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São José do Rio Preto, 18 de Julho, 2010 - 8:32
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Uso de fertilizantes no País deve bater recorde neste ano
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Guilherme Baffi
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Estoque em lojas da região ainda é alto; vendas começam a crescer após as primeiras chuvas
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O Brasil deve bater recorde na utilização de fertilizantes agrícolas em 2010, atingindo 25 milhões de toneladas. Segundo a da Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda), o volume a ser comercializado este ano supera os 24,6 milhões de toneladas de 2007 que foi o maior volume consumido pela agropecuária brasileira. Somente a cultura de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo deve consumir 2,93 milhões de toneladas de adubos, sendo que desse total, mais de 420 mil toneladas serão empregados na canavicultura nos municípios da Região Administrativa de Rio Preto.
Na região, as empresas começam a registrar aumento por interesse no insumo, mas a procura pelo produto no balcão das revendas continua devagar, devendo aquecer-se após as primeiras chuvas e com a aproximação da safra de verão. Manoel Claro Fernandes, da Agromec, de Jales, afirmou que as vendas de fertilizantes ainda estão paradas tanto para culturas anuais como no caso de culturas perenes, como a citricultura. “As vendas vão melhorar depois das primeiras chuvas. A absorção do adubo precisa de chuva”.
No Interior de São Paulo, a comercialização de fertilizantes vai ser intensificada em função da expansão estimada em 6,5% da área com cana-de-açúcar. Nos estados do Centro-Oeste o crescimento da área dedicada à canavicultura - incluindo unidades novas e já em produção - deve ser de 10%. De acordo com levantamento realizado em abril pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a área dedicada à cana-de-açúcar destinada à indústria - cana planta e cana em produção - ocupou, na safra 2009/2010, 5,53 milhões de hectares do território paulista, o que corresponde a um consumo anual de 2,76 milhões de toneladas de adubo.
Considerando que um hectare de cana consome anualmente entre 400 e 600 quilos de fertilizante e que a expectativa do setor é de incremento de 6,5% da área dedicada ao plantio de cana no território paulista, o consumo de cana deve atingir 2,93 milhões de toneladas, o que corresponde a 17% da meta para o setor de fertilizantes em 2010.
Cana
Ainda de acordo com o IEA, a Região Administrativa de Rio Preto mantém a maior área com cana-de-açúcar do Estado de São Paulo, destinando 795 mil hectares ao cultivo de cana-de-açúcar para a indústria, entre cana planta e cana soca, o que corresponde a um consumo médio de 397 mil toneladas de adubo por ano. A expansão de 6,5% da área deve chegar a 846,9 mil hectares com incremento de 25,8 mil toneladas de fertilizantes.
O gerente Comercial de Insumos da Cooperativa de Cafeicultores de Citricultores de Bebedouro (Coopercitrus), Jair Guessi, trabalha com a expectativa de incremento nas vendas de fertilizantes nas 35 unidades da cooperativa. Ele afirmou que em relação ao ano passado as encomendas de adubo estão 40% maiores que no mesmo período do ano passado.
Segundo Guessi, na área de atuação da Coopercitrus está ocorrendo maior procura por adubo para a cana-de-açúcar e também para a citricultura em função dos preços melhores pagos esse ano pela caixa padrão em relação à safra passada. “O preço da caixa de laranja não pagava o diesel e, agora está entre R$ 14,00 e R$ 17,00”.
O analista da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro de Lima Filho, afirmou que a tendência de uma procura maior por fertilizantes este ano em comparação a 2008 e 2009. Em 2008, os preços desse tipo de insumo agrícola subiram bastante em função da maior demanda mundial por fertilizantes. O Brasil é o quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, ficando atrás dos Estados Unidos, Índia e China que lidera o ranking.
Em 2009, houve contração no consumo de adubos em decorrência da falta de liquidez causada pela crise financeira mundial. A expectativa do setor é vender pelo menos um milhão de toneladas a mais que no ano passado. Ele destacou que o aumento na venda de fertilizantes ocorrerá como resultado da expectativa do avanço na safra de grãos brasileira. “A compra de fertilizantes pode variar de 23 milhões de toneladas a 25 milhões de toneladas” afirmou.
Culturas
A cana-de-açúcar, a soja, que deve registrar pequeno aumento na área plantada, e a intensificação no plantio de algodão devem provocar o aumento na comercialização de fertilizantes. “Com os preços internacionais do algodão, muitos agricultores vão plantar algodão e a cultura do algodão consome muito mais adubo que a cultura de soja por hectare”, disse. Os Estados do Mato Grosso, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo devem dividir entre si a maior parte do aumento na venda de fertilizantes no País.
Estatística da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) mostra que em 2009, o País distribuiu no mercado interno 22,47 milhões de toneladas do produto. Isso representa um avanço de apenas 0,18%, se comparado ao volume vendido em 2008. Já, em comparação ao volume de 2007, a venda de fertilizantes registrou retração de 8,6%.
Mercado também influencia no incremento
Antônio Carlos Gissi, diretor presidente da Indústria Química Kimberlit, situada em Olímpia, afirmou que o cenário está demonstrando que vai ocorrer nesta safra um aumento no volume de fertilizantes a ser utilizado pelo setor agrícola nacional com vendas e, logicamente, utilização bastante superior ao do ano passado. Para Gissi, o incremento da produtividade, além do aumento da área plantada, são os fatores que devem puxar o aumento no consumo de fertilizantes.
Ele afirmou que projeção feita pelo Ministério da Agricultura indica que até 2017 o País vai consumir mais de 34 milhões de toneladas de fertilizantes por ano. Luís Fernando Garcia de Morais, representante regional do Grupo Fertipar Fertilizantes, estima que no Estado de São Paulo o consumo de adubos deve crescer em torno de 10% e 4% no resto do País.
Ele justifica a expectativa para o Estado de São Paulo, argumentando que a cultura da cana-de-açúcar esteve em crise nos últimos dois anos e deve voltar a investir nos tratos culturais a partir deste ano. Guessi também acredita na retomada do setor que enfrentou preços baixos e descapitalização em 2008 e 2009. “A primeira coisa que os produtores cortam é a aplicação de adubo. Eu tenho um vizinho que é produtor de cana que não diminuiu a aplicação de adubo e manteve a produtividade, mas não são todos que fazem isso.”
Mercado
Ele, no entanto, discorda de que o aumento do consumo de adubo seja decorrente de adoção de maior por parte dos produtores rurais e cita fatores de mercado como a queda do preço do insumo e cotações agrícolas como responsáveis pela tendência que deve ser confirmada este ano. “O produtor já se tecnificou. Já utiliza adubo. Quem não usa tecnologia já caiu fora do setor”.
Levantamento da Scot Consultoria registrou que, em junho de 2008, a ureia chegou a custar R$ 1.318,20, o cloreto de potássio R$ 1.503,61 e o super simples R$ 1.026,03. No mesmo período em 2010, a ureia estava cotada a R$ 897,65, o cloreto de potássio a R$ 1106,56 e o super simples R$ 585,63. De acordo com revendas, os preços do insumo tiveram queda entre 8% e 9% este ano em relação a anos anteriores.
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