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'Big Brother' inútil
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São José do Rio Preto, 11 de Fevereiro, 2012 - 1:50
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Dobra roubo a ônibus, mesmo com câmeras
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Guilherme Baffi
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Reginaldo Marques, que faz a linha Jaguaré, acredita na eficácia das câmeras (detalhe): “Quando a pessoa vê que está sendo filmada pensa duas vezes antes de tentar alguma coisa”
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O número de assaltos a ônibus que fazem o transporte coletivo em Rio Preto dobrou depois da instalação das câmeras nos veículos e nenhum caso foi solucionado pela Polícia Civil, a partir das gravações. As câmeras foram instaladas nos coletivos em novembro de 2011 e desde então foram registradas 16 ocorrências. Já no quadrimestre anterior às câmeras foram oito roubos.
Todos os crimes ocorridos depois da colocação dos equipamentos de vigilância foram concentrados nas linhas operadas pela Expresso Itamarati, que atende as regiões leste e norte de Rio Preto. De acordo com o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto, Rubens Machado Cardoso Júnior, as câmeras ajudam na identificação dos criminosos, porém é preciso que a polícia conheça os marginais para fazer a identificação. “Só ver o rosto não ajuda muito, mas caso ele tenha outras passagens pela polícia e conste em nosso banco de dados, pode ajudar”, diz o delegado, que traça um perfil dos autores.
“Esses assaltos são realizados, na maioria das vezes, por adolescentes viciados em drogas que roubam para sustentar o vício e não podem ser presos. Depois de levados para a delegacia, são soltos e então o crime continua.” O delegado diz ainda que as câmeras podem ajudar a diminuir o número de assaltos, mas o tempo de funcionamento é muito curto para essa avaliação. “Ainda não deu pra sentir se diminuiu ou aumentou o número de ocorrências, precisamos de pelo menos um ano para analisar esses números.”
Insegurança
A maioria dos motoristas e cobradores das empresas concessionárias do transporte público de Rio Preto, Circular Santa Luzia e Expresso Itamarati, não se sente mais seguros com a colocação das câmeras. “Isso não adianta nada, o cara que rouba ônibus está sempre muito drogado e não liga se está sendo filmados ou não. O cara entra pra roubar R$ 15 ou R$ 20. É só pra comprar droga”, afirma o motorista Clarindo Aparecido Main, 65 anos, que percorre as linhas Duas Vendas, Jardim Nunes e Solo Sagrado, na zona norte.
Main conta que trabalha na Santa Luzia há 20 anos e que neste período já foi assaltado 12 vezes. Em uma das ocorrências foi baleado pelo bandido. “A sensação de ser assaltado é muito ruim. Quando estamos no ônibus não temos muito o que fazer, apenas obedecer o que eles pedem e rezar para que não atirem”, afirma
Jailson Vital da Silva, que faz a linha Vila Toninho, também não acredita que as câmeras possam ajudar na diminuição dos crimes. “O cara que quiser roubar vai entrar e pronto”. Já Reginaldo Marques, que percorre a linha Jaguaré, pensa o contrário. “A câmera ajuda. Quando a pessoa vê que está sendo filmada muda o comportamento e pensa duas vezes antes de tentar alguma coisa”.
Novo modelo pela metade
A instalação das câmeras nos ônibus de transporte coletivo de Rio Preto faz parte de uma série de mudanças na concessão do serviço na cidade. O atual modelo contempla ainda a reforma do terminal central, a construção de novos miniterminais e a instalação de corredores exclusivos para ônibus na área central, o que ainda não aconteceu. Os ônibus das empresas Expresso Itamarati e Circular Santa Luzia possuem três câmeras em cada um, sendo uma na frente, outra na catraca e a última no fundo do coletivo.
O serviço conta com 217 ônibus ao todo, entre eles 52 básicos, com capacidade para 90 passageiros; 106 midiônibus, para 70 usuários; e os miniônibus, para atender até 48 passageiros. Todos são equipados com Sistema de Posicionamento Global (GPS), câmeras de segurança e rampa para acesso de deficiente físico. A licitação para o transporte coletivo em Rio Preto foi dividida em dois lotes - R$ 7,1 milhões para a Circular Santa Luzia e R$ 3,9 milhões para a Itamarati. A maior fatia, que concentra 35 linhas, pertence à Santa Luzia, e o segundo, de 20 linhas, à Itamarati. A concessão é válida por dez anos.
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