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São José do Rio Preto, 10 de Setembro, 2010 - 8:05
Leite terá selo de qualidade estampado na embalagem

Carlos Eduardo de Souza

Guilherme Baffi
Brunelli: associações e cooperativas terão acesso aos recursos
O presidente da Câmara Setorial do Leite, Jorge Rubez, afirmou que vai ser lançado no Estado de São Paulo “Selo de Qualidade” que será estampado nas embalagens de leite e de produtos derivados originários de propriedades rurais que atendam condições sanitárias e nutricionais no processo produtivo.

Segundo Rubez, as exigências vão ser superiores às estabelecidas pela Instrução Normativa 51, do Ministério da Agricultura, porque a normativa foi lançada num momento em que as condições do leite eram muito ruins no País. “Aquelas exigências da IN 51 vão ser aprimoradas para que o leite seja ainda melhor”.

Segundo o presidente da Câmara Setorial do Leite do Estado de São Paulo, exigências para obter o “Selo de Qualidade” vão equivaler às internacionais e possibilitarão agregar valor aos produtos fabricados a partir dessa matéria prima diferenciada.

Rubez participou, ontem pela manhã, do Seminário de Desenvolvimento Rural Sustentável da Cadeia Produtiva do Leite que reuniu cerca de 140 pessoas entre técnicos e produtores rurais no auditório do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com objetivo de agregar os elos da Cadeia Produtiva de Leite do Noroeste Paulista.

O presidente da Câmara Setorial paulista explicou que algumas indústrias de laticínios já pagam a mais por qualidade do produto e com a certificação os pecuaristas que se dedicam à produção de leite podem ser melhor remunerados.

A Clínica do Leite, da Esalq/USP em Piracicaba, e outros laboratórios credenciados junto ao Ministério da Agricultura farão a análise do produto. Esses laboratórios, por sua vez, serão auditadas por uma empresa que a Secretaria de Agricultura de São Paulo ainda vai escolher.

O Estado de São Paulo consome 9 bilhões de litros por ano, com uma produção de 1,8 bilhão de litros e, segundo Rubez, a curto prazo o Brasil não vai conseguir tornar-se autossuficiente e deve continuar dependente da importação de outros países.

“Em relação ao leite proveniente da Argentina, foi adotada cota de 1,8 milhão de toneladas por mês que a Argentina, por questões internas, não está conseguindo suprir.” A produção do Uruguai não foi considerada importante por Rubez, mas ele afirmou que é preciso impedir que o vizinho do Cone Sul prestar serviço de terceirização do produto, “Temos de ficar atentos. A Cacex (Câmara de Comércio Exterior) deve ficar atenta para impedir que seja importado leite dos países da Oceânia para vender aqui.”

Rubez afirmou também que prosseguem os estudos que tentam viabilizar a transformação do leite numa commodity que passaria a ser comercializada pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), mas que ainda não foram concretizados.

Projeto oferece US$ 130 milhões a produtores

O coordenador do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas II, João Brunelli Júnior, apresentou ontem a integrantes de cadeias produtivas de leite informações sobre como deve funcionar a segunda edição do projeto que conta com US$ 130 milhões para financiar iniciativas associativistas ou de cooperativas para a geração de renda e empregos em municípios paulistas.

Segundo ele, nos próximos meses serão realizados eventos semelhantes ao “Seminário de Desenvolvimento Rural Sustentável da Cadeia Produtiva de Leite”, realizado ontem em Rio Preto, para divulgar o PEMH II e orientar produtores rurais, membros dos conselhos regionais e técnicos das prefeituras sobre o funcionamento e importância do programa.

Brunelli afirmou que a primeira exigência do PEMH II é de que as associações ou cooperativas agrícolas tenham pelo menos 15 micros e pequenos produtores rurais. As entidades devem ter sido fundadas há pelo menos um ano para requerer o dinheiro. Cada entidade vai ter direito de pleitear R$ 800 mil para a implantação do projeto de geração de renda em cadeia produtiva até um teto de R$ 45 milhões. O restante do dinheiro será utilizado para implantar um sistema logístico georreferenciado que vai ser contar com recursos que poderão ser utilizados pelas prefeituras.

“As prefeituras vão saber onde ocorrem os problemas mais frequentes numa estada vicinal e poderão realizar os consertos necessários”. Os recursos disponibilizados pelo Estado de São Paulo e pelo Banco Mundial têm de contar com uma contrapartida de 30% dos associados integrantes da cadeia. “Os produtores têm um projeto avaliado em R$ 1 milhão. R$ 700 mil vão ser do PEMH II e os R$ 300 mil serão contrapartida dos produtores. Assim, os produtores serão obrigados a investir em projetos em que realmente acreditam e querem fazer dar certo”, disse Brunelli.

Do montante de R$ 800 mil por cadeia produtiva, os produtores integrantes vão poder obter financiamentos de R$ 10 mil para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas para otimizar a atividade. “Esse dinheiro vai sair dos R$ 800 mil a ser emprestado para a associação ou cooperativa.”

Marianne Grosclaude e Laurent Debroux, representantes do Banco Mundial e que participaram do Seminário de Desenvolvimento Rural Sustentável da Cadeia Produtiva do Leite, que ocorreu ontem em Rio Preto afirmaram que a primeira versão do Programa de Microbacias Hidrográficas era voltado a implantação de uma estrutura sustentável nas pequenas propriedades rurais e que a nova edição do programa pretende aproveitar a estrutura sustentável criada para a geração de renda por meio de iniciativas associativistas. Eles afirmaram que apesar de aprovado, o convênio entre o Banco Mundial e o Estado de São Paulo ainda não foi assinado.


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