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Lombadas eletrônicas
São José do Rio Preto, 12 de Março, 2010 - 3:03
Secretaria usa tachões para corrigir falhas

Helen Ventura

Edvaldo Santos
Funcionários fazem a instalação de tachões próximo a lombada localizada na avenida Clóvis Oger
A Secretaria Municipal de Trânsito de Rio Preto iniciou, na última quarta-feira, a instalação de tachões nos dez pontos onde estão localizadas as lombadas eletrônicas. De acordo com o secretário de Trânsito, Aparecido Capello, não haverá gastos com os tachões, já que está disponível em estoque. A intenção é canalizar o trânsito, impedindo que motoristas passem no meio da via, atrapalhando a leitura dos sensores. A lombada eletrônica, cujo limite é de 40km/h, não multa.

Ocorre que, frequentemente, ao passar com o carro pelo meio da via, as lombadas fazem leituras distintas, marcando velocidades diferentes em cada um dos pontos instalados. Capello afirma que isto acontece porque o laço - como é denominado o sensor das lombadas eletrônicas - não cobre toda a extensão da via. “Estamos fazendo o possível para que as lombadas funcionem corretamente até o início da próxima semana.”

O mestre em transportes e professor do centro universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI), Creso de Franco Peixoto, diz que a diferença existe, mas não pode ser grande. “Pode ocorrer uma diferença pequena, de um quilômetro, até dois, porque o sensor tem fase analógica e, ao passar para o digital, no visor, ocorrem variações de ondas.”

Peixoto, entretanto, é contrário à instalação de tachões, que, segundo ele, não podem ser utilizados como medida educativa. “Pelo contrário, é preciso ver até que ponto o sinalizador não força o motorista a fazer mudanças bruscas de direção. Mesmo em velocidade reduzida, manobras repentinas podem ocasionar acidentes.” Capello afirma que tomou a decisão depois de consultar engenheiros da Secretaria de Trânsito.

Reparos

A reportagem do Diário percorreu as dez lombadas existentes e constatou outro problema: as medições irregulares. A metade das lombadas marcava velocidade diferente do que apontava o velocímetro do carro. Em três, a diferença entre o velocímetro e o radar estava acima da margem de erro considerada pelo Inmetro (de 7 km/h). Na avenida Philadelpho Manoel Gouveia Neto, o velocímetro do veículo marcava 40km/h, enquanto o radar apontava 18km/h. Na avenida dos Estudantes, em frente o Aeroporto, o velocímetro marcou 20km/h. Já o radar marcava 32km/h. Na Faria Lima, no sentido centro-bairro, o velocímetro apontou 30km/h e o radar 52km/h. Neste último caso, um aviso no radar indicava a manutenção do aparelho.

O encarregado José Soares Domingues, 29 anos, passa todos os dias pela avenida dos Estudantes. Segundo ele, nem sempre o visor do radar condiz com a velocidade marcada. “Precisam dar um jeito nisso. Quando começar a multar, todo mundo vai poder recorrer porque a maioria sabe que não funciona direito.” Para o vigilante Sérgio Sebastião Lacerda, 51 anos, as lombadas eletrônicas são medidas educativas eficientes, desde que funcionem corretamente. “Não adianta apresentar medições distorcidas. Ainda assim, acredito que é preciso haver multa, porque o brasileiro só se educa quando tem de colocar a mão no bolso.”

Para quem anda a pé, as lombadas eletrônicas não fizeram diferença. A bordadeira Rosângela de Oliveira, 29 anos, afirma que a maioria dos motoristas não diminui a velocidade do carro ao passar pelos radares porque sabe que não há multa. “Antes de descobrir que não multavam, eles passavam devagar. Se colocasse um semáforo seria melhor”, diz ela. A doméstica Sueli Gonçalves, 39 anos, concorda. “Outro dia passei pela rua (Monte Aprazível) com a minha filha e quase fomos atropeladas. Eles passam correndo.”

Segundo o secretário Capello, técnicos da NDC Tecnologia, empresa responsável pelo funcionamento das lombadas eletrônicas, estão na cidade desde segunda-feira resolvendo o problema. “Eu mesmo constatei a irregularidade, percorrendo algumas lombadas. Estou exigindo que eles façam os reparos.” Procurado pela reportagem, o responsável pela NDC, Henrique Simões, não estava na empresa. A secretária informou que ele só retornaria entre hoje e segunda-feira e recusou-se a passar telefones de contato. Em relatório apresentado à Secretaria de Trânsito, eles confirmam apenas inconformidades na Philadelpho Gouveia Neto.

 
     
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