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São José do Rio Preto, 28 de Janeiro, 2010 - 1:31
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Homem que matou a própria família encontra a mãe
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Thomaz Vita Neto
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Neiva de Andrade Justino com o filho Nilson de Andrade Justino na Delegacia de Investigações Gerais
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“Perdeu tudo as coisas, mãe.” Essa foi uma das poucas frases que o aposentado Nilson de Andrade Justino, 47 anos, conseguiu dizer à mãe, Neiva de Andrade Justino, ontem, em seu primeiro encontro com a família após ter sido preso na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) sob a acusação de matar a mulher e as duas filhas, no domingo.
As três foram atacadas com marretadas, e depois decapitadas, dentro de casa, no Solo Sagrado, zona norte de Rio Preto. O encontro foi testemunhado pelo Diário, no dia em que a mãe do acusado completou 66 anos. Lucelena de Sousa Pinheiro Andrade Justino, 40, Tatiana Pinheiro Justino, 23, e Mariana, 18, foram enterradas há três dias.
Pés descalços
De cabeça raspada e pés descalços, Justino mais parecia um animal acuado quando entrou na sala onde era aguardado para o encontro. Era o oposto da imagem que surgia nas histórias a respeito de seu passado - do tempo em que jogava capoeira, ou de quando construiu sua própria casa, tijolo a tijolo, com a ajuda da mulher.
Ele não esboçou qualquer reação ao ficar frente a frente com a mãe e o irmão, o metalúrgico Nilton, de 42 anos. “Nilson, tá vendo que é a mãe que está falando com você? É a Neiva, filho. Você conhece o seu irmão, né?”, disse a mãe do acusado, enquanto, num gesto de desespero, passava as mãos no rosto e na cabeça do filho. Pouco antes, dona Neiva havia comentado que talvez aquela fosse a última vez que se encontraria com ele.
O que era revolta logo depois da descoberta do crime, aos olhos de quem presenciou o encontro tornou-se compaixão. No dia do enterro das vítimas, Neiva havia dito que não queria ver o filho tão cedo. “O que deu na tua cabeça, meu filho? A mãe vai te entregar na mão de Deus. É o único que pode te ajudar agora. A mãe não tem mais nada que pode fazer pra você”, disse, resignada.
Perguntas sobre os motivos que o teriam levado a cometer o ato não faltaram, e a todas ele respondeu de forma evasiva. Porém, surpreendeu quando Neiva enumerou as qualidades de seu caráter: “Você não bebe, você não usa drogas, você não usa nada...”, “Droga eu não uso, não”, ele reforçou.
A certa altura, o aposentado começou a aparentar inquietação. Fazia menção de se levantar do sofá e voltava a sentar no mesmo lugar. Quase não olhava a mãe nos olhos. Negou que tenha brigado com a família no dia do triplo assassinato, e fez o mesmo em relação à hipótese de uma discussão sobre religião ter motivado a barbárie. Embora tenha se lembrado no dia da prisão do local onde havia deixado os instrumentos usados no crime (uma marreta e uma serra de pedreiro), respondeu ao delegado Alceu Lima de Oliveira Júnior que não se lembrava da conversa.
Justino é aposentado por invalidez. Desenvolveu problemas psíquicos depois de ser assaltado quando era cobrador da Santa Luzia. Na sexta-feira, ele próprio raspou a cabeça. Para a cunhada, Tânia Donizetti Pinheiro, irmã de Lucelena, já era um sinal. “Sempre que ele queria aprontar alguma raspava a cabeça.”
“Por que ele fez aquilo? Isso vai ser uma pergunta que vai ficar sem resposta”, confidenciou à reportagem do Diário a mãe de Justino, enquanto aguardava, em frente à DIG, o carro que a levaria para a casa. Antes de voltar à cela, durante a despedida da mãe, o acusado pediu a sua bênção.
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Thomaz Vita Neto
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Depois de se encontrar com a mãe, Justino volta para a cela
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LEIA TRECHO DO DIÁLOGO
Mãe - Nilson? Tá vendo que é a mãe que tá falando com você? É a Neiva, filho? Você conhece o seu irmão, né?
Nilson - Não sei, mãe.
Mãe - Não sabe? Nós viemos te ver, meu filho. O que foi que deu na tua cabeça, meu filho?
Nilson - Não deu nada.
Mãe - Por que você fez aquilo, filho?
Nilson - Perdeu tudo as coisas, né?
Mãe - Perdeu o quê, meu filho?
Nilson - As coisas, né?
Mãe - Não perdeu nada, a casa tá paga em dia, o terreno tá pago em dia. Vocês não tinham dívida, meu filho. Não faltava nada. Você sempre foi um homem trabalhador. Ela era uma menina de juízo. Sempre trabalhou na vida. Perdeu o quê? Algum documento que você quer falar?
Nilson - Não, mãe.
Mãe - Você não lembra de nada?
Nilson – Não.
Mãe - Você estava lá dentro do quarto com elas mortas e a mãe não sabia de nada. Se a mãe olha pra baixo, ia ver a Tatiana. O que deu na tua cabeça, meu filho? A mãe vai te entregar na mão de Deus. É o único que pode te ajudar agora. A mãe não tem mais nada que pode fazer fazer pra você. Um homem de respeito. Nenhum vizinho tinha queixa tua. Toda vida foi trabalhador. Um leão para trabalhar. Os colegas teus lá da Circular foram lá no velório. Ficaram bobos de saber que você tinha feito aquilo. O que deu na tua cabeça, meu filho? Fala pra mãe.
Nilson - Eu não sei, mãe.
Mãe - Não sabe? Você não bebe. Você não usa drogas. Você não usa nada...
Nilson - Droga eu não uso, não.
Mãe – Não. Toda vida você foi contra seu irmão que morreu e usava droga. E agora, meu filho Quantas vezes eu pedi pra te internar. Ela tinha dó. Ela dizia que amava você. Ela cuidou de você como um bebê. Ela foi uma santa pra você. Ai, meu filho, até agora a mãe não tá compreendendo nada.
Diário - Vocês brigaram naquele dia?
Nilson - Não, não chegou a brigar, não.
Delegado - Você lembra?
Nilson - Eu sempre tomei remédio.
Delegado - Mas qual remédio você tem de tomar, qual o horário, você lembra?
Nilson - Eu não.
Delegado - Que médico você ia?
Nilson - Doutor Chadad.
Delegado - Despede dele senhora, vamos guardar ele. Dá um abraço nele.
Nilson - Bênção, mãe..
Mãe - Deus te proteja, meu filho.
>> Clique aqui e ouça no canal Podcast o áudio da entrevista
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COMENTÁRIOS
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Rodrigo da Cunha
postado em
28/01/2010
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Por algum motivo, toda a capacidade cognitiva, toda a sua capacidade de compreensão das coisas ao redor, de si mesmo, de atos, realidade, consequências, se perdeu. Ele fechou-se dentro de algum lugar e provavelmente nunca mais sairá de lá. Entrou em um surto psicótico e agora está em um estado catatônico, misturando ficção e realidade, alternando entre o real e o irreal, perdido. Sequer deve ter consciência do que fez. Devia estar sendo medicado, com a visita de algum psiquiatra, para tentar recobrar um pouco da consciência, retirando-o da fase aguda e trazendo-o para uma remissão dos sintomas severos em que se encontra.
Esquizofrenia paranóide é bem mais complexa do que se pensa. A definição de "louco" é muito vasta e irreal. Normalmente surge no início da vida adulta, mas no caso dele parece que adveio de um stress pós traumático. Não falo com propriedade por não ser especialista, mas me parece óbvio a necessidade deste homem ser medicado o quanto antes. Não dá para ficar brincando com esta história de Dr. Jeckill and Mr. Hide.
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