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São José do Rio Preto, 4 de Setembro, 2010 - 3:00
Ações da Petrobras disparam na Bovespa

Núcleo Multimídia

Divulgação Petrobras/Geraldo Falcão
Sede da Petrobras, cujos títulos foram destaque no pregão de ontem
Um movimento de realocação de carteira, com os investidores saindo de ações de outras empresas para comprar Petrobras, ditou o ritmo dos negócios na Bovespa ontem. A corrida dos investidores para participar da oferta pública da Petrobras levou as ações a fecharem com valorização superior a 4%, e com giro espetacular, superior a R$ 1 bilhão.

Já o Ibovespa terminou com variação negativa de 0,19%, aos 66.678,62 pontos, depois de ter subido pela manhã até 1,29%, para 67.673 pontos, influenciado pelo payroll de agosto nos Estados Unidos melhor do que o esperado. “Os investidores têm só até o dia 10 de setembro para ter o papel em carteira (custódia) e ter o direito de aumentar o capital na oferta pública da estatal. É um prazo curto”, diz o operador da Um Investimentos, Paulo Hegg.

Como essa operação ocorre em D+3 - ou seja demora três dias para o papel entrar em custódia -, o investidor tem, na prática, prazo até segunda-feira, dia 6, para participar da oferta por causa do feriado da Independência no Brasil, na terça-feira. Na quarta-feira, dia 8, quando o mercado volta do feriado já não daria mais tempo para fazer essa operação, diz Hegg.

As ações preferenciais de Petrobras subiram 4,35%, valendo R$ 28,80, e movimentaram R$ 1,315 bilhão. E, as ordinárias também foram nesse mesmo embalo e fecharam com ganho de 4,71%, a R$ 32,71, com giro de R$ 330,462 milhões. No total, Petrobras respondeu por 25,6% dos negócios da Bolsa, cujo volume foi de R$ 6,4 bilhões.

Segundo Hegg, da Um Investimentos, a divulgação de detalhes da capitalização da Petrobras também ajudou a animar as compras, como, por exemplo, o tamanho da oferta, que pode alcançar R$ 126,7 bilhões considerando o exercício das quantidades máximas do lote adicional e do suplementar, excluindo ainda a dedução das comissões e despesas, tendo como base as cotações em 1º de setembro.

O fechamento negativo da Bovespa ontem é atribuído por analistas ao feriado de segunda-feira nos EUA, que comemoram o Dia do Trabalho, e terça-feira no Brasil (7 de setembro), o que fez com que os players tirassem o pé do acelerador, deixando para se posicionar na quarta-feira. Mas na semana a Bovespa evoluiu bem e acumula alta de 1,66%. No mês, o ganho é de 2,35% e no ano ainda está no vermelho, com desvalorização de 2,78%.

Nos Estados Unidos, as bolsas sustentaram o sinal de alta até o final da jornada, marcando o quarto pregão consecutivo de ganhos e a primeira semana de avanço desde a encerrada em 6 de agosto. O Dow Jones subiu 1,24%; o S&P 500 avançou 1,32% e o Nasdaq +1,53%. Na Europa, as principais bolsas fecharam com ganhos ao redor de 1%.

O motivo do otimismo foi o relatório de emprego, que mostrou corte de vagas menor do que o previsto. Foram eliminadas 54 mil postos de trabalho em agosto, ante estimativa de 110 mil. O dado de julho foi revisado para corte de 54 mil vagas de trabalho, de cálculo anterior de corte de 131 mil. A taxa de desemprego subiu para 9,6%, conforme o esperado.

Câmbio

O dólar virou para positivo na última hora de negócios, depois de registrar fortes oscilações durante a sessão. Na mínima, a moeda chegou a R$ 1,719 (-0,75%), voltando aos níveis das mínimas do início de janeiro. A máxima na sessão de hoje foi de R$ 1,7350, em alta de 0,17%. O BC realizou o seu leilão de compra de dólares, com taxa de corte de R$ 1,730.

No fechamento, o dólar pronto na BM&F caiu 0,05%, para R$ 1,7333 (prévia); no balcão, subiu 0,06%, para R$ 1,7330. Na semana, o dólar caiu 1,14%; no mês, desvaloriza-se 1,31%; e no ano recua 0,57%. O giro financeiro total somou US$ 3,693 bilhões, dos quais US$ 3,477 bilhões em operações com liquidação no dia.

No segmento futuro, às 16h51, o dólar para outubro 2010 subia 0,55%, a R$ 1,7450.
No exterior, o dólar caía ante o euro e subia ante o iene. Às 16h51 (de Brasília), no mercado de Nova York, o dólar era cotado 84,41 ienes, ante 84,21 ienes anteontem, no fim da tarde. No mesmo horário, o euro valia US$ 1,2891, ante US$ 1,2821 anteontem.

Estatal divulga capitalização

A Petrobras divulgou ontem as bases de seu processo de capitalização, que deve ser o maior da história global e levará a estatal a disputar com a Apple o posto de segunda maior empresa das Américas em valor de mercado. Tomando por base o valor das ações no último dia 1º, a Petrobras espera levantar até R$ 126,7 bilhões com a venda das novas ações, processo que vai levar a um aumento da participação da União na companhia.

A divulgação dos detalhes e prazos provocou uma corrida por ações da companhia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), após meses de queda. As ações ordinárias (com direito a voto) subiram 4,71% e as preferenciais, 4,35%. Segundo o prospecto enviado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras vai emitir 3,7 bilhões de ações, numa operação dividida em três etapas, com fechamento previsto para o fim de outubro. O documento diz que a União e o BNDESPar já pediram a reserva de R$ 74,8 bilhões em ações. O valor é semelhante ao arrecadado pelo governo na venda de 5 bilhões de barris à companhia.

Na avaliação do mercado, o governo sairá do processo com maior participação na empresa, percepção reforçada por declarações de ontem do ministro da Fazenda, Guido Mantega. “O governo vai participar cumprindo suas prerrogativas legais, ou seja, na participação das ações que já possui na empresa ou até um pouco mais.” A própria estatal, em simulações feitas no prospecto, prevê um aumento dessa fatia. As projeções consideram que a participação de União e BNDESPar no bloco de controle pode subir de 57,5% para até 59,15%, sem contar a eventual compra de sobras por instituições ligadas ao governo, como o Fundo Soberano do Brasil (FSB) e bancos estatais.

O controle estatal é um dos riscos para os acionistas citados no documento. “Os interesses da União, nosso acionista controlador, podem ser divergentes ou conflitantes com os interesses dos nossos outros acionistas, inclusive para orientar os nossos negócios com o fim de atender ao interesse público.”

Se bem-sucedida, a capitalização colocará a Petrobras na disputa pelo segundo lugar entre as maiores companhias das Américas em valor de mercado - hoje, é a 12ª. A empresa projeta um salto em seu valor de mercado para pelo menos R$ 386 bilhões, a valores de 1º de setembro, com a venda das novas ações previstas.

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