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Apagão rodoviário
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São José do Rio Preto, 27 de Julho, 2010 - 1:47
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Faltam caminhão e até pneu para transporte
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Guilherme Baffi
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As transportadoras de cargas na região enfrentam várias dificuldades para atender à crescente demanda das empresas
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Transportadoras de cargas da região de Rio Preto estão com dificuldades para atender à demanda do mercado. Faltam caminhões e pneus, o que gera aumento da tarifa de frete e até mesmo recusa de novos clientes. O aquecimento do setor é provocado pelo aumento da demanda dos mercados externo, com destaque para as cargas de agronegócio, e interno.
De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de Rio Preto e Região (Setcarp), Kagio Miura, o grande volume de embarques para exportação está causando a falta de caminhões para as transportadoras. “Com isso, ocorre a reposição da tarifa, entre 15% e 25% no valor”, disse.
Miura explica que não há caminhões para pronta-entrega, e além disso, em alguns casos, seria necessário comprar 40 caminhões, o que exigiria investimentos de cerca de R$ 18 milhões. “É um investimento alto, até porque essa demanda não existe no ano todo”, disse. A falta de pneus, segundo Miura, é uma questão mais simples, que normalmente é resolvida no período entre 10 e 15 dias, variando de acordo com o tipo e marca de pneu. “O que não pode ocorrer é deixar o caminhão parado por falta de pneus.”
Segundo o diretor da Graneleiro Transportes Rodoviários, José Salgueiro, a programação de compra de caminhões deve ser feita com antecedência de 120 dias. Além da frota própria, de cerca de 80 veículos, a empresa ainda conta com os autônomos. “Só fechamos novos serviços se houver frota disponível”, disse.
Salgueiro acredita que o aquecimento da demanda deve continuar até o fim do ano e ainda em 2011. Ele afirma que todos os setores de carga estão aquecidos: agronegócio, carga fracionada, carga industrial e carga metalúrgica, entre outras. Outro problema que tem dificultado o trabalho dos transportadores é o tempo de espera dos portos, que pode ser de 24 horas, 48 horas, dependendo do terminal. “Como a maioria dos terminais sempre está lotada, é preciso enfrentar uma fila grande, o que demora, até que o veículo possa retornar, pois temos o compromisso de retornar com outras cargas.”
De acordo com o diretor executivo da Transportadora Veronese, Ézio Veronese Júnior, o setor está bastante aquecido e está difícil atender à demanda. A empresa atua com derivados de petróleo, na coleta e distribuição. Uma razão é a demora na entrega de novos caminhões e carretas. Sua previsão é receber o pedido feito em junho em outubro. “E quando vamos buscar contratados, temos dificuldades porque o mercado spot (sem contrato) está pagando um frete melhor do que o nosso”, disse.
Embora não enfrente problemas para comprar novos pneus em função de ter se programado, o empresário confirma a situação para o segmento em geral. Veronese prevê que o aquecimento do mercado segue neste ano e no próximo. Até lá, o setor de transportes se organiza para atender a todos os clientes.
Produção não cobre demanda
Apesar de a produção de caminhões no Brasil ter registrado um aumento de 67% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, não está suficiente para atender à demanda. Os dados mais recentes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a fabricação de caminhões totalizou 89.548 unidades entre janeiro e junho deste ano, contra 53.687 no mesmo período do ano passado.
As vendas também registraram aumento, de 53,7%, ao passar de 46.183 nos seis primeiros meses do ano passado para 70.979 no primeiro semestre deste ano. Desse total, 1.183 unidades foram importadas neste ano, contra 1.751 entre janeiro e junho do ano passado. As exportações cresceram 59,7%, ao passar de 6.147 unidades para 9.817 unidades.
Em junho, o crescimento da produção de caminhões foi de 71,5%, ao passar de 9.394 em junho de 2009, para 16.107. Já as vendas cresceram 51%, passando de 8.603 unidades para 12.987 unidades no mês passado. As exportações tiveram alta de 138,9%, ao passar de 676 unidades vendidas para o mercado externo em junho de 2009 para 1.615 unidades.
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