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São José do Rio Preto, 12 de Março, 2010 - 3:04
Justiça condena bando por roubo em Mirassol

Graziela Delalibera

Ferdinando Ramos
V.L.C.M., que pensa em mudar de região por causa do trauma que adquiriu após ela e familiares passarem por assalto na fazenda em que viviam
O juiz da 3ª Vara de Mirassol, Ronaldo Guaranha Merighi, condenou a penas que variam de 11 a 15 anos de prisão cinco homens e uma mulher acusados de se associar em quadrilha para praticar um roubo e aterrorizar as vítimas em uma fazenda em 1º de julho de 2009. Michel Alves da Silva foi condenado a 12 anos e oito meses de prisão, Willian de Lima Silva a 11 anos e quatro meses de prisão, e Rodrigo Alves dos Santos, Heliaque Fernando de Carvalho, Telma Cristina de Jesus Ferreira e Leonildo Trajano dos Santos à pena de 15 anos, dois meses e 12 dias de reclusão.

Na sentença, o juiz considera que os réus, que estão presos, revelaram acentuada agressividade no momento da ação, e não poderão recorrer em liberdade. Uma das vítimas, a arquiteta V.L.C.M., 47 anos, perdeu quatro dentes da frente com uma coronhada. Segundo o promotor José Heitor dos Santos, que denunciou o bando, os réus são investigados por outros crimes que teriam cometido em conjunto, e atuaram na região de Mirassol no primeiro semestre de 2009, quando uma onda de assaltos provocou pânico entre os moradores. A sentença segue pedido da Promotoria, que solicitou condenação por roubo triplamente qualificado com quadrilha armada.

O crime ocorreu na fazenda onde a arquiteta morava. Ela, seu filho P.R.C.M., 20, e seu pai, L.E.C., 86, foram rendidos por volta das 18h30 por cinco homens, sendo agredidos com coronhadas, amordaçados com fita crepe e trancados no banheiro. Além disso, as vítimas foram ameaçadas o tempo todo, e um casal clientes da arquiteta que chegou ao local na hora da ação, M.B.F. e G.F.F., também foi imobilizado e trancado no banheiro. “Foi um pesadelo, e está sendo até hoje”, disse a arquiteta ontem. Ela contou que ainda não se recuperou do trauma e pretende se mudar da região. “Eu nem gosto de falar nesse assunto, me faz muito mal.”

Consta nos autos que no dia do roubo Michel e Telma estiveram antes na fazenda observando o local e os hábitos dos moradores, com a desculpa que queriam comprar um imóvel. Mais tarde, Michel e os outros quatro réus voltaram ao local, enquanto Telma ficou em casa esperando os comparsas. Rodrigo e Willian portavam dois revólveres de brinquedo, enquanto Leonildo tinha uma arma verdadeira. Os acusados levaram bens avaliados em R$ 15,8 mil, além de uma caminhonete do casal que chegou depois, para transportar os objetos do roubo. Parte dos objetos foi localizada por denúncia anônima na casa de uma parente de um dos réus, e o veículo encontrado abandonado em Rio Preto.

Leonildo e Telma foram presos em flagrante em Araraquara, com um táxi que haviam roubado em Mirassol. Com Telma, foram encontradas joias da arquiteta. Na polícia, Michel, Rodrigo e Willian admitiram a participação no roubo. Em juízo, apenas Willian confessou, mas alegou que agiu sem a participação dos demais. Já Heliaque alegou que apenas ajudou a descarregar os objetos roubados.

Advogado vai recorrer

Edilter Imbernom, advogado de Telma Cristina de Jesus Ferreira, disse que a Justiça não tem elementos para condenar sua cliente e que pretende recorrer da decisão. Ele falou que ainda não havia tomado ciência da sentença e que irá estudar o caso. O mesmo afirmou o advogado Fernando Cesar Pierobon Bento, que defende Heliaque Fernando de Carvalho. O outros advogados não foram localizados.

Além de Telma e Carvalho, os réus Rodrigo Alves dos Santos e Leonildo Trajano dos Santos são reincidentes. Em sua sentença, o juiz Ronaldo Guaranha Merighi observa que, mesmo com os réus presos, uma testemunha da acusação mudou radicalmente o seu depoimento em juízo, além de um deles ter assumido sozinho a prática do roubo, o que revelaria a periculosidade do bando.

De acordo com o promotor de Justiça José Heitor dos Santos, os réus, todos de Mirassol, se associaram para cometer crimes na mesma época em que uma outra quadrilha atuava na cidade, atacando suas vítimas entre 5h e 7h, principalmente idosos. Dessa segunda quadrilha, dois suspeitos estão presos e aguardam julgamento.

 
     
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