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Latrocínio em Mirassolândia
São José do Rio Preto, 6 de Fevereiro, 2010 - 2:30
Corregedoria investiga policiais por tortura

Graziela Delalibera

Sérgio Menezes
Na sequência, os acusados Paulo Cesar Conde Augusto, Tiago Cibys e Ana Claudia Florêncio
A 5ª Corregedoria Auxiliar de Rio Preto reabriu inquérito para investigar o delegado titular de Mirassolândia, Amaury Sheffer de Oliveira Junior, e os policiais civis que trabalham na delegacia da cidade, em razão de denúncia de tortura. Oliveira Junior comandou o caso que resultou na prisão de quatro inocentes. Eles foram acusados de praticar latrocínio em Mirassolândia, em 27 de maio de 2008. O caso tinha sido arquivado por falta de provas. Três dos acusados ficaram 13 meses atrás das grades.

José Prudêncio Diniz foi preso em 3 de junho de 2008 e teria assinado a confissão após cinco horas de tortura. Ele teria levado socos, pontapés e choques elétricos. Fernando Costa de Souza Mota, o segundo a ser preso, teria sido torturado num matagal, mas não confessou a autoria. Luís Ricardo Bernardes se entregou à polícia. Nenhum tinha passagem.

Marcelo Agradano ficou foragido e foi preso dois meses depois. Todos são de Tanabi e foram absolvidos pelo juiz Flávio Artacho, de Mirassol, por falta de provas. Agradano é o único que continua preso, mas por outro crime. O latrocínio aconteceu quando quatro pessoas encapuzadas invadiram o sítio da família Assunção e atiraram contra o comerciante Antonio Freitas de Assunção Filho, 53 anos. e o filho dele, Juliano Ricardo Freitas Assunção, 28, que morreu. Eles levaram R$ 15 mil em dinheiro e cheques.

O comerciante nunca reconheceu o grupo de Tanabi. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) começou a investigar o caso em novembro e chegou ao bando de Araraquara. Ana Cláudia Florêncio, segundo a polícia, seria a mentora do crime. Ela foi apresentada ontem numa coletiva junto com outros dois detidos: Tiago Rodrigo Cibys e Paulo César Conde Augusto (que já cumpre pena). Lucas José dos Santos, ex-namorado de Ana Claudia, e Everton Junior dos Santos estão foragidos.

Ana Claudia foi funcionária do supermercado das vítimas, em Onda Verde, entre setembro de 2003 e dezembro de 2006. Em depoimento, Ana Claudia teria confessado sua participação no crime. O advogado dela não quis comentar o caso. A mãe de Juliano, a comerciante Sônia Pianheri Assunção, 49, disse que a ex-funcionária compareceu ao velório de seu filho, com quem chegou a ter um caso em 2003.

Uma semana depois, foi ao estabelecimento da família e se ofereceu para trabalhar. “Ela disse que queria nos ajudar a atravessar o momento difícil. Isso é o que mais revolta. A frieza que ela teve prova que agiu com maldade.” O delegado de Mirassolândia não foi encontrado.

Delegado barra o Diário

Num ato arbitrário e nada democrático, o delegado José Augusto Fernandes, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e responsável pelas investigações, impediu a entrada da reportagem do Diário na delegacia para participar de entrevista coletiva sobre a prisão do bando acusado de latrocínio em Mirassol.

O motivo da represália foi o fato de o Diário ter publicado, com exclusividade, que quatro inocentes ficaram presos 13 meses pelo crime que não cometeram. O delegado não gostou da publicação porque se julgava a única fonte das informações apuradas junto à Justiça, Ministério Público, advogados e vítimas e no direito de determinar a data da publicação da reportagem.

A Redação solicitou a intervenção do delegado-seccional, Jozeli Curti, chefe de Fernandes, que garantiu o acesso da equipe de reportagem. Mas, em vez de liberar a entrada da equipe, o delegado enviou um investigador para saber o nome da repórter e mandar que esperasse mais um pouco. Aos berros, o delegado xingou o Diário e sua equipe na presença de vários veículos de comunicação.

No final da coletiva, após quase duas horas de espera, o delegado desceu e, pela grade, disse à repórter que não lhe daria entrevista porque ela era uma das autoras do texto. Antes de retornar à sua sala, disse que está prestes a esclarecer um caso importante e que não vai passar a informação ao Diário.

Minutos depois, o delegado desceu novamente e orientou o fotógrafo a fazer algumas imagens. Nessa hora beijou a repórter, disse que não tinha nada contra ela nem contra o jornal, mas que não lhe daria entrevista para não quebrar “sua palavra”. Disse que o jornal poderia enviar outro repórter para colher os dados. Antes de se despedir de vez, fez nova ameaça: - Se o Diário publicar que foi impedido de entrar na delegacia, eu o processo.

 
     
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