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Levantamento
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São José do Rio Preto, 29 de Agosto, 2010 - 1:48
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Rio Preto é a 39ª que mais poupa
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Rubens Cardia
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Bancária Andressa D´Agostino guarda dinheiro para usar na aposentadoria
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Rio Preto ficou entre as 50 cidades brasileiras com maior volume de depósito em caderneta de poupança neste ano. A cidade ocupou a 39ª colocação, ao totalizar R$ 1,102 bilhão até maio, data do último levantamento disponibilizado pelo Banco Central. Ao todo, os 3.462 municípios que integram a pesquisa somaram R$ 333,7 bilhões em depósitos na poupança, a modalidade de investimento de menor risco existente no mercado.
A liderança no ranking ficou com a capital paulista, que contabilizou R$ 48,3 bilhões em depósitos. O Rio de Janeiro ocupa a segunda posição, com R$ 30,7 bilhões, seguido por Belo Horizonte, que poupou R$ 9,5 bilhões até maio deste ano. Até o décimo lugar do ranking nacional, com exceção de Campinas, no interior do Estado de São Paulo, as outras nove cidades são capitais. Aquele município ficou na 10ª posição e foi o melhor colocado entre os paulistas no ranking nacional, com R$ 3,9 bilhões.
Rio Preto ficou à frente de capitais como Cuiabá (MT), que totalizou R$ 934,8 milhões e ocupou a 44ª posição, e Porto Velho (RO), que ficou na 76ª colocação, com total de R$ 543 milhões em depósitos. Cidades de porte similar ao de Rio Preto também ficaram abaixo da lista. Bauru, por exemplo, poupou R$ 982,7 milhões e ficou na 43ª colocação. Americana ocupa a 61ª posição, com R$ 669 milhões em depósitos. Já Ribeirão Preto ficou à frente, na 22ª colocação, com R$ 1,786 bilhão em caixa.
No ranking paulista, Rio Preto ocupa a 14ª colocação nos três períodos de análise: os meses de maio de 2008, 2009 e 2010. O levantamento deste ano mostra que a liderança, assim como no resultado nacional, ficou com São Paulo, com R$ 48,3 bilhões. A segunda posição ficou com Campinas, com total de R$ 3,936 bilhões. Na terceira posição do ranking estadual aparece São Bernardo do Campo, com R$ 2,724 bilhões.
Poder aquisitivo
O economista Hipólito Martins Filho afirma que a posição ocupada por Rio Preto nacionalmente é bastante significativa e mostra que o poder aquisitivo do trabalhador está crescendo, o que está ligado ao nível de emprego. “A partir do momento em que melhora o nível de poupança, há mais recursos para aplicação em saneamento e habitação, já que boa parte desse dinheiro é utilizada para isso.”
Em maio de 2009 e de 2008, Rio Preto ocupou a mesma posição no ranking nacional, a 38ª, mas os totais de depósito em poupança foram inferiores e apresentaram crescimento ao longo do período. Ficaram em R$ 927,6 milhões e R$ 823,6 milhões, respectivamente. Para Marcos Pazzini, diretor da IPC Marketing, que faz o estudo Brasil em Foco - IPC Target, os números relativos à poupança podem ser analisados de duas formas: positivamente e negativamente.
A análise positiva mostra que se trata de uma renda que está nos bancos e pode ser destinada ao consumo, de acordo com a necessidade da população de cada município. “Essa renda extra pode alavancar os valores de potencial de consumo, principalmente para aquisição de bens de valor mais alto, como imóveis e veículos.”
O aspecto negativo é o fato de a renda não chegar ao mercado consumidor e não fazer o ciclo de consumo funcionar adequadamente. “Na visão de alguns empresários, pode ser que estes mercados tenham mais a característica de poupadores do que de consumidores, daí podem ser deixados em segundo plano nos trabalhos de planejamento futuro.”
Futuro
A bancária Andressa Maria Talharo D´Agostino começou a investir em poupança há dois anos, desde que se estabilizou profissionalmente. Dos rendimentos mensais, 10% já são direcionados para a conta poupança. “Essa é uma reserva que faço pensando na minha aposentadoria, a longo prazo.”
Mesmo sabendo que existem outros tipos de investimentos mais rentáveis, Andressa prefere a poupança em função da segurança que oferece. Sempre que ela recebe algum dinheiro extra como 13º salário, gratificação ou restituição do imposto de renda, separa parte disso para aplicar. “E quando eu tiver um filho também farei uma poupança para ele”, disse.
Rio-pretense aplica quase dois salários médios
Os dados do Banco Central revelam ainda que o rio-pretense poupou quase dois salários médios neste ano. O valor per capita foi R$ 2.591,97. O cálculo considerou a projeção da população de Rio Preto em 2010 feita pela Fundação Seade, de 425,2 mil habitantes, e o salário médio local de acordo com o levantamento da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2009, que foi de R$ 1.381,64. O resultado é 17,2% superior ao registrado no ano passado, quando o volume poupado ficou em R$ 2.210,85.
A poupança individual do rio-pretense ficou abaixo da média do cidadão paulista, que foi de R$ 2.738 no mesmo período, e acima da nacional, que totalizou R$ 1.737,67. Os cálculos também consideram as projeções de população da Fundação Seade e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2009, o valor poupado per capita em Rio Preto foi de R$ 2.210,85. No ano passado, a estimativa da população era de 419,6 mil habitantes. No ano anterior, o valor totalizou R$ 1.988,46, para uma quantidade estimada de 414,2 mil habitantes. A comparação entre os dois períodos revela alta de 11,1%.
Para o economista Joelson Gonçalves de Carvalho, o elevado índice de poupança em Rio Preto é um ótimo indicador do dinamismo socioeconômico do município. “Contudo, não podemos derivar daí que a situação da renda do rio-pretense é confortável. Estaríamos escamoteando a desigualdade da distribuição da renda”.
Segundo Carvalho, como não se sabe se o volume de depósitos é oriundo de muitos que poupam pouco ou poucos que poupam muito, as conclusões são mais difíceis, entretanto, supõe-se que o volume é derivado de aplicações individuais robustas, já que não há tributações sobre essas aplicações. “A poupança e o ouro cresceram entre 2009 e 2010 e isto pode ser explicado pela aversão ao risco, depois dos momentos conturbados pelos quais passaram os mercados financeiros.”
Aumento
O volume poupado em Rio Preto registrou alta de 18,8% neste ano, até maio, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em 2009, o total foi de R$ 927,6 milhões. O valor é inferior ao crescimento observado no Estado, de 21%, ao passar de R$ 95,4 bilhões para R$ 115,5 bilhões. O crescimento de Rio Preto também é menor do que o incremento nacional, que foi de 20,1% no período, ao passar de R$ 277,6 bilhões para R$ 333,7 bilhões.
Segundo Martins Filho, o crescimento no volume poupado revela ainda a configuração de uma nova estratificação social no Brasil, com a mobilidade das populações que integram as faixas sociais das classes C, D e até B. “A maioria dos investidores na poupança é formada de trabalhadores que recebem até três salários mínimos. Se aumenta a poupança, é sinal de que há uma parcela do dinheiro sobrando para ser aplicada”, disse.
Região atinge R$ 3,865 bi
O volume aplicado em poupança por 80 municípios da região Noroeste paulista totalizou R$ 3,865 bilhões até maio deste ano. O valor é 18,2% superior ao do mesmo período do ano anterior, quando o volume somou R$ 3,269 bilhões. O total da região representa 1,16% do resultado nacional e 3,35% do resultado estadual.
Depois de Rio Preto, que lidera o ranking regional com R$ 1,102 bilhão em depósitos, o destaque fica com o município de Catanduva, que registrou R$ 360,3 milhões aplicados por seus moradores. Na comparação com o ano anterior, quando a cidade manteve a mesma colocação no ranking regional, o crescimento foi de 18,3%. Naquele período, o total em depósitos foi de R$ 304,5 milhões.
O município de Barretos aparece com total de R$ 221,7 milhões em depósitos, o que representa um aumento de 21,7% em relação ao volume anterior, de R$ 182,1 milhões. O quarto lugar entre os municípios da região Noroeste paulista ficou com Votuporanga, que teve saldo de R$ 201,2 milhões em depósitos, uma alta de 23,2% em relação ao total do ano anterior, quando ficou em R$ 163,2 milhões.
Piores
O volume depositado por três moradores de cidades da região ficou abaixo de R$ 1 milhão. A pior colocação foi ocupada por Pontes Gestal, que totalizou R$ 595 mil. Depois aparece Rubinéia, com R$ 893 mil, e Macedônia, com R$ 921 mil em depósitos.
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