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Mercado financeiro
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São José do Rio Preto, 9 de Setembro, 2010 - 2:44
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Bancos apostam US$ 13 bi na alta do Real
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Divulgação/BMF
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Na BM&F, ontem, as cotações do dólar fecharam a R$ 1,72
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Mesmo com a saída de US$ 680 milhões do Brasil registrada em agosto, bancos continuam a vender a moeda no mercado. Dados do (BC) mostram que instituições financeiras elevaram o volume de contratos e têm, atualmente, compromisso de entregar US$ 13,7 bilhões no futuro. O valor é 37,2% maior que em julho.
O forte aumento da chamada “posição vendida” representa a aposta dos bancos de que as cotações do dólar vão cair em breve como resultado da série de captações externas feitas por empresas. A lógica é simples: já que dólares vão entrar no País e ficarão mais baratos, é melhor vender a moeda hoje para evitar receber menos no futuro.
Dados divulgados ontem pelo BC mostram que o fluxo da divisa norte-americana se alterou em agosto e, após o ingresso de recursos em julho, a conta voltou a ficar no vermelho. Mais uma vez, a saída do dinheiro aconteceu pelo comércio exterior, já que o pagamento pelas importações superou a receita obtida com as exportações em US$ 1,88 bilhão. A saída foi parcialmente compensada pelas transferências para investimentos financeiros e produtivos, que atraíram US$ 1,2 bilhão no mês.
A despeito da saída desses recursos - que reduz a disponibilidade da moeda no mercado, instituições financeiras reforçaram sua estratégia de vender ainda mais dólares aos investidores. Na maioria dos casos, inclusive, bancos sequer têm os recursos em caixa.
No mercado, essa estratégia é chamada de “venda a descoberto”. Bancos nessa posição se comprometem a entregar o dólar a uma determinada cotação no futuro pela crença de que a moeda estará, naquela data, mais barata que o valor firmado hoje. Assim, o banco terá lucro.
Por exemplo: a instituição vende hoje a moeda a R$ 1,70 para entregar em um mês. Esse banco, que não tem os dólares em caixa, prevê que a cotação estará, naquela data, em R$ 1,65. Se o cenário se confirmar, seria possível comprar à vista no vencimento do contrato e entregar a moeda com lucro de R$ 0,05.
Petrobras
Entre os bancos, a estratégia de reforçar a “posição vendida” coincide com os desdobramentos da capitalização da Petrobras. Após período de falta de clareza sobre os prazos da transação, o governo sinalizou que a operação deve mesmo ser concluída até o fim de setembro e também definiu o preço do barril do petróleo usado na operação. Isso deu segurança aos investidores.
“O pessoal ficou mais tranquilo porque a operação deve sair. Agora, ninguém vislumbra a possibilidade de desvalorização do real no curto prazo. Por isso, todos querem vender o mais rápido possível, já que a chance maior é de que realmente o dólar fique mais barato”, diz o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel.
Ontem
O BC surpreendeu o mercado na volta do feriado da Independência ao realizar dois leilões de compra de dólares, o que não acontecia desde 3 de maio - após essa data, a estratégia do BC foi a realização de um leilão diário de compra da divisa norte-americana, com o objetivo de conter sua desvalorização ante o real.
O BC fez ontem um leilão entre 12h18 e 12h28, com taxa de corte de R$ 1,7236, e outro entre 15h56 e 16h06, perto do fechamento, com corte em R$ 1,7248. Mas, ao final, a moeda norte-americana fechou em queda, com a segunda atuação do BC tendo o efeito de apenas reduzir sua perda.
O dólar pronto na BM&F fechou em queda de 0,09%, a R$ 1,7240. No balcão, a moeda norte-americana encerrou em baixa de 0,17%, também cotada a R$ 1,7240. Manteve assim a segunda menor cotação do ano, posição alcançada na sexta-feira ao fechar a R$ 1,7270 - em 2010, a menor cotação é a de 4 de janeiro (R$ 1,7200).
Bolsa
A Bovespa teve um pregão sem graça na volta do feriado doméstico, com os investidores ajustando os preços dos papéis ao comportamento negativo dos ADRs ontem em Nova York. Ao mesmo tempo, a queda pronunciada dos papéis de Petrobras e Vale aniquilou qualquer possibilidade de reação, levando a Bolsa a operar na contramão do mercado norte-americano. O Ibovespa encerrou a quarta-feira em baixa de 0,51%, aos 66 407,28 pontos. O volume negociado atingiu R$ 5,69 bilhões.
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