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São José do Rio Preto, 25 de Julho, 2010 - 1:01
PIB de 6% depende de queda de juro e investimentos

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O ministro da Fazenda Guido Mantega disse que o PIB potencial já está entre 5,5% e 6%
A posse do próximo presidente da República no dia primeiro de janeiro dá esperanças a acadêmicos e analistas de mercado de que o novo governo poderá adotar diretrizes econômicas que poderão elevar o PIB potencial do País para uma marca próxima a 6% até o final de 2014.

Na avaliação dos especialistas, para que o Brasil atinja esse patamar de crescimento com inflação sob controle seria necessário, entre outros fatores, elevar os investimentos para uma marca ao redor de 24% do PIB e reduzir os juros com vigor, o que requer uma gestão bem mais eficiente dos gastos correntes.

Seria essencial também uma melhora substancial do nível educacional da população. O ministro da Fazenda Guido Mantega disse, em entrevista recente ao jornal Valor Econômico, que o PIB potencial já está entre 5,5% e 6%. Os analistas discordam, dizendo que está entre 4,5% e 5%.

É consenso entre especialistas que o nível de 18% de investimentos em relação ao PIB, apurados pelo IBGE no primeiro trimestre deste ano, está distante do que seria um patamar razoável para que o Brasil atingisse uma expansão mais próxima de outros emergentes, como a Índia, que avançam com mais vigor. Para o professor da PUC-RJ Márcio Garcia, a marca deveria ser de 24% do PIB.

Ele entende que é preciso avançar também na produtividade total de fatores (PTF), pois muito capital e trabalho não significam que o País se torne mais eficiente na fabricação de mercadorias e na prestação de serviços. “Temos uma carência enorme de mão de obra especializada. Depois de termos conquistado a universalização da educação básica, é preciso melhorar sua qualidade”, disse.

Na avaliação de Garcia e do professor José Marcio Camargo, também da PUC-RJ, para que os investimentos aumentem no Brasil de forma intensa é importante que o governo gaste melhor os recursos do Tesouro Nacional, sobretudo nas áreas de custeio e de pessoal.

Para o economista da consultoria Tendências Felipe Salto, as despesas com pessoal e encargos sociais da União foram de R$ 75,8 bilhões em dezembro de 2003 e saltaram para R$ 156,8 bilhões em maio deste ano. No mesmo período, os investimentos públicos subiram de R$ 6,7 bilhões para R$ 41,5 bilhões.

“É muito mais eficiente para o País reduzir as despesas correntes e dedicar boa parte destes recursos aos investimentos de longo prazo, sobretudo em infraestrutura, com destaque para energia, transporte e saneamento básico. Isso amplia a capacidade de produção do País por vários anos”, disse Camargo.

Na avaliação do professor da FGV-RJ Samuel Pessoa, para quem o PIB potencial do País está ao redor de 4,5%, a melhor aplicação dos recursos públicos também está relacionada com a qualidade dos empréstimos do BNDES às empresas.

O Tesouro repassou R$ 180 bilhões para o banco oficial neste ano e em 2009 com o objetivo de revitalizar a concessão de financiamentos ao setor privado que teve acesso reduzido a crédito com a crise internacional.

Pessoa entende que deve ocorrer liberação de crédito do banco para projetos relevantes, como os que estimulam o avanço de pesquisas de produção e desenvolvimento de novas tecnologias. “Mas não vejo qual é a utilidade de financiar operações de consolidação de grupos econômicos, como o que foi gerado com a fusão da Perdigão e Sadia”, disse.

De acordo com o BNDES, da oferta pública da BR Foods, criada com a união das duas empresas, o banco adquiriu R$ 400 milhões em ações, o que representou 2,55% do capital da companhia.


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Fonte: AE
 
     
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