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São José do Rio Preto, 18 de Julho, 2010 - 1:50
Aplicação na poupança perde para inflação

Liza Mirella

Edvaldo Santos
Economista Hipólito Martins: situação boa e ruim
O dinheiro aplicado na caderneta de poupança perdeu poder de compra no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do rendimento acumulado ser superior à inflação acumulada no mesmo período, o ganho real calculado entre ambos é bem diferente. Entre janeiro e junho deste ano, a poupança acumula rendimento de 3,23% (levando-se em consideração a rentabilidade do último dia de cada mês), enquanto a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, utilizado pelo Banco Central como referência para a meta inflacionária anual) ficou em 3,09% no primeiro semestre.

A equação econômica para medir o ganho real entre ambos demonstra que este rendimento não passou dos 0,14%, de acordo com os cálculos do professor de Economia das Faculdades Veris, de Campinas, Fabrício Pessatto Ferreira. Mesmo com a rentabilidade menor do que outras aplicações financeiras, a poupança atrai novos investidores pela segurança que proporciona. “A poupança é indicada quando o aplicador deseja ter algum rendimento em uma opção conservadora, mas que vá precisar dos recursos em um intervalo de tempo relativamente curto, de um a dois anos”, disse.

Dados da superintendência regional da Caixa Econômica Federal de Rio Preto revelam que, no primeiro semestre deste ano, a captação líquida (resultado entre depósitos e saques na poupança) foi de R$ 73,1 milhões nos 136 municípios da área de abrangência do banco. Os depósitos totalizaram R$ 1,077 bilhão em cerca de 377 mil contas existentes.

Projeções

Uma simulação revela que quem aplicou R$ 1 mil na poupança em janeiro deste ano, considerando sempre a variação no último dia de cada mês, acumulou um rendimento bruto de R$ 1.032,30, mas descontada a inflação (IPCA) do período, o ganho real, ou seja, o rendimento menos a inflação, foi de apenas de 0,14%. Com isso, o dinheiro investido em janeiro teria um ganho de poder de consumo equivalente a apenas R$ 1,41. É como se o saldo final fosse de R$ 1.001,41.

A mesma aplicação feita no primeiro semestre do ano passado registrou ganho real de 0,99%, o que significou que, em junho do ano passado, valeria R$ 1.009,91, ou seja, R$ 9,91 a mais. Entre janeiro e junho do ano passado, a inflação pelo IPCA foi de 2,57%. Ao utilizar o índice que mede a inflação do rio-pretense, o Índice de Preços ao Consumidor de Rio Preto (IPC-RP), os ganhos reais são maiores do que na comparação com o IPCA. O IPC-RP acumulou no primeiro semestre 0,85%. Descontada esta inflação, os R$ 1 mil valeriam na realidade R$ 1.023,67 (ganho real de 2,37%).

Outra projeção possível leva em consideração o índice mais utilizado para correção de contratos, como o de aluguel: o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Por ele, os resultados serão ainda menores, o que indica perda do poder aquisitivo. De acordo com Ferreira, quem aplicou R$ 1 mil em janeiro deste ano teria um ganho nominal (sem descontar a inflação) de R$ 32,33, mas uma perda em termos reais, já que o IGP-M acumulado ficou em 5,69%. “É como se o aplicador, na verdade, tivesse perdido R$ 23,24 e, nesse sentido, os R$ 1 mil valeriam R$ 976,76 devido às perdas para a inflação.”

No ano passado, a situação foi bem diferente, uma vez que o IGP-M no primeiro semestre de 2009 foi negativo em 1,24%. Neste período, o poupador teve um ganho nominal de R$ 35,84. “É como se ele tivesse ganho um pouco a mais, já que a média de preços ficou menor.”

Tendência

A tendência, segundo Ferreira, é de desaceleração do IGP-M até o fim do ano, principalmente em função da queda do dólar. Já o IPCA deve ficar pouco acima do centro da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para este ano, mas abaixo do teto de 6,5%. “De acordo com o relatório Focus, do Banco Central, a expectativa é que o IPCA feche o ano em 5,55% e o IGP-M em 9%”, afirmou.

Deflação é movimento atípico em Rio Preto

A economia de Rio Preto registrou um movimento atípico nos últimos três meses deste ano, de deflação. Num primeiro momento, para os consumidores, é um bom resultado, mas é ruim para os empresários, se persistir. A última medição, de junho, revela que o Índice de Preços ao Consumidor de Rio Preto (IPC-RP) fechou negativo em 0,45%. A redução de preços de alimentos, transportes e vestuário influenciou no resultado. Em maio, o índice havia fechado com variação negativa de 0,51% e em abril, de - 0,16%.

De acordo com o economista Hipólito Martins Filho, a deflação ocorre quando os preços dos produtos e serviços ficam abaixo do custo de produção dos mesmos. Por exemplo, se um quilo de batata custa R$ 1,00 no mês de junho e em julho passa a R$ 1,10, ocorreu inflação de um mês para outro. Mas, se o preço do produto baixar para R$ 0,80, houve deflação.

Segundo Martins Filho, quando se registra deflação com freqüência existe o risco de desestimular o empresário a produzir. “Isso porque não há margem de lucro.” E, se a produção está em queda e a procura continua constante, ocorre a chamada Lei da Oferta e da Procura, ou seja, num segundo momento os preços podem subir de forma sistemática e contínua. “Inicialmente o consumidor se sente favorecido com a queda de preços, mas a inflação pode voltar e diminuir seu poder aquisitivo, tirando suas possibilidades de escolha.” Para Martins Filho, o IPC-RP não deve registrar deflação nos próximos meses porque foi uma situação atípica.





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