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Guilherme Baffi
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A aquisição de bens como geladeira cresceu entre os brasileiros
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A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009 revelou queda na desigualdade de renda do Brasil no ano passado, mesmo com a crise econômica. O Índice de Gini (escala entre 0 e 1, usada para mensurar desigualdade de renda, onde 0 corresponde à completa igualdade de renda e 1 corresponde à completa desigualdade), recuou de 0,514 em 2008 para 0,509 no ano passado.
“O Índice de Gini é muito difícil de mudar e, mesmo em um ano de crise grave, ele recuou no Brasil, o que mostra que os mais pobres tiveram maior alta na renda do que os mais ricos”, afirmou ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. O PNAD, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que a crise global ajudou a formar um acréscimo de 1,3 milhão de pessoas no contingente de desempregados entre 2008 e 2009. De acordo com o instituto, a população desocupada (sem trabalho e procurando emprego) subiu para 8,4 milhões de pessoas entre 2008 e 2009, um aumento de 18,3%, maior taxa de elevação desde 2001.
Com isso, a taxa de desemprego, ou de desocupação, saltou de 7,1% em 2008 para 8,3% em 2009. O IBGE destacou que as taxas de desemprego mostradas pela PNAD são diferentes das apuradas, para os mesmos anos, pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Isso ocorre por causa das diferenças metodológicas das duas pesquisas, além da abrangência diferenciada: a PME alcança as seis principais regiões metropolitanas e a PNAD tem caráter nacional.
Cresce acesso a bens
O acesso das famílias brasileiras a bens duráveis, como automóveis, geladeiras, e máquinas de lavar, cresceu de 2008 a 2009, demonstrou a PNAD. De acordo com o instituto, em um universo estimado em 58,5 milhões de domicílios, a fatia de residências que possuem carro aumentou de 36,4% para 37,4% de 2008 para 2009, totalizando 21,9 milhões de domicílios com carro. Já a fatia de residências com motocicletas cresceu de forma mais intensa, de 14,7% para 16,2% no período, para 9,4 milhões de unidades domiciliares.
No caso de geladeiras, o percentual de domicílios com este produto subiu de 92,1% para 93,4% de 2008 para 2009, totalizando 54,7 milhões de residências. As máquinas de lavar roupa em 2009 também mostraram avanço de penetração nos lares brasileiros, e a fatia de domicílios com este produto saltou de 41,5% para 44,3% no mesmo período, somando 25,9 milhões.
A pesquisa também mostrou aumento na participação de moradias com televisão, de 95,1% para 95,7% no período, para 56 milhões de residências. Em 2009, o número de pessoas com 10 anos ou mais de idade que declararam ter utilizado Internet somou 67,9 milhões, um salto de 21,5% contra 2008, o que representa um acréscimo de 12 milhões de novos usuários da web entre 2008 e 2009.
Domicílios
Embora a casa própria seja maioria no total de domicílios no País, o ritmo de crescimento no número de casas ou apartamentos alugados no País foi mais forte do que o avanço no de domicílios próprios de 2008 para 2009. Em um universo estimado de 58,5 milhões de unidades domiciliares, foram registrados 43,136 milhões de domicílios próprios em 2009, em torno de 73,6% do total.
Mas o volume representa um acréscimo de apenas 0,6% contra o apurado em 2008. No entanto, ao se investigar o número de domicílios alugados, este foi de 9,952 milhões no ano passado, cerca de 17% do total, mas 4,3% superior ao registrado em 2008.
Trabalho infantil
Embora o trabalho infantil tenha continuado a mostrar tendência de declínio no Brasil em 2009, a magnitude do recuo foi mais fraca do que o apurado em anos anteriores. No País, o número de trabalhadores na faixa etária entre 5 e 17 anos recuou de 4,452 milhões para 4,250 milhões de 2008 para 2009, o que representou a retirada de cerca de 202 mil jovens do mercado de trabalho, uma queda de 4,5% no período.
No entanto, a queda no número de crianças e adolescentes de 2007 para 2008 no mercado de trabalho foi mais intensa, de 7,6%, e o número de jovens que não mais realizavam trabalho infantil foi maior, de 367 mil.
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