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São José do Rio Preto, 9 de Janeiro, 2010 - 0:10
Região bate recorde em criação de empresas

Gisele Bortoleto

Rubens Cardia
Nova loja, aberta no ano passado, apostou na moda masculina
Apesar da crise financeira que marcou o ano passado, o empreendedorismo em Rio Preto e região demonstrou força no período. O número de abertura de empresas cresceu 18,9% em 2009 em relação ao ano anterior, chegando a 7.827, o maior nível dentro da série histórica iniciada em 2001 (em 2008, foram constituídas 6.578 empresas). Ao mesmo tempo, os fechamentos caíram 1,8% e chegaram a 3.116 em 2009, contra 3.174 no ano anterior. Os números fazem parte de levantamento realizado pela Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e compreende 103 municípios da região de Rio Preto.

O saldo entre abertura e fechamento de empresas cresceu mais de 50% no ano passado em relação a 2008. Em 2009, o número na Jucesp foi positivo em 4.711 empresas, alta de 51,1%, enquanto no ano anterior, o resultado da subtração entre as que abriram e as que encerraram as atividades é de 3.404 novas empresas. A expectativa dos líderes regionais é que essa boa fase se mantenha em 2010. Só em Rio Preto, 200 empresas aguardam uma área para instalação em minidistritos e distritos industriais do município.

No total de empresas abertas no ano passado estão incluídos 567 trabalhadores informais que se registraram no segundo semestre no programa de formalização microempreendedor individual (MEI). O administrador da Jucesp Rio Preto, José Pedro dos Santos, atribui a boa fase de abertura de empresas ao fato do empresário da região ser bastante empreendedor e ter visto na crise a possibilidade de oportunidades de crescimento.

Pós-crise

Para o diretor regional do Sebrae, Arthur Achôa, o aumento da abertura de empresas está atrelado ao reaquecimento da economia pós-crise. “Sofremos menos os efeitos da crise, nos recuperamos mais rápido e isso aumentou a confiança das pessoas na abertura de novos negócios”, disse. Ele acredita também que parte desse crescimento na abertura está ligado também a demissões. Quando um trabalhador perde o emprego, ele procura imediatamente uma forma de subsistência, quer seja na informalidade ou abrindo seu próprio negócio.

Mas os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Emprego e Trabalho mostram que os números foram positivos em 2009 em Rio Preto, a cidade com maior número de empresas registradas na Jucesp. Entre janeiro e novembro, último levantamento divulgado o saldo foi de 5.576 vagas, resultado entre as contratações e demissões. Em novembro, Rio Preto apareceu em 43º lugar entre as cidades brasileiras que mais geraram empregos formais com saldo de 1.025 postos.

O contabilista Marcos Apóstolo, diretor de Serviços da Associação Comercial em Industrial de Rio Preto (Acirp) afirma que o empresário da região não acreditou na crise e viu nela uma oportunidade de crescimento. “Foram abertos novos negócios e também expandidos os que já funcionavam”, afirmou.

Quem mais sofreu no ano passado na opinião de Apóstolo foi a indústria que, apesar de ter mostrado recuperação no segundo semestre, nos 11 primeiros meses do ano passado, tem variação negativa (-9,1%), o que representa o fechamento de aproximadamente 4,6 mil postos, segundo último balanço divulgado pelo Centro das Indústrias no Estado de São Paulo (Ciesp).

Otimismo em 2010

Mas alguns empresários estão otimistas também com relação a 2010, expandindo seus negócios. É o caso de Antonio Brizoti Júnior, proprietário da BFC RP Alimentos. Além de dobrar de 2 mil para 4 mil metros quadrados a área instalada da empresa que atua no setor de alimentos, está adquirindo máquinas e equipamentos. Além da produção e envasamento de produtos à base de tomate, temperos, molhos e condimentos, vai transferir a empresa do segmento de doces e balas de Borborema para Rio_Preto. “Acredito que o segmento de alimentaçao vai crescer muito nos próximos meses por isso o otimismo”, afirmou.

Para o diretor da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp), Liszt Abdala Martingo, vice-presidente da Acirp, a diversificação da economia regional foi o principal fator para que as empresas sentissem a crise com menos intensidade em relação às demais. “Uma economia diversificada fica menos suscetível aos problemas macro e isso explica o saldo positivo na abertura de empresas”, afirmou.

Secretaria estuda demanda

A Secretaria de Planejamento de Rio Preto está elaborando um estudo para ampliação dos minidistritos e distritos industriais de Rio Preto para atender as 200 empresas que aguardam a criação de vagas para poder se instalar de forma adequada. De acordo com a economista Emília de Toledo Leme, assistente da Secretaria, atualmente existe uma lista de espera de 200 empresas interessadas em adquirir um lote.

A função social dos minidistritos é possibilitar o nascimento de pequenas empresas de forma estruturada com o objetivo de gerar emprego e renda para as regiões mais populosas e carentes. Hoje em Rio Preto funcionam 13 minidistritos, onde estão instaladas 743 empresas, responsáveis pela geração de 6.418 empregos. Outros cinco distritos abrigam 343 empresas que geram 9.717 vagas formais.

O estudo, solicitado pelo prefeito Valdomiro Lopes, vai mostrar se existe potencial para ampliação dos parques existentes ou se há necessidade de implantação de novos locais. A criação de minidistritos tem ainda como objetivo a descentralização das atividades industriais, criando núcleos de desenvolvimento regional de forma harmônica.

“O fato de termos 200 pedidos para novas áreas indica que os empreendedores já assimilaram a importância da política e minidistritos e distritos para fomentar negócios”, afirmou Emília. Isso leva a uma otimização da capacidade de empreendedorismo que Rio Preto possui.

‘Temos de ser otimistas’, afirma empresário

Independente da economia estar ou não no meio de uma crise financeira mundial, o empresário Aparecido Idineu Paris, proprietário de uma loja de lingerie em Rio Preto, decidiu que 2009 seria o ano de expandir os negócios. Ele abriu na cidade duas empresas de segmentos diferentes, uma loja de roupa masculina e outra de artigos ligados a um time de futebol.

As duas foram inauguradas no segundo semestre do ano no Praça Shoppping, na área central da cidade, e as perspectivas, segundo o empresário, são promissoras. “Temos de ser otimistas ou não iremos a lugar nenhum”, disse. Paris, que já era proprietário de uma loja e lingerie, decidiu diversificar os negócios para um produto masculino. Dessa forma, surgiu a Villa Paris, inaugurada em agosto, pouco antes do Dia dos Pais. Em outubro, foi a vez de abrir a Poderoso Timão, uma loja de artigos que levam a marca do Corinthians. “Essa idéia surgiu em 2008, quando o time abriu a possibilidade de montar franquias e fui um dos primeiros a me inscrever”, disse.

Segundo ele, num primeiro momento pareceu ser um bom investimento. O projeto foi postergado até surgir a oportunidade ideal de abertura. A crise, afirmou, não foi empecilho para abrir as lojas uma vez que sua loja de lingeries, que também funciona no centro de Rio Preto, não havia sentido os reflexos de maneira intensa.

Em 9 anos, 33,5 mil continuam abertas

Levantamento da Jucesp mostra que nos últimos nove anos o saldo entre a abertura e o fechamento de empresas na região de Rio Preto é positivo em 33.557 novos negócios. Enquanto de janeiro de 2001 a dezembro de 2009 foram constituídas 51.713 novas empresas, o fechamento chegou a 18.156. Para a economista Emília de Toledo Leme, o número mostra que existe uma consistência no crescimento econômico da região. Os anos de 2008 e 2009 foram justamente os campeões na abertura de empresas, com a criação de 6.578 e 7.827, respectivamente.

Mas os dois últimos anos foram também os com maior número de fechamento: 3.174 em 2008 e 3.116 em 2009. O saldo para a economista é positivo em função da capacidade de mobilização social que a cidade e a região têm. “Essa mobilização é participação efetiva de todos os segmentos da sociedade, que acreditam nessa política como forma de aumentar a capacidade de investimento das cidades”, afirmou.

Empreendedores estão mais maduros

A queda inferior a 2% no número de empresas que fecharam as portas na região em 2009 em relação ao ano anterior, na avaliação das lideranças empresariais, é resultado de uma maior maturidade do empreendedor antes de abrir seu próprio negócio. Para o diretor da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp), Liszt Abdalla Martingo, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp), nos últimos três anos existe uma tendência do novo empreendedor qualificar-se antes de abrir seu negócio, o que era difícil verificar anteriormente. “Hoje é mais corrente as pessoas pesquisarem mercado e se qualificarem antes de abrir empresas”, afirmou.

O diretor regional do Sebrae, Arthur Achôa, diz que o empreendedor tem realmente demonstrado uma maior maturidade. “Quando a pessoa nos procura, já tem mais madura a prospecção do seu negócio e ela busca cursos e treinamento para isso”, afirmou.



 
     
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