› São José do Rio Preto, 23 de maio de 2012
 
Busca avançada
Cidades
 
Exclusivo
São José do Rio Preto, 28 de Janeiro, 2010 - 1:31
Homem que matou a própria família encontra a mãe

Graziela Delalibera

Thomaz Vita Neto
Neiva de Andrade Justino com o filho Nilson de Andrade Justino na Delegacia de Investigações Gerais
“Perdeu tudo as coisas, mãe.” Essa foi uma das poucas frases que o aposentado Nilson de Andrade Justino, 47 anos, conseguiu dizer à mãe, Neiva de Andrade Justino, ontem, em seu primeiro encontro com a família após ter sido preso na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) sob a acusação de matar a mulher e as duas filhas, no domingo.

As três foram atacadas com marretadas, e depois decapitadas, dentro de casa, no Solo Sagrado, zona norte de Rio Preto. O encontro foi testemunhado pelo Diário, no dia em que a mãe do acusado completou 66 anos. Lucelena de Sousa Pinheiro Andrade Justino, 40, Tatiana Pinheiro Justino, 23, e Mariana, 18, foram enterradas há três dias.

Pés descalços

De cabeça raspada e pés descalços, Justino mais parecia um animal acuado quando entrou na sala onde era aguardado para o encontro. Era o oposto da imagem que surgia nas histórias a respeito de seu passado - do tempo em que jogava capoeira, ou de quando construiu sua própria casa, tijolo a tijolo, com a ajuda da mulher.

Ele não esboçou qualquer reação ao ficar frente a frente com a mãe e o irmão, o metalúrgico Nilton, de 42 anos. “Nilson, tá vendo que é a mãe que está falando com você? É a Neiva, filho. Você conhece o seu irmão, né?”, disse a mãe do acusado, enquanto, num gesto de desespero, passava as mãos no rosto e na cabeça do filho. Pouco antes, dona Neiva havia comentado que talvez aquela fosse a última vez que se encontraria com ele.

O que era revolta logo depois da descoberta do crime, aos olhos de quem presenciou o encontro tornou-se compaixão. No dia do enterro das vítimas, Neiva havia dito que não queria ver o filho tão cedo. “O que deu na tua cabeça, meu filho? A mãe vai te entregar na mão de Deus. É o único que pode te ajudar agora. A mãe não tem mais nada que pode fazer pra você”, disse, resignada.

Perguntas sobre os motivos que o teriam levado a cometer o ato não faltaram, e a todas ele respondeu de forma evasiva. Porém, surpreendeu quando Neiva enumerou as qualidades de seu caráter: “Você não bebe, você não usa drogas, você não usa nada...”, “Droga eu não uso, não”, ele reforçou.

A certa altura, o aposentado começou a aparentar inquietação. Fazia menção de se levantar do sofá e voltava a sentar no mesmo lugar. Quase não olhava a mãe nos olhos. Negou que tenha brigado com a família no dia do triplo assassinato, e fez o mesmo em relação à hipótese de uma discussão sobre religião ter motivado a barbárie. Embora tenha se lembrado no dia da prisão do local onde havia deixado os instrumentos usados no crime (uma marreta e uma serra de pedreiro), respondeu ao delegado Alceu Lima de Oliveira Júnior que não se lembrava da conversa.

Justino é aposentado por invalidez. Desenvolveu problemas psíquicos depois de ser assaltado quando era cobrador da Santa Luzia. Na sexta-feira, ele próprio raspou a cabeça. Para a cunhada, Tânia Donizetti Pinheiro, irmã de Lucelena, já era um sinal. “Sempre que ele queria aprontar alguma raspava a cabeça.”

“Por que ele fez aquilo? Isso vai ser uma pergunta que vai ficar sem resposta”, confidenciou à reportagem do Diário a mãe de Justino, enquanto aguardava, em frente à DIG, o carro que a levaria para a casa. Antes de voltar à cela, durante a despedida da mãe, o acusado pediu a sua bênção.

Thomaz Vita Neto
Depois de se encontrar com a mãe, Justino volta para a cela
LEIA TRECHO DO DIÁLOGO

Mãe - Nilson? Tá vendo que é a mãe que tá falando com você? É a Neiva, filho? Você conhece o seu irmão, né?
Nilson - Não sei, mãe.
Mãe - Não sabe? Nós viemos te ver, meu filho. O que foi que deu na tua cabeça, meu filho?

Nilson - Não deu nada.
Mãe - Por que você fez aquilo, filho?
Nilson - Perdeu tudo as coisas, né?

Mãe - Perdeu o quê, meu filho?
Nilson - As coisas, né?

Mãe - Não perdeu nada, a casa tá paga em dia, o terreno tá pago em dia. Vocês não tinham dívida, meu filho. Não faltava nada. Você sempre foi um homem trabalhador. Ela era uma menina de juízo. Sempre trabalhou na vida. Perdeu o quê? Algum documento que você quer falar?
Nilson - Não, mãe.

Mãe - Você não lembra de nada?
Nilson – Não.

Mãe - Você estava lá dentro do quarto com elas mortas e a mãe não sabia de nada. Se a mãe olha pra baixo, ia ver a Tatiana. O que deu na tua cabeça, meu filho? A mãe vai te entregar na mão de Deus. É o único que pode te ajudar agora. A mãe não tem mais nada que pode fazer fazer pra você. Um homem de respeito. Nenhum vizinho tinha queixa tua. Toda vida foi trabalhador. Um leão para trabalhar. Os colegas teus lá da Circular foram lá no velório. Ficaram bobos de saber que você tinha feito aquilo. O que deu na tua cabeça, meu filho? Fala pra mãe.
Nilson - Eu não sei, mãe.

Mãe - Não sabe? Você não bebe. Você não usa drogas. Você não usa nada...
Nilson - Droga eu não uso, não.

Mãe – Não. Toda vida você foi contra seu irmão que morreu e usava droga. E agora, meu filho Quantas vezes eu pedi pra te internar. Ela tinha dó. Ela dizia que amava você. Ela cuidou de você como um bebê. Ela foi uma santa pra você. Ai, meu filho, até agora a mãe não tá compreendendo nada.

Diário - Vocês brigaram naquele dia?
Nilson - Não, não chegou a brigar, não.
Delegado - Você lembra?
Nilson - Eu sempre tomei remédio.

Delegado - Mas qual remédio você tem de tomar, qual o horário, você lembra?
Nilson - Eu não.

Delegado - Que médico você ia?
Nilson - Doutor Chadad.
Delegado - Despede dele senhora, vamos guardar ele. Dá um abraço nele.
Nilson - Bênção, mãe..
Mãe - Deus te proteja, meu filho.

>> Clique aqui e ouça no canal Podcast o áudio da entrevista



 
     
18 de Janeiro, 2010
Temporal mata duas pessoas em Rio Preto
 
27 de Dezembro, 2009
Programa rende R$ 8 mil para universitárias
 
17 de Janeiro, 2010
Arrependidos pagam até R$ 2 mil para retirar tatuagem
 
26 de Janeiro, 2010
Marido mata mulher e filhas a marretadas
 
5 de Fevereiro, 2012
Duplo homicídio assusta Nova Granada
 
 
› 23/05 Estado vai fechar 16 delegacias
› 23/05 Modelos são flagradas em cárcere privado na Índia
› 23/05 Revolução de 32 ganha museu em Rio Preto
› 22/05 Confira os principais destaques do Diário da Região
› 22/05 Pai tranca criança no carro para curtir Expo
› 22/05 Procon fiscaliza lojas sem preços nos produtos
Leia mais sobre Cidades
assassinato barbárie crime família
 
Portal Diarioweb DiarioWeb no Facebook!
Projeto Saúde Sustenável
Condominium
Imóveis
(17) 4009-3333
Consultoria e Cerimonial
Rosa X
(17) 3224-8353
Imobiliária
Gurupi
(17) 3214-7000
Imobiliária
Interplan
(17) 3304-6007
Home | Institucional | Economia | Cidades | Geral | Esportes | Saúde | Política | Meio Ambiente | Estradas | Tecnologia | Educação | Opinião | Opinião do leitor | Artigos | Editorial | Classificados | Divirta-se | Atendimento | Promoções | Fotojornalismo | Vídeos | PodCasts | Blogs | RSS | Jornal na Educação
Diarioweb® Todos os direitos reservados // Atendimento Design e desenvolvimento MagicSite