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São José do Rio Preto, 8 de Agosto, 2010 - 16:00
Indústria retoma produção no 2º semestre

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A atividade produtiva na indústria teve desempenho negativo em abril, maio e junho, acusou o IBGE
A produção da indústria da transformação registrou em junho uma queda de 1% na margem e entrou no seu terceiro mês consecutivo de resultados negativos, mas na avaliação de especialistas essa sequência não configura uma tendência. Mais que afirmar que por trás deste encadeamento de quedas da atividade fabril escondem-se fatores pontuais e isolados, os profissionais preveem a retomada do caminho de alta no terceiro trimestre já a partir de julho.

Há mais estímulos ao crescimento da produção industrial daqui para frente do que para a continuidade das quedas, avaliam os analistas consultados. Avaliando as quedas nos últimos três meses, que puxaram também para baixo a média móvel trimestral (-0,7%), os analistas afirmam que o mau desempenho da indústria em abril (-0,70%), maio (-0,20%) e junho (-1,00%) decorre, em primeiro lugar, da superprodução no primeiro trimestre em antecipação ao fim dos incentivos fiscais para a fabricação e vendas de produtos da linha branca e automóveis.

Com isso, os estoques foram reforçados mesmo com o consumidor também antecipando suas compras. Mesmo com a antecipação das vendas, lembram os analistas consultados, os dados do comércio varejista, medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continuam confirmando demanda firme por parte dos consumidores. Em março, comparativamente a fevereiro, as vendas cresceram 2,10%; em abril relativamente a março, o varejo registrou queda de 3,10%; mas em maio sobre abril elas voltaram a crescer 1,40%.

Este comportamento observado nas vendas, praticamente ao contrário do que se vê nos dados da indústria, reforça a expectativas dos que acreditam na retomada da produção industrial no terceiro trimestre. O economista da Tendências Consultoria Integrada Rafael Bacciotti afirma que, apesar de ter em mãos apenas um indicador antecedente de produção industrial, o PMI do Banco HSBC, já pode afirmar que os indícios são de que haverá recuperação.

“Acreditamos que as três quedas seguidas da produção industrial não configuram uma tendência porque tivemos um primeiro trimestre muito forte por causa dos incentivos fiscais, o que levou à acomodação no segundo trimestre”, pondera. Além disso, continua o analista, o fato de a maior parte dos jogos da seleção brasileira na Copa ter caído em dias úteis prejudicou a atividade da indústria.

Fator Copa

O fator Copa, na avaliação do professor de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), André Chagas, pode não ter entrado no processo de dessazo-nalização dos dados da produção industrial do IBGE. “Julho, mesmo quando se olha a dessazonalização, tem um evento que não é pego pelos modelos, a Copa, que levou ao fechamento do comércio e da indústria. É algo difícil de mensurar até porque em outras Copas os jogos não necessariamente caíram em dias úteis”, diz Chagas, para quem em julho os dados da indústria deverão melhorar.

Bacciotti afirma que ainda não tem dados fechados para os próximos meses, mas já antecipa que as perspectivas são de demanda alta, o que deve influenciar a produção industrial. Para ele, o mercado de trabalho (massa salarial, renda e ocupação em alta) e o crédito ainda em nível elevado contribuirão para a retomada da produção nos próximos meses.

Previsão em torno da retomada da produção industrial a partir do segundo semestre já havia sido feita há uma semana pelo coordenador da Sondagem Industrial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloizio Campelo. Os dados da última sondagem industrial vieram negativos. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 1,5% em julho; o Índice da Situação Atual (ISA), baixou 2,2%; e o Índice de Expectativa (IE), recuou 0,8%. Estas quedas, na avaliação do coordenador da Sondagem, foram provocadas, sobretudo, pela queda na produção de bens duráveis.

Ocorre, de acordo com ele, que ao antecipar suas compras no primeiro trimestre o consumidor comprometeu parte da renda. No entanto, a partir da segunda metade do ano, com as contas voltando à normalidade, o consumidor tenderá a voltar às compras, puxando, com isso, a atividade fabril.


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