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Violência contra mulheres
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São José do Rio Preto, 16 de Fevereiro, 2010 - 3:02
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Queixas contra agressores aumentam 20%
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Sérgio Menezes
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Para a delegada Dálice Aparecida Ceron, da DDM, o crescimento da violência é reflexo da confiança da vítima em procurar a delegacia
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Por dia, pelo menos cinco mulheres de Rio Preto procuram a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para denunciar violência física e psicológica praticada por maridos, namorados e companheiros. No ano passado, foram registrados 1.852 boletins de ocorrência de ameaça, lesão corporal e ofensas que ferem a honra e dignidade da mulher. Um crescimento de quase 20% em comparação com 2008, quando foram contabilizados 1.548 registros.
No ano passado, 922 mulheres de Rio Preto foram agredidas fisicamente pelos homens, 6,5% a mais que em 2008. O crescimento também ocorreu para as vítimas de ameaças, já que em 2008, procuraram a delegacia 588 mulheres contra 764 em 2009. No entanto, os xingamentos, agressões sem ferimentos e ofensas psicológicas foram os registros que mais cresceram, passando de 95 em 2008 para 166 no ano passado.
Para a delegada Dálice Aparecida Ceron, da DDM, o crescimento da violência é reflexo da confiança da vítima em procurar a delegacia. “Com a Lei Maria da Penha, que pune o agressor, as mulheres estão mais conscientes. Muitas procuraram a delegacia apenas para desabafar, outras querem um basta nas agressões.”
Com medo e assustada, a doméstica C.S.B., 46 anos, esconde o rosto e pede para ser identificada apenas pelas iniciais. Ela entrou para as estatísticas após ser agredida fisicamente pelo companheiro com quem convivia por três anos e meio. “Ele chegou em casa alterado, quebrou meus móveis, e quando peguei o telefone para ligar para a polícia, ele veio para cima de mim”, lembra.
Depois de ser violentada, C.S.B. procurou a DDM e registrou boletim de ocorrência. No entanto, menos de uma semana depois se arrependeu. “Ele sempre foi uma boa pessoa, trabalhador e honesto, não merece isso que eu fiz na hora do desespero.” Mesmo arrependida de ter registrado a ocorrência, a doméstica afirma que não quer mais conviver com o ex-companheiro. “Já deu o que tinha para dar. Agora quero viver a minha vida sem dor de cabeça.”
Carência afetiva
Segundo a delegada Dálice, cerca de 80% das mulheres vítimas de violência doméstica acabam perdoando o agressor e voltando para ele. “Isso é uma questão cultural, aquela história de que ‘ruim com ele, pior sem ele’. Além do que muitas mulheres têm carência afetiva, que pesa muito mais que a necessidade financeira.” Apesar da reconciliação, o volume de inquéritos instaurados cresceu de um ano para o outro: de 355 em 2008 para 541 em 2009.
Medidas de proteção
Mulheres agredidas fisicamente e que não querem mais conviver com o agressão conquistaram, na Justiça, o direito de solicitar medidas protetoras, que visam basicamente a impedir a aproximação do homem e evitar nova violência. No ano passado, foram solicitadas 347 medidas na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Rio Preto. Este ano, até a última sexta-feira, já foram 43 solicitações.
De acordo com a delegada Dálice Ceron, a procura pelas medidas de proteção tem aumentado em razão da morosidade da Justiça em resolver a questão civil, quando a mulher pede a separação. “A vítima que foi violentada consegue pela via criminal mais agilidade em retirar o agressor de dentro da casa.” A dona de casa Sandra, 42, nome fictício, conseguiu no fim de dezembro que o ex-marido deixasse a residência, no Jardim Roseiral. Depois de ficar casada 18 anos e, durante oito anos sendo agredida, ela resolveu denunciar o agressor. “Não suportava mais, por isso procurei a polícia.”
O promotor João Carlos Sgorlon explica que a medida protetiva não é exclusiva para marido e mulher, podendo também ser solicitada por casais de namorados e noivos. “Graças à Lei Maria da Penha a vítima pode solicitar a medida, que vai desde o afastamento do agressor da residência até mesmo proibir que ele mantenha contato com a mulher.” Quando o Ministério Pública recebe a solicitação da medida, o pedido é analisado e depois expedido o mandado para cumprimento. “Todo procedimento é feito com rapidez e cautela, para não se cometer injustiça”, disse Sgorlon.
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