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Conjuntura
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São José do Rio Preto, 28 de Janeiro, 2010 - 4:02
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BC mantém juros básicos em 8,7% ao ano
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Edvaldo Santos
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Martingo: um pequeno corte na taxa básica aceleraria a retomada do crescimento da economia
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O Banco Central (BC) decidiu por unanimidade, ontem à noite, manter a taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano. O comunicado divulgado após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), porém, sinaliza que os juros podem sofrer mudança em breve. Lideranças empresariais e industriais de Rio Preto não ficaram surpresas com a medida, mas veem margem para o corte da taxa de juros.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp), Mauricio Bellodi, disse que, para o setor produtivo, a manutenção da taxa em 8,75% foi uma decisão ruim. “Com uma taxa de juros menor seria mais fácil chegar ao nível de atividade econômica pré-crise”, disse. Segundo Bellodi, nos atuais níveis da Selic, continua-se atraindo capital especulativo internacional, impedindo a valorização do dólar frente ao Real, o que beneficiaria as exportações.
Para o vice-presidente da Acirp e diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Liszt Abdala Martingo, a decisão era esperada, entretanto, ainda resistia a esperança de que o governo baixasse a taxa para acelerar a retomada do crescimento. “Se o governo tivesse cortado pelo menos 0,25 ponto percentual, sinalizaria um desejo de que essa retomada fosse mais rápida”, disse. “Fica uma frustração porque existia uma margem para isso.”
Já o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Rio Preto, Luiz Fernando Lucas, considerou uma decisão acertada, já que o consumo está aquecido e existe o risco inflacionário. “O governo deu incentivos para estimular o consumo no ano passado. Com ele acelerado, existe a possibilidade de haver aumento na inflação”, disse. Entretanto, a longo prazo, continuo acreditando que a taxa de juros precisa baixar.”
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Edvaldo Santos
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Martins Filho: há expectativa de alta da inflação durante os próximos meses
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Futuro
Segundo o economista Hipólito Martins Filho, o governo acertou ao não aumentar a taxa. Ele não via espaço para redução neste momento, já que a expectativa é de alta da inflação, que deve fechar o ano em 4,7% ou 4,8%. “A capacidade da indústria ainda está ociosa. Se houvesse uma alta da Selic agora, a decisão poderia abortar o crescimento esperado para tentar melhorar a produção e nível de emprego.”
Para Martins Filho, a tendência é de aumento dos juros em função da pressão dos preços. O ano deve terminar com a taxa entre 11% e 11,5%. “A demanda interna, com consumo, aumento da renda líquida e da renda real e da estimativa de crédito 10% a 12% maior, deve pressionar os preços, por isso os juros podem ter aumento”, afirmou.
Acompanhar a evolução
Lacônico, o comunicado divulgado pelo BC diz que a decisão de manter o juro foi tomada após avaliação “da conjuntura macroeconômica e das perspectivas para a inflação”. O texto afirma que o “Comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.
Para os economistas, o ciclo de aperto monetário deve começar em abril, com alta de 0,50 ponto percentual, o que levará a Selic para 9,25%. Depois, são esperadas elevações em junho, julho, setembro, outubro e dezembro. Ao todo, o juro deve subir 2,25 pontos até atingir 11%.
Essa pressão de alta nos preços já começa a ser vista. A inflação do início do ano sobe mais que o esperado por reajustes como o do transporte público em São Paulo, mensalidades escolares e alimentos. Se confirmadas as previsões do mercado, o trimestre deve ter Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) próximo de 2%, acima da previsão oficial do BC de 1,53%.
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