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Pecuária
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São José do Rio Preto, 25 de Agosto, 2010 - 3:14
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Preço do boi gordo não cobre custo
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Guilherme Baffi
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Gabriela Ribeiro apresentou ontem os custos da pecuária na região
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O custo de produção de uma arroba de boi gordo na região de Rio Preto é de R$ 106,95, bem acima dos R$ 87,45 pagos pelo mercado ontem. O valor de custo foi apresentado ontem durante o “Painel de Levantamento de Custo da Pecuária de Corte”, pela pesquisadora da Equipe Pecuária do Centro Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), Gabriela Garcia Ribeiro.
Ela apurou que o produtor rural na região de Rio Preto tem prejuízo de R$ 11.037 por hectare dedicado à pecuária de recria e engorda em relação aos custos efetivos necessário à produção, sem levar em conta a depreciação do patrimônio. Entre outras informações, o Painel de Pecuária de Corte apontou que o ganho com o arrendamento de parte da propriedade rural para o plantio de cana-de-açúcar é utilizado para cobrir os resultados deficitários da pecuária nos municípios locais.
A atual etapa do programa da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) “Cultura do Futuro” está enfocando levantamentos de dados sobre culturas de grãos, no Rio Grande do Sul, e em quatro municípios paulistas com a realização do Painel de Pecuária de Corte para pecuaristas que fazem recria e engorda. Na região, o Painel foi realizado ontem no Sindicato Rural de Rio Preto e, hoje, no Sindicato Rural de General Salgado.
Gabriela Ribeiro explicou que a escolha dos quatro municípios em São Paulo - Piracicaba, Rio Preto, General Salgado e Andradina - foi feita com base na quantidade de gado, segundo o IBGE, e os sindicatos rurais que teriam melhores condições e apoiar o evento. “O painel que a gente fez (ontem) foi baseado em dados de cidades num raio de 30 a 40 quilômetros de Rio Preto”. Para participar do painel foram convidados técnicos e pecuaristas da região que forneceram os dados para a elaboração das planilhas de custos. “As informações obtidas foram satisfatórias e não diferem de outras regiões e estados brasileiros,” disse.
Ela explicou que, segundo as informações levantadas, os produtores conseguem pagar os custos efetivos, ou seja, o dinheiro que é desembolsado para a produção pecuária, mas não conseguem cobrir os custos totais que incluem depreciação de instalações, máquinas e equipamentos. O painel adotou como módulo uma propriedade de 33 hectares em média, com pastagem formada com capim braquiária. Segundo Gabriela Ribeiro, devido ao tamanho médio das propriedades rurais, a região não pode ser mais considerada propícia à pecuária de corte, com exceção nos casos de confinamento dos animais.
Em geral, mesmo as propriedades que se decidam à pecuária de corte utilizam cerca de 60% da área para o arrendamento para a cana-de-açúcar e o restante para abrigar a sede, benfeitorias e outras atividades entre as quais a pecuária. O produtor, de acordo com o modelo apresentado por pecuaristas e técnicos no Painel de Pecuária de Corte, teria receita anual com a pecuária R$ 42.743 e custos efetivos para produzir 8,8 arrobas por hectare, de R$ 53.780 anuais. “Nos custos que levam em conta a depreciação dos bens, esse valor passa para R$ 71,9 mil por ano. O faturamento com arrendamento para cana-de-açúcar a R$ 700 por hectare nesse modelo de propriedade é de R$ 49 mil (por ano).”
Empate
A produção anual atingiria, segundo a pesquisadora do Cepea, 502 arrobas, mas precisaria ter obtido produção mínima de 632 arrobas para empatar com os custos efetivos e 845 arrobas para cobrir o capital desembolsado mais o custo de depreciação. “Desconsiderando os aumentos de custos com insumos para aumentar a produtividade.” A taxa de locação média de gado apurada é de 1,98 unidade animal (UA) por hectare, portanto superior à 1,2 UA usado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para desapropriação para fins de reforma agrária e 0,8 UA por ano de acordo com o IBGE.
O rebanho da região é suplementado com sal mineral, sal mineral proteinado e cana-de-açúcar com ganho médio de 325 arroba por dia. O gado é abatido em média com 42 meses de idade e os animais de reposição são bezerros “anelorados”, adquiridos pesando cerca de 210 quilos aos 10 meses de idade. Além da compra do bezerro, na faixa de R$ 650, outro gasto elevado que impacta os custos de produção é a mão de obra, que corresponde a R$ 13.350 anuais e corresponde a 25% do custo total. “Esse percentual é porque a produtividade é muito baixa”, afirmou Gabriela Ribeiro.
Benfeitorias
Em termos de benfeitorias, o Painel da Pecuária de Corte identificou que a propriedade modular na região tem 33 hectares, casa sede, uma casa para empregado, curral de madeira com 400 metros quadrados, cercas perimetrais de arame farpado com 4 fios e cercas internas com arame com cinco fios e arame liso, saleiro de madeira e aberto, galpão aberto para guardar trator de 75 cv com sala fechada para armazenar insumos e poço artesiano.
A água para o rebanho, que tem em média 63 cabeças por ano, é proveniente de açudes antigos ou fornecida por meio de bebedouros australianos. No que diz respeito aos equipamentos e implementos agrícolas a propriedade conta com grade niveladora, picadeira estacionaria, careta, lâmina, distribuidor de calcário a lanço, roçadeira, carreta, carroça, ferramentos diversas, duas pistolas para vacinação, dois jogos de selaria, carrinho de mão, motosserra e pulverizador costal, além de um veículo utilitário do produtor rural. O valor da médio da terra nua apurado foi de R$ 12,5 mil por hectare e, para implantar pela primeira vez ou refazer essa estrutura, o produtor precisaria investir R$ 270,5 mil.
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