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São José do Rio Preto, 12 de Fevereiro, 2010 - 3:02
Cenas violentas em creche revoltam pais

Allan de Abreu, Hélton Souza e Giseli Marchiote

Reprodução
funcionária agride criança da creche Caminho do Futuro, em Rio Preto
As imagens da agressão de alunos da creche Caminho do Futuro, na zona norte de Rio Preto, por três professoras da entidade, chocaram os pais das crianças. Duas mães disseram ontem ao Diário que irão tirar os filhos do local depois de assistir a vídeos em que funcionárias aparecem empurrando e chacoalhando crianças com idades entre um ano e meio e três anos. “Não quero mais esse lugar para a minha filha. Nunca vou ter segurança em deixá-la aqui”, disse uma mãe, que não se identificou.

A filha da empregada doméstica Renata Viana, 37 anos, foi aluna por quatro anos de Fabíola Renata Soares, uma das agressoras. “Cuidar de bebês, além de um trabalho, deve ser um ato de amor. É muita covardia bater em crianças indefesas”, disse. “Se tivesse condição, tirava minha filha daqui.” A autônoma Valdirene Regina Milendres dos Santos passou a desconfiar das professoras depois que o filho de 2 anos chegou em casa com um hematoma no braço, no ano passado. “Não achei aquilo normal.”

No total, oito funcionárias foram demitidas em dezembro - três por justa causa - e uma está afastada. As agressões só foram descobertas porque câmeras de vídeo foram instaladas em todas as salas de aula em novembro, depois que funcionárias passaram a desconfiar do comportamento do grupo.

Mais duas professoras agrediam crianças

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Rio Preto identificou ontem outras duas professoras que também aparecem nos vídeos agredindo os alunos. Com isso, são cinco as investigadas no inquérito que apura maus-tratos e constragimento contra os alunos da creche Caminho do Futuro, no Jardim Itapema: Fabíola Renata Soares, Tânia Teixeira Ribeiro, Maria Zilda Silva, Tamar Carlos Fernandes Gonçalves e Vanessa Cesário.

Ontem, quatro funcionárias da creche prestaram depoimento na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e contaram que, além das três professoras identificadas pelo filme, Tamar Carlos Fernandes Gonçalves e Maria Zilda Silva também agrediam as crianças. A pedagoga L.A.R. contou que as duas proibiam os alunos de repetir comida, obrigavam os menores que não dormiam a ficar o dia inteiro em pé encostados na parede, além de incentivá-los a se agredir mutuamente.

A auxiliar administrativa G.C.M. completou no seu depoimento que Maria Zilda colocava as crianças de castigo em cima das roupas sujas de fezes e urina. “Eram situações vexatórias para as crianças, que faziam as coisas sem saber o motivo”, disse a delegada-titular da DDM, Dálice Aparecida Ceron.

Vídeos

Há imagens em vídeo de Fabíola, Tânia e Vanessa. Os vídeos foram gravados em novembro e dezembro, por orientação do Juizado da Infância e Juventude, depois que funcionárias desconfiaram do comportamento das professoras em sala de aula. As câmeras foram camufladas no circuito de alarme das salas de aula - apenas uma não funcionou devido a problemas técnicos.

Segundo a coordenadora pedagógica da creche, Cilene Márcia Salvajoli, nos cerca 40 dias de gravação, há pelo menos dez em que os alunos sofrem algum tipo de agressão física do trio. No caso de Fabíola, segundo a coordenadora, a maior parte das agressões flagradas ocorria entre 7h e 8h, quando ela ficava sozinha na sala com as crianças. Depois desse horário, outras duas funcionárias passavam a dividir os cuidados com os bebês.

A reportagem tentou falar com Fabíola ontem, que não quis comentar as denúncias. Tânia também se negou a comentar o caso, alegando que as informações prestadas poderiam prejudicá-las no processo. As outras professoras não foram localizadas para comentar o assunto.

No laudo da Polícia Científica entregue à delegada consta que o filme gravado na creche possui 17 videoclipes. O relatório do perito Hilário Antônio Cirino dos Santos afirma que “a perícia, mais que solicita, entende que as autoridades que apreciarão o caso devem visualizar as gravações na íntegra, visando formar em juízo definitivo do teor examinado, uma vez que na referida creche pode estar ocorrendo sérios danos psicológicos em crianças”.

Com exceção de Tamar, que não pode ser demitida por ser vinculada ao Sindicato dos Professores de Rio Preto e foi apenas afastada, todas foram exoneradas da creche em 12 de dezembro, além de outras quatro funcionárias, que, segundo o advogado Henrique Augusto Dias, teriam sido coniventes com as agressões.

>> Clique aqui na TV Diário e assista as cenas de agressão contra as crianças

Edvaldo Santos
Valdirene Regina Milendres dos Santos, mãe de dois filhos
‘Não dá para acreditar’


Todos os dias, antes de entrar na sala de aula da creche Caminho do Futuro, Fabíola Renata Soares deixava o filho de apenas um ano de idade no berçário da instituição. “Não dá para acreditar no que aconteceu. Nunca desconfiei de nada, porque quando entrava na sala elas sorriam, beijavam as crianças”, disse a coordenadora pedagógica da creche, Cilene Márcia Salvajoli.

Fabíola era funcionária da instituição havia sete anos; Tamar Carlos Fernandes Gonçalves, há 12. “Nunca gostei muito da Tamar, ela era muito autoritária. Ela chamava a nossa atenção se chegávamos com um pouco de atraso, parecia a diretora da creche”, diz a autônoma Valdirene Regina Milendres dos Santos, mãe de dois alunos da entidade. Segundo outra mãe, que não quis se identificar, a filha não gostava de Tamar. “Ela nunca tratou minha criança bem.”

Choro

A secretária Natália Regina Ferreira, 20 anos, passou a desconfiar das professoras depois que o filho de 2 anos estava chorando muito quando ela foi buscá-lo, no fim do ano passado, pouco antes das demissões das funcionárias. “Ele não é de chorar, por isso achei estranho. Mas não dei muita bola na época. Só agora, vendo o caso pela imprensa, é que fiquei chocada”, afirmou.

 
     
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