sugere que o pequeno investidor opte pela poupança, em renda fixa ou fundos DI, que rendem em média 10% ao ano. “Nesses investimentos os riscos são pequenos. “Não podemos esquecer que, cada vez mais, para se ter um ganho maior nas aplicações, o risco será equivalente”, afirma. Carvalho explica que a caderneta de poupança continua interessante para baixos valores, abaixo de R$ 10 mil, e os fundos de renda fixa continuam imbatíveis para aplicadores com perfil conservador ou cauteloso.
Bolsa
No ano passado, quem apostou no mercado de ações se saiu bem. A Bovespa terminou o ano com valorização de 82,66% e liderou o ranking de investimentos. Já no início de 2010 a bolsa brasileira sofre fortes pressões. Daí a necessidade de ajuda de um profissional especializado para assessorar o inexperiente investidor nesse cenário traiçoeiro. Quando se fala em bolsa, os primeiros papéis que vem à cabeça dos investidores são Vale e Petrobras, que têm a maior participação no Índice Bovespa (Ibovespa), principal indicador da bolsa brasileira. Com isso, a tendência de manter esses papéis na carteira de ações.
Para Penteado, as duas empresas têm bom potencial de valorização, principalmente a Vale, que vem sendo recomendada por muitos analistas. Vasques Filho também está otimista em relação à Vale, mas prefere não se posicionar em relação à Petrobras, enquanto permanecem as incertezas ligadas à capitalização. Os analistas apostam em diferentes setores da atividade neste ano, que devem apresentar melhor rentabilidade. Para Penteado, o destaque deve ficar por conta do setor exportador de carnes e de commodities minerais, além dos bancos. Para Vasques Filho, os destaque são os setores elétrico, da construção civil e de consumo.
Poupança
O grande atrativo da poupança é o fato de ser uma aplicação segura e não exigir uma quantia mínima para depósito. Além disso, a liquidez é imediata. Mas, como os ganhos estão atrelados ao risco, o investidor que opta por segurança abre mão de parte da rentabilidade. O rendimento é de 0,5% mais Taxa Referencial (TR). ”Para o pequeno investidor, aquele que está começando sua carteira, a poupança é o ideal, assim como para os maiores investidores, que focam a segurança”, diz o economista José Aparecido Firmino.
Segundo ele, a poupança continua atrativa, inclusive pelo fato de a tributação que chegou a ser anunciada no ano passado, para valores superiores a R$ 50 mil, não ter se sido necessária em função da taxa de juros ter fechado o ano em 8,75%. “A vantagem é não correr o risco da variação motivada pelo nervosismo do mercado.”
Ouro e dólar
O economista Joelson Gonçalves de Carvalho diz que o ouro sempre tem uma demanda maior quando impera um ambiente de incerteza generalizado. Em 2008, essa foi a aplicação com maior destaque no ranking de investimentos, com valorização de 32,12%. “As especificidades do ouro podem fazer que, mesmo com oferta maior, o preço suba.
Contudo, em termos de comparação, a tendência são valorizações médias menores que opções do mercado financeiro.” Carvalho alerta que as aplicações com hedge (lastro) em dólares devem ser evitadas. Neste início de 2010, o dólar apresenta forte recuperação, mas é importante lembrar que a moeda foi uma das piores aplicações no ano passado, com desvalorização de 25,35%.
CDB e fundos
Outras opções de investimento em renda fixa são os depósitos a prazo, os chamados Certificado de Depósito Bancário (CDB) e os fundos de investimento, nos dois casos há incidência do Imposto de Renda, entre 22,5% e 27,5%, de acordo com a rentabilidade e tempo de aplicação.
Segundo Firmino, os CDBs têm a vantagem de não haver taxa de administração, mas existe um prazo determinado para a aplicação, entre 30 e 180 dias. A rentabilidade anual oscila entre 8% e 10%. Já os fundos de investimento têm a vantagem de não exigir um mínimo para aplicar. A rentabilidade é de 7,5% a 10% ao ano. “O cuidado é com a taxa de administração, que deve ser verificada”, afirma.
Em 2009, bolsa foi campeã
O investidor que escolheu apostar no mercado de ações em 2009 teve lucros. A Bovespa liderou o ranking de investimentos, ao fechar o ano com valorização de 82,66%. Na outra ponta, quem escolheu aplicar em dólar, perdeu. A desvalorização foi de 25,35%. O desempenho da bolsa chegou a surpreender e reverteu o posicionamento negativo do ano anterior, quando o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) teve baixa de 41,2%.
A inversão também atingiu o dólar, que havia ficado na segunda colocação entre os melhores investimentos de 2008, com valorização de 30,16%. A comparação entre o desempenho da poupança entre 2009 e 2008 também aponta para uma queda, apesar da trajetória tranquila da aplicação ao longo do período. No ano passado, a valorização foi de 6,92%, enquanto no ano anterior o resultado foi de 7,90%.
Os investimentos em renda fixa também tiveram rentabilidade menor no ano passado, caíram de 12,65% em 2008 para 10,47% no em 2009, de acordo com dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Outra perda foi sentida pelos investidores que aplicaram em ouro. Em 2009, o ativo havia sido o campeão em rentabilidade, com 32,12% de valorização. No ano passado, por outro lado, registrou desvalorização de 3,05% e foi considerado a terceira pior opção.
Segundo o presidente do grupo Fitta, franquia de agência de câmbio e mercado de ouro, André Nunes, no ano passado, esse ativo cumpriu seu papel, de diversificar o risco e levar algum tipo de proteção à aplicação de renda variável. “No primeiro semestre foi bom, com desempenho importante no auge da crise, mas o segundo foi ruim. Por isso, a rentabilidade ficou quase no zero a zero.”
Segundo Nunes, o ouro tem a vantagem de preservar o poder de compra do dinheiro e destinado a qualquer investidor. O limitador de perfil é o tíquete médio da BM&FBovespa, de 250 gramas de ouro, o que hoje totaliza entre R$ 16 mil e R$ 17 mil. “A perspectiva para esse ano é de valorização do ouro em função ainda do cenário de incertezas”, afirmou.
Pressões alteram os mercados em janeiro
A intenção do governo norte-americano em disciplinar a atividade bancária em seu país e a suspensão de operações de crédito pela China, com objetivo de conter a expansão da economia, mudaram o cenário financeiro em janeiro. A combinação desses dois fatores, ajudada pelo risco da Grécia ficar em “default” (inadimplência), agitaram os investidores estrangeiros.
Toda essa pressão gerou uma fuga de capitais para mercados tradicionais, principalmente Nova York. Os investidores estrangeiros tiraram R$ 2,5 bilhões da Bovespa entre os dias 20 e 27 de janeiro. Até quarta-feira passada, eles se desfizeram do equivalente a R$ 2 bilhões em ações brasileiras. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) perdeu 4,65% no mês.
Em sentido inverso, a procura pelo dólar valorizou a moeda norte-americana em relação ao Real. O câmbio, subiu 8,15% no primeiro mês do ano, fechando sexta-feira na maior alta mensal desde outubro de 2008, a R$ 1,885, liderando o ranking de investimentos no período. O mercado cambial também vitimou o euro, que sexta-feira chegou a ser cotado por menos de US$ 1,39 pela primeira vez desde julho do ano passado e a tendência é de novas quedas. Em relação ao Real, no entanto, valorizou-se 0,31% na sexta-feira, fechando na modalidade comercial a R$ 2,6170.
Em segundo lugar ficou o ouro, com ganhos de 6,45%. Na Comex Comex de Nova York, o metal encerou janeiro cotado a US$ 1.079,10 a onça-troy (1 onça-troy equivale a 31,1035 gramas). Já na Bolda de Mercadorias & Futuros (BM&F), em São Paulo, a cotação atingiu R$ 66,000, alta de 1,15% em apenas em um dia.
Colaborou Agência Estado
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